Goldman Sachs corta projeções para Cury e MRV e eleva alerta para o setor
- Redação Liga News
- há 48 minutos
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Banco reduz projeções para Cury e MRV, mantém avaliação positiva para algumas incorporadoras e aponta margens, MCMV e IVA como os principais temas da próxima temporada de balanços

📉 Goldman Sachs vê desaceleração. Mas nem todas as construtoras estão no mesmo barco.
A temporada de prévias operacionais começou a produzir seus primeiros diagnósticos — e o Goldman Sachs já ajustou a rota para algumas das principais construtoras da Bolsa.
O banco revisou seus modelos após os números do segundo trimestre de 2026 e concluiu que, de forma geral, os resultados vieram ligeiramente abaixo das expectativas do mercado. O recado não significa uma mudança de ciclo, mas indica que o ambiente segue exigindo mais cautela das empresas e dos investidores.
As maiores revisões recaíram justamente sobre duas das principais incorporadoras do segmento econômico: Cury (CURY3) e MRV (MRVE3).
💰 Receita cresce. Lucro nem sempre acompanha.
Na MRV, o Goldman Sachs até elevou em 6% sua projeção de receita, refletindo um ritmo mais forte das obras.
O problema está em outro lugar.
O banco acredita que o avanço operacional será parcialmente consumido pelo aumento das despesas financeiras, reduzindo a expectativa de lucro da companhia.
É um retrato bastante atual do setor: produzir mais não significa necessariamente ganhar mais, principalmente em um ambiente de juros elevados.
📊 A surpresa veio da Cury
No caso da Cury, a revisão foi ainda mais significativa.
O Goldman Sachs reduziu em 18% sua projeção anterior de lucro para incorporar uma despesa administrativa (G&A) historicamente mais elevada no segundo trimestre.
Segundo relatório assinado por Jorel Guilloty e equipe, a estimativa atual fica cerca de 8% abaixo do consenso do mercado.
A leitura reforça que, mesmo em empresas reconhecidas pela boa execução operacional, custos internos continuam pressionando a rentabilidade.
🏗️ Ainda existem ações consideradas "baratas"
Apesar das revisões, o banco não vê um cenário negativo para todo o setor.
Na avaliação do Goldman Sachs, algumas incorporadoras continuam negociadas com múltiplos considerados atrativos.
Entre elas estão:
Cyrela (CYRE3) — P/L estimado de 4,2 vezes para 2027;
Tenda (TEND3) — 4,3 vezes;
Direcional (DIRR3) — 5,5 vezes;
Cury (CURY3) — 6,5 vezes.
Ou seja, embora tenha reduzido projeções para algumas empresas, o banco ainda enxerga espaço para valorização em determinados papéis.
⚠️ O mercado já olha além do balanço
Mais do que os resultados do trimestre, o Goldman Sachs aponta três grandes temas que devem dominar as próximas conferências com investidores.
O primeiro é a evolução das margens, em um momento em que o INCC acumula alta de 6,4% em 12 meses, mas permanece sob risco de novas pressões caso conflitos no Oriente Médio afetem novamente a cadeia global de suprimentos.
O segundo é o futuro do Minha Casa, Minha Vida.
O banco acompanha as discussões sobre possíveis mudanças no programa, incluindo ampliação dos limites de renda, aumento do teto dos imóveis financiáveis e redução das taxas de juros.
Entre as propostas em debate estão:
elevação da renda máxima da faixa superior de R$ 13 mil para R$ 21 mil;
aumento do teto dos imóveis de R$ 600 mil para R$ 1,2 milhão;
redução dos juros para até 8,66% em novas modalidades;
revisão das taxas da Faixa 3 e atualização dos limites de preço das Faixas 1 e 2.
Caso implementadas, essas mudanças podem alterar significativamente a dinâmica do mercado residencial nos próximos anos.
🧾 A próxima preocupação atende por três letras: IVA
Outro tema que ganhou espaço no relatório é a chegada do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
Segundo o Goldman Sachs, investidores também devem observar como incorporadoras e fornecedores estão se preparando para a implementação do novo sistema tributário, prevista para começar em 2027.
Para empresas com cadeias longas de suprimentos, a adaptação pode representar tanto desafios operacionais quanto oportunidades de eficiência.
👀 O que o mercado passa a observar?
Mais do que crescimento de lançamentos ou vendas, a próxima temporada de balanços tende a responder perguntas mais estratégicas:
As margens conseguem resistir aos custos?
O Minha Casa, Minha Vida ganhará uma nova fase de expansão?
As incorporadoras estão preparadas para o IVA?
E quais empresas conseguirão crescer preservando rentabilidade?
As respostas podem pesar tanto quanto os próprios números divulgados.
Fonte: Com informações e entrevistas publicadas pelo Estado de S. Paulo.

























