Por que a MRV aceitou vender ativos abaixo do valor de balanço?
- Redação Liga News

- 25 de jun.
- 2 min de leitura
Companhia vende ativos da Resia abaixo do valor contábil, reduz dívida em quase R$ 450 milhões e reforça estratégia de geração de caixa em meio aos juros elevados nos EUA.

💸 Às vezes, perder menos é ganhar mais
Depois de anos apostando no mercado imobiliário americano por meio da Resia, a MRV decidiu apertar o botão da simplificação.
A companhia anunciou a venda de dois empreendimentos residenciais no Texas — Ten Oaks e Rayzor Ranch — por US$ 139 milhões (cerca de R$ 716 milhões), segundo informações divulgadas pela Exame.
O detalhe que chamou atenção do mercado? Os ativos foram vendidos com desconto relevante em relação ao valor registrado no balanço.
Mas, neste caso, a discussão parece menos sobre lucro imediato e mais sobre sobrevivência financeira.
📉 Desconto de hoje para aliviar a pressão de amanhã
O Rayzor Ranch, que apresentava ocupação de 93%, tinha valor patrimonial de US$ 66 milhões, mas foi negociado por US$ 53 milhões.
Já o Ten Oaks, avaliado em US$ 122 milhões e com ocupação de 73%, foi vendido por US$ 86 milhões.
Na prática, a operação representa uma perda contábil de aproximadamente 26% sobre o valor patrimonial combinado dos ativos.
Ainda assim, a MRV argumenta que o movimento traz benefícios estratégicos importantes:
Simplificação operacional;
Redução de riscos;
Maior previsibilidade de caixa;
Menor exposição ao mercado imobiliário americano.
🏦 O verdadeiro alvo: a dívida
A venda tem um objetivo bastante claro: desalavancagem.
Segundo a companhia, a operação reduzirá o endividamento líquido consolidado em US$ 87 milhões (R$ 448 milhões), além de diminuir em US$ 46 milhões a participação de minoritários nos resultados.
Desde que anunciou seu plano de redução de dívida, em dezembro de 2024, a MRV já vendeu aproximadamente US$ 380 milhões em ativos, o equivalente a cerca de R$ 2 bilhões.
O recado ao mercado é simples: caixa agora vale mais do que esperar uma valorização futura.
🌎 O sonho americano ficou mais caro
A justificativa da empresa também passa pelo cenário macroeconômico.
Os juros elevados nos Estados Unidos continuam pressionando o setor imobiliário local e reduzindo o apetite dos investidores.
Além disso, os dois empreendimentos ainda não haviam atingido a estabilização plena do NOI (Net Operating Income), indicador que mede a geração recorrente de renda dos ativos.
Traduzindo: os imóveis ainda não estavam entregando todo o potencial esperado quando a conta dos juros começou a pesar.
🚧 Ainda falta uma etapa
A limpeza do portfólio americano ainda não terminou.
Segundo a MRV, resta apenas o empreendimento Memorial, avaliado em US$ 109 milhões, entre os ativos legados da Resia que deverão ser vendidos.
Já os projetos Golden Glades e North City seguem em outra situação. A expectativa da companhia é gerar lucro contábil nessas futuras alienações.
🎯 A pergunta que fica
A venda com desconto pode parecer uma derrota à primeira vista.
Mas em um ambiente de juros altos e dívida pressionando o balanço, talvez o mercado esteja olhando para outra métrica: quanto vale recuperar liquidez hoje para voltar a crescer amanhã?
Fonte: Exame. Informações da MRV.





























