“O público não consegue comprar”: Setin explica por que parou de lançar imóveis de R$ 600 mil a R$ 800 mil

há 1 dia
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Bianca Setin, vice-presidente da Setin, explica o impasse que afasta incorporadoras do médio padrão: o comprador perdeu capacidade de pagamento enquanto os custos de produção continuam pressionando os preços.

“O público não consegue comprar, e eu não consigo produzir com um valor que ele conseguiria comprar.” A frase da vice-presidente da Setin, Bianca Setin, resume um dos maiores impasses do mercado imobiliário brasileiro.
Em debate no Secovi-SP, ela descreveu uma equação em que comprador e incorporadora ficam, literalmente, em lados opostos da mesma conta.
O meio do mercado está desaparecendo
Apartamentos entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões, que já representaram mais da metade das unidades comercializadas, hoje respondem por apenas 18,9% dos lançamentos e 24,1% das vendas nas capitais, segundo levantamento da Brain Inteligência Imobiliária, divulgado pelo Broadcast, do Grupo Estado.
O problema passa pelo crédito. Famílias com renda de R$ 10 mil a R$ 30 mil costumam financiar 70% a 80% do imóvel. Com juros elevados, a parcela cresce e a capacidade de compra encolhe.
Segundo a Abrainc, cada aumento de 1 ponto percentual nos juros pode retirar cerca de 1,3 milhão de pessoas da capacidade de financiamento. Para o presidente da entidade, Luiz França, as taxas tornaram a aquisição incompatível para muitas famílias.
E construir ficou mais caro
Materiais, mão de obra, serviços, terrenos e outorga pressionaram os custos. Ao mesmo tempo, o mercado econômico e o alto padrão ampliaram a disputa por terrenos.
Resultado: os preços dos imóveis subiram 16% nas principais capitais em 12 meses, segundo a Abecip.
A Setin, assim como Trisul, Tecnisa, Even, Mitre, Gafisa, Kallas e Moura Dubeux, reduziu a exposição ao médio padrão. A saída tem sido concentrar lançamentos no Minha Casa, Minha Vida e no alto padrão.
O governo tenta reabrir essa faixa
A criação da Faixa 4 do MCMV, com imóveis de até R$ 600 mil e renda familiar de até R$ 13 mil, foi uma tentativa de alcançar esse público. Mas juros de 10% ao ano ainda limitam a demanda.
As incorporadoras querem ampliar a faixa para R$ 1,2 milhão e renda de até R$ 21 mil, além de reduzir juros. Por enquanto, não há definição do governo.
No fim, a pergunta permanece: quem consegue construir o imóvel que o comprador ainda consegue pagar?
Fonte: Estadão Conteúdo, com informações do Estado de S. Paulo / Broadcast.





























