Plano&Plano: Itaú BBA vê alta de 130% nas ações; Morgan Stanley recomenda venda

há 2 dias
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Enquanto Morgan Stanley reduz PLPL3 para venda, Itaú BBA mantém recomendação de compra e aposta na recuperação de margens e execução da Plano&Plano.

Plano&Plano: Morgan Stanley vê risco. Itaú BBA enxerga uma ação que pode dobrar
Enquanto o Morgan Stanley rebaixou PLPL3 para venda e cortou o preço-alvo pela metade, o Itaú BBA manteve recomendação de compra e vê potencial de alta de 130%.
Afinal, quem está enxergando melhor o momento da construtora?
📉 Dois bancos, duas leituras e uma ação no meio do fogo cruzado
Para o Morgan Stanley, a história da Plano&Plano (PLPL3) piorou. Na última semana, o banco rebaixou a recomendação de compra para venda e reduziu o preço-alvo de R$ 17 para R$ 7,50 — um corte de aproximadamente 56%.
O Itaú BBA está olhando para o mesmo papel e chegou a uma conclusão bem diferente.
O banco reiterou outperform, equivalente à recomendação de compra, e manteve preço-alvo de R$ 15.
Considerando a cotação de R$ 6,51 usada pelo BBA, isso significa um potencial de valorização de 130,4% em 12 meses.
Dobraria de valor? Calma. É uma projeção, não uma promessa. Mas o tamanho da diferença entre as duas teses diz bastante sobre o momento da companhia.
👀 Rodrigo Luna e Eduardo Cerri deram ao BBA outra visão do negócio
A leitura otimista do Itaú BBA ganhou força depois de uma reunião com Rodrigo Luna, presidente do conselho de administração da Plano&Plano, e Eduardo Cerri, diretor de Relações com Investidores.
Para os analistas, a companhia pode estar excessivamente descontada na Bolsa caso consiga recuperar sua execução operacional.
E o mercado já aplicou um desconto pesado.
Nos últimos 12 meses, PLPL3 acumulava queda de 49,2%, enquanto o desempenho do Ibovespa foi muito superior — uma diferença de 60,4 pontos percentuais.
Hoje, segundo os cálculos do BBA, a Plano&Plano é negociada a apenas 2,8 vezes o lucro estimado para 2027.
Traduzindo: o mercado está cobrando pouco pela capacidade futura de geração de lucro da empresa.
A questão é descobrir se esse preço baixo é oportunidade ou simplesmente reflexo dos problemas que ainda precisam ser resolvidos.
💰 A margem é o primeiro teste
Um dos principais gatilhos para a tese do Itaú BBA é a recuperação da margem bruta.
A administração da Plano&Plano trabalha com uma melhora gradual em direção a 35%, especialmente à medida que os projetos mais recentes substituírem empreendimentos antigos.
O problema dos projetos antigos é conhecido: eles carregam descontos comerciais maiores e custos de construção mais elevados.
A lógica, portanto, é relativamente simples: trocar um estoque menos rentável por produtos concebidos dentro de uma realidade operacional mais favorável.
A companhia também está redesenhando projetos e ajustando sua estratégia comercial às práticas de concorrentes. A expectativa é melhorar a velocidade de vendas no médio prazo.
Mas vender mais rápido sem destruir margem será o verdadeiro teste.
🏙️ São Paulo ficou lotado de oferta
E aqui está uma das maiores dificuldades.
O mercado de habitação popular em São Paulo ficou muito mais competitivo.
Entre 2020 e 2023, os lançamentos anuais do Minha Casa, Minha Vida na capital giravam em torno de 30 mil unidades.
Nos 12 meses mais recentes, chegaram a aproximadamente 90 mil. Triplicou.
A expansão não veio apenas das empresas tradicionais do segmento. Incorporadoras de média renda e companhias de outras regiões também passaram a disputar esse mercado.
As faixas 3 e 4 concentram boa parte da oferta, mas a concorrência também aumentou na faixa 2.
Para a Plano&Plano, a consequência apareceu nos números.
A empresa lançou R$ 2,8 bilhões em projetos no segundo semestre de 2025, mas as vendas não acompanharam o ritmo esperado.
Os empreendimentos mais antigos ficaram especialmente difíceis de comercializar porque exigiam entradas maiores dos compradores.
A resposta foi controlar estoque e oferecer descontos.
Funcionou para acelerar vendas.
Só que, como quase sempre acontece quando se usa desconto para destravar estoque, a margem paga a conta.
🏗️ Menos pressa para lançar, mais atenção ao que já está na prateleira
Diante desse cenário, a Plano&Plano abandonou a previsão de adicionar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão ao volume de lançamentos.
Agora, a estratégia é mais conservadora: manter os lançamentos próximos do nível de 2025, mas concentrar esforços em projetos maiores e mais rentáveis.
É uma mudança importante de prioridade.
Em vez de simplesmente aumentar o VGV — Valor Geral de Vendas potencial dos empreendimentos — a companhia precisa provar que consegue transformar lançamento em venda, venda em margem e margem em caixa.
🌎 Goiânia entra no radar
Uma das alternativas para reduzir a dependência da disputa paulista é a expansão em Goiânia.
Segundo o Itaú BBA, o mercado é considerado menos competitivo do que São Paulo e pode oferecer uma oportunidade para a Plano&Plano ampliar sua operação.
A companhia também começa a perceber maior estabilidade nos custos de construção e espera alguma desaceleração nos próximos meses.
Se esse cenário se confirmar, cria-se uma combinação interessante para a tese do BBA: custos mais previsíveis + produtos novos + estratégia comercial ajustada + menor pressão competitiva em novos mercados.
Mas ainda falta a parte mais importante: execução.
🏦 E a Caixa? Outro risco no radar
Há ainda um fator externo que pode mudar essa equação: a postura da Caixa Econômica Federal na concessão de financiamento habitacional.
O Itaú BBA chama atenção para uma maior seletividade do banco público na aprovação dos créditos.
Até o momento, porém, os clientes da Plano&Plano não foram submetidos às novas entrevistas adotadas pela Caixa durante a análise de crédito.
Para uma incorporadora focada em habitação popular, isso importa muito.
Afinal, o comprador pode querer o imóvel, a incorporadora pode querer vender e o empreendimento pode estar pronto para avançar. Se o financiamento não sair, a venda simplesmente não acontece.
🤔 Então, Morgan Stanley ou Itaú BBA?
As duas instituições estão olhando para os mesmos desafios — mas atribuem pesos diferentes a eles.
O Morgan Stanley está dando mais importância aos riscos operacionais e competitivos.
O Itaú BBA, depois de conversar com Rodrigo Luna e Eduardo Cerri, aposta que parte desses problemas já está refletida no preço da ação e que uma recuperação da execução pode destravar valor.
Por isso, o caso da Plano&Plano não parece ser simplesmente uma discussão sobre “ação barata”.
A tese depende de uma sequência bastante objetiva: vender mais rápido → recuperar margens → reduzir estoques → gerar mais caixa.
Se essa engrenagem voltar a funcionar, os R$ 6,51 usados pelo BBA podem realmente parecer um preço muito baixo.
Se não funcionar, os R$ 15 podem continuar sendo apenas uma projeção bonita no relatório de um banco.
Fonte: Money Times, com informações e análise do Itaú BBA.





























