Construção cria 180 mil empregos em 2026 e infraestrutura puxa a fila
- Redação Liga News

- há 3 dias
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Setor abriu 12,7 mil vagas em julho e respondeu por 21,7% dos empregos formais criados no país; infraestrutura lidera avanço no ano.

Um em cada cinco empregos novos passou pela construção
Em julho, enquanto o Brasil abriu 58.568 vagas formais, a construção civil sozinha criou 12.691 postos de trabalho.
É um número que coloca o setor na segunda posição entre as atividades econômicas que mais contrataram no mês, atrás apenas de Serviços, responsável por 24.098 novas vagas.
Na prática, 21,67% de todos os empregos formais criados no Brasil em julho vieram da construção.
Os dados são do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, analisados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
E há outro número importante nessa fotografia: a construção chegou a 3,13 milhões de trabalhadores formais, estoque 2,92% maior que o registrado em julho de 2025.
Para Eduardo Aroeira, presidente da CBIC, o resultado mostra que a construção continua tendo um peso desproporcional na geração de renda.
“Responder por mais de 20% das novas vagas formais criadas no país em julho mostra a dimensão do nosso setor e sua capacidade de movimentar a economia”, afirma Aroeira.
Mas quem está contratando?
Aqui aparece uma mudança interessante dentro da própria construção.
Infraestrutura liderou a criação de empregos em julho, com 7.087 novas vagas. Depois vieram os Serviços Especializados para Construção, com 4.253 postos, e a Construção de Edifícios, com 1.351.
Ou seja: não é apenas o mercado imobiliário que está sustentando a contratação. Obras de infraestrutura estão assumindo papel cada vez mais relevante.
E isso fica ainda mais claro quando olhamos o acumulado do ano.
180 mil vagas em sete meses
De janeiro a julho, a construção criou 180.449 empregos formais, contra 177.483 no mesmo período de 2025.
O crescimento foi de 1,67%.
Mas o número agregado esconde uma diferença importante entre os segmentos.
A infraestrutura abriu 71.711 vagas nos primeiros sete meses do ano, contra 57.308 um ano antes.
É uma alta de 25,13%.
A Construção de Edifícios veio logo atrás, com 61.589 novos postos, enquanto os Serviços Especializados responderam por 47.149.
🚧 Infraestrutura virou o motor
Para Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC, o avanço da infraestrutura não acontece por acaso.
A expectativa de novos investimentos, concessões, parcerias público-privadas e projetos de saneamento está ajudando a colocar mais obras na rua — e, consequentemente, mais trabalhadores nos canteiros.
“Esse movimento está associado à perspectiva de investimentos recordes no segmento em 2026, impulsionados por novas concessões, parcerias público-privadas e investimentos em saneamento”, analisa Ieda.
O contraste com os edifícios também chama atenção.
A construção imobiliária continua contratando, mas em ritmo mais moderado, especialmente em um ambiente de juros elevados.
É o velho paradoxo do setor: o dinheiro está mais caro, mas as obras de infraestrutura continuam criando demanda por mão de obra.
💰 E o salário?
Tem mais um dado que merece atenção.
Em julho, o salário médio de admissão na construção foi de R$ 2.634,50.
Foi o maior entre as atividades econômicas e ficou 8,9% acima da média nacional, de R$ 2.419,23.
Isso muda um pouco a leitura sobre o mercado de trabalho do setor. A construção não está apenas contratando muito: também está entrando no mercado formal com uma remuneração inicial superior à média brasileira.
Para Aroeira, cada novo investimento tem efeito que vai além do canteiro.
“Cada novo investimento na construção gera oportunidades, mobiliza uma extensa cadeia produtiva e produz efeitos que chegam diretamente à vida das pessoas”, destaca o presidente da CBIC.
O que os números dizem sobre a economia?
O mercado de trabalho da construção está contando uma história diferente daquela sugerida apenas pelos juros altos.
Há demanda por mão de obra, há investimentos em infraestrutura e há 180 mil novos empregos no ano.
Mas o detalhe está no motor desse crescimento: infraestrutura avança em ritmo acelerado, enquanto a construção de edifícios segue positiva, porém mais pressionada pelo custo do crédito.
Para quem acompanha o setor, talvez esse seja o dado mais importante: em 2026, a construção não está crescendo de uma única forma. Está encontrando diferentes caminhos para continuar contratando.
Fonte: Agência CBIC, com dados do Novo Caged/MTE. Citações e análises de Eduardo Aroeira e Ieda Vasconcelos reproduzidas a partir da Agência CBIC.





























