Rafael Menin, da MRV: “Nosso segmento é um dos mais blindados ao cenário eleitoral”

31 de ago.
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Rafael Menin, co-CEO da MRV, diz que a habitação popular deve atravessar a eleição com resiliência e explica por que a companhia decidiu simplificar sua operação

MRV quer menos diversificação e mais foco no Minha Casa, Minha Vida 🏠
A MRV construiu sua escala apostando onde há uma necessidade que não desaparece com a eleição: a habitação popular.
Agora, depois de anos tentando diversificar os negócios, a maior construtora da América Latina nesse segmento está fazendo o movimento inverso.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Rafael Menin, co-CEO da MRV, deixa claro que a prioridade para os próximos anos é voltar ao básico: incorporação de baixa renda no Brasil.
E há uma razão para isso. Segundo Menin, a MRV participou de 8% a 10% dos lançamentos do Minha Casa, Minha Vida nos últimos 17 anos.
O programa, criado em 2009, virou uma espécie de infraestrutura permanente para o mercado de habitação popular — e a companhia quer continuar surfando essa escala.
🗳️ A eleição preocupa? Menin diz que não
A polarização política pode mudar o governo, mas, na avaliação do executivo, não deve mudar estruturalmente o mercado.
“Nosso segmento é um dos mais blindados ao cenário eleitoral.”
Menin argumenta que, apesar de o MCMV ter sido criado no governo Lula, os principais candidatos reconhecem a importância da habitação social.
Para a MRV, portanto, o programa não seria uma aposta em um governo específico, mas em uma demanda que atravessa ciclos políticos.
É uma leitura importante para quem acompanha a construtora: a companhia parece menos interessada em apostar no próximo governo e mais interessada em apostar na continuidade de uma política habitacional que já ganhou escala.
👷 O problema agora está no canteiro
Se a demanda não é o principal temor, a mão de obra é.
Menin reconhece que encontrar trabalhadores continua sendo um desafio — especialmente em mercados como São Paulo, onde a disputa por profissionais é maior.
O problema é estrutural: construção civil ainda exige esforço físico enquanto disputa trabalhadores com uma economia cada vez mais digitalizada e com os aplicativos.
A resposta da MRV? Industrializar mais.
A companhia pretende ampliar o uso de técnicas construtivas industrializadas, produtos padronizados e soluções pré-fabricadas.
Em outras palavras: se está ficando mais difícil encontrar gente para construir, a saída é fazer com que cada trabalhador consiga produzir mais.
E o sonho americano ficou para trás
A mudança de estratégia também aparece na saída da MRV do mercado de multifamily nos Estados Unidos.
Segundo Menin, dois fatores pesaram: juros americanos mais altos e excesso de oferta em determinados mercados, especialmente no Texas.
O resultado foi um ciclo de baixa rentabilidade entre 2021 e 2025/26.
A conclusão da companhia foi pragmática: diante do custo de capital no Brasil, fazia mais sentido simplificar a MRV e concentrar esforços no mercado tradicional de baixa renda brasileiro.
A porta dos EUA, porém, não é considerada fechada para sempre.
“O setor imobiliário é cíclico. Mas não será por meio da MRV Corp.”
💰 Menos negócios, menos dívida
A estratégia de simplificação também tem um objetivo financeiro.
A MRV projeta reduzir cerca de 30% da dívida líquida até o fim de 2026, apoiada pela venda de ativos da operação americana, de três empreendimentos da Luggo e pela geração de caixa da operação brasileira.
É um movimento que diz bastante sobre o momento da companhia: menos dispersão, mais capital no negócio principal e foco em geração de caixa.
Para uma empresa que passou os últimos anos tentando construir uma plataforma imobiliária mais diversificada, a mensagem de Menin é quase um retorno às origens.
A MRV não está abandonando a ambição. Está escolhendo onde quer jogar.
Fonte: Entrevista de Rafael Menin, co-CEO da MRV, à Folha de S.Paulo.





























