Tenda aprova recompra ações enquanto JP Morgan aponta cautela com vendas no 3T26

há 3 minutos
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Entre a recompra de ações e os desafios operacionais, Tenda administra crédito mais restritivo da Caixa e R$ 75 milhões em valores atrasados

Tenda recompra ações enquanto enfrenta pressão no crédito e no Pode Entrar
A Tenda (TEND3) aprovou um programa para recomprar até 5 milhões de ações nos próximos 12 meses.
A decisão vem em um momento em que a construtora também enfrenta maior atenção do mercado sobre vendas, crédito e recebíveis ligados ao programa habitacional Pode Entrar.
Aprovado pelo Conselho de Administração, o programa começa em 30 de setembro e poderá levar à recompra de até 5 milhões de papéis ordinários na B3, a preços de mercado.
A operação será intermediada por Itaú Corretora de Valores e Banco Bradesco.
Hoje, a Tenda tem 122,6 milhões de ações em circulação e nenhuma ação em tesouraria.
Segundo a companhia, a estratégia busca “maximizar a geração de valor para os acionistas por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital”.
💰 Mas por que recomprar ações agora?
A resposta passa também pela estrutura financeira.
A Tenda autorizou contratos de derivativos com liquidação exclusivamente financeira para proteger a companhia de oscilações no preço das ações relacionadas à remuneração baseada em papéis de executivos e funcionários.
A empresa afirma que as operações não devem comprometer suas obrigações, os dividendos obrigatórios ou sua capacidade financeira.
Enquanto isso, no negócio principal, surgiram alguns sinais de pressão.
🏠 O problema está no crédito e também no caixa a receber
A Tenda informou que tem R$ 52,7 milhões em pagamentos atrasados da Prefeitura de São Paulo referentes ao Pode Entrar. Com correção, juros e multas, o valor chega a quase R$ 75 milhões.
Ao mesmo tempo, mudanças recentes da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito podem reduzir a conversão de vendas, especialmente entre clientes com renda informal ou mista.
E isso importa bastante para uma incorporadora popular: vender é uma coisa; conseguir transformar a venda em financiamento é outra.
📉 O mercado já colocou o freio
No pregão de 29 de setembro, TEND3 caiu 4,17%, para R$ 27,33. O movimento ocorreu após a companhia detalhar impactos operacionais relacionados ao Pode Entrar e às novas condições de crédito da Caixa.
O JP Morgan avaliou que a Tenda adotou um “tom cauteloso” para o terceiro trimestre de 2026, citando justamente a maior rigidez na análise de crédito e os atrasos do programa paulistano.
Segundo o banco, a velocidade de vendas entre julho e setembro pode sofrer impacto porque os critérios da Caixa ainda não haviam retornado aos níveis observados em junho.
A equação, portanto, tem duas frentes: a Tenda tenta otimizar sua estrutura de capital enquanto administra um ambiente operacional mais apertado.
E, no mercado imobiliário de baixa renda, crédito aprovado, recebível no caixa e velocidade de vendas precisam andar praticamente no mesmo ritmo.
Fonte: InfoMoney, com informações divulgadas pela Tenda e análise do JP Morgan.





























