Falta de mão de obra está transformando o canteiro em uma linha de montagem

há 6 horas
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Gustavo Garrido, presidente da Asbea-SP, estima que soluções industrializadas já representem 40% das construções em andamento na cidade e podem reduzir drasticamente o tempo e a mão de obra das obras

A construção civil quer trocar o canteiro pelo chão de fábrica 🏗️
Erguer um prédio em São Paulo está ficando menos parecido com um trabalho artesanal e mais próximo de uma linha de montagem.
Drywall, estruturas pré-fabricadas, steel frame e banheiros semiprontos ganham espaço enquanto as construtoras lidam com um problema cada vez mais concreto: falta de gente para tocar as obras.
Segundo Gustavo Garrido, presidente da Asbea-SP, a proporção atual ainda é de cerca de 60% de soluções tradicionais contra 40% industrializadas nos prédios em construção na cidade. Mas a direção da curva é clara.
“Há falta de mão de obra em todos os níveis e as construtoras estão procurando técnicas de montagem mais secas e limpas”, afirma Garrido, em entrevista a Folha de S. Paulo.
O projeto demora mais. A obra, muito menos.
Eis o paradoxo: a construção industrializada pode exigir um planejamento 20% a 30% mais longo. Em compensação, segundo Garrido, a execução pode terminar em pelo menos um terço do tempo do sistema tradicional.
A lógica é simples: fabricar mais coisas antes de chegar ao canteiro. Janelas e portas chegam pré-montadas. Banheiros podem ser produzidos como módulos. Pilares, vigas e lajes são preparados fora da obra.
Menos improviso no canteiro. Mais planejamento antes dele.
O pedreiro está sendo substituído?
Não exatamente. O perfil da mão de obra está mudando. Para Garrido, um edifício de 24 andares que exigiria entre 100 e 200 pessoas pelo método tradicional pode precisar de apenas um terço desse contingente com tecnologias industrializadas.
Isso significa menos trabalhadores no canteiro e mais profissionais especializados em planejamento, montagem e controle.
E existe uma pressão adicional: a construção enfrenta escassez desde pedreiros e mestres de obras até gerentes e profissionais de arquitetura. Para completar, as novas gerações demonstram menor interesse pelo trabalho pesado, exposto a calor e condições adversas.
O custo ainda segura a revolução 💰
Se é mais rápido e usa menos gente, por que não industrializar tudo?
Porque a conta não fecha tão facilmente. O método ainda pode ser mais caro, exige projetos mais longos e enfrenta resistência de consumidores (especialmente ao drywall — além da crítica à padronização).
Mas Garrido aponta uma mudança de percepção: a construção industrializada é mais leve, gera menos resíduos e pode melhorar o desempenho térmico e acústico.
A terceira onda da industrialização, portanto, não é só sobre trocar tijolo por drywall.
É sobre tirar trabalho do canteiro, colocar planejamento dentro da fábrica e responder a uma pergunta que o setor já não consegue adiar: quem vai construir a próxima geração de prédios?
A Asbea realiza, entre os dias 31 de setembro e 1º de outubro, das 9h às 18h, no Distrito Anhembi, a 2ª edição de seu seminário anual, cujo tema é a sustentabilidade.
Fonte: Folha de S. Paulo, com entrevista de Gustavo Garrido, presidente da Asbea-SP.





























