top of page

O mercado imobiliário descobriu seu próximo ciclo: quem não quer envelhecer

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • 30 de jun.
  • 3 min de leitura

Com mais de 54 milhões de brasileiros acima dos 50 anos, incorporadoras aceleram projetos voltados à longevidade. Especialistas afirmam que o déficit pode superar 1,2 milhão de moradias e enxergam um dos maiores ciclos de crescimento do setor.


São Paulo vira o maior canteiro de obras do Brasil com 317 mil apartamentos em construção. Foto: Danilo Verpa/Folhapress.

Por décadas, o mercado imobiliário brasileiro foi desenhado para famílias com crianças.


Agora, uma mudança silenciosa — e inevitável — começa a redesenhar plantas, condomínios e estratégias das incorporadoras.


O novo cliente tem 50, 60 ou 70 anos. Continua ativo, trabalha, viaja, pratica esportes e quer permanecer independente pelo maior tempo possível.


E isso está criando uma nova fronteira para o setor: o senior living. 📈


O idoso mudou. O mercado ainda está entendendo isso.


Esqueça a imagem tradicional de moradias voltadas apenas para pessoas dependentes.


Segundo Luciano Zuffo, sócio-fundador do Grupo São Pietro Hospitais e Clínicas, a realidade mudou completamente.


"Quando montamos a operação, os estudos indicavam que cerca de 80% dos moradores seriam acamados. Hoje, 75% dos nossos moradores são totalmente independentes, ativos e autônomos", afirmou ao jornal Folha de S.Paulo.


Ou seja: o mercado percebeu que não está construindo para quem precisa de cuidados intensivos, mas para quem quer continuar vivendo como sempre viveu.


E isso muda tudo.


🏗️ Não basta colocar barras no banheiro


Projetar para longevidade não significa adaptar um apartamento convencional.

Para Norton Mello, engenheiro civil e especialista em longevidade, esse talvez seja o maior equívoco do setor.


"O sucesso não está em oferecer mais cuidados, mas em permitir que a pessoa precise de menos cuidados durante mais tempo", explicou à Folha de S.Paulo.


Na prática, entram em cena pisos vinílicos, ambientes integrados, sensores de queda, áreas de convivência, espaços para estimulação cognitiva, hortas elevadas, academias e até quadras de beach tennis.


O condomínio deixa de vender apenas metragem.


Passa a vender qualidade de vida.


📊 A demografia virou argumento de investimento


Enquanto alguns segmentos dependem dos ciclos de juros, crédito e renda, este mercado responde a outra variável: a idade da população.


Hoje, cerca de 54 milhões de brasileiros têm mais de 50 anos e movimentam aproximadamente R$ 1,8 trilhão por ano.


Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Caio Calfat Real Estate Consulting, 37% dos entrevistados afirmam ter interesse em morar ou investir em empreendimentos voltados ao público maduro.


Mais do que uma tendência, parece um mercado em formação.


💰 Há demanda. Falta produto.


O paradoxo é evidente.


Segundo Norton Mello, apenas entre 1% e 4% dos brasileiros conseguem hoje migrar para empreendimentos desenvolvidos especificamente para longevidade.


Mesmo assim, ele estima um déficit entre 600 mil e 1,2 milhão de moradias voltadas a esse público no país. Somente a Região Metropolitana de São Paulo concentraria uma demanda reprimida superior a 250 mil unidades, segundo declarou à Folha de S.Paulo.


Ou seja, existe mercado.


O desafio é torná-lo acessível.


🌎 Lá fora isso já deixou de ser nicho


Enquanto o Brasil ainda mistura conceitos entre moradia, assistência e saúde, países como Suécia, Dinamarca, Noruega, Estados Unidos e Canadá já tratam o senior living como um segmento consolidado.


Para Daline Moura Hällbom, CEO da Söderhem, o público brasileiro quer algo diferente.


"O Brasil tem uma população ativa, saudável, com sede de viver e que está cansada de ser tratada ou como adolescente ou como idoso", afirmou à Folha de S.Paulo.


Talvez esse seja o principal recado para o mercado imobiliário.


Não se trata de construir para quem envelheceu.


Mas para quem continua vivendo.


🚀 O próximo grande ciclo pode não estar no CEP. Está na pirâmide etária.


Durante anos, o setor alternou apostas entre Minha Casa, Minha Vida, médio padrão e alto padrão.


Agora surge uma demanda que não depende apenas do crédito imobiliário.

Depende de uma transformação demográfica irreversível.


Como resume Norton Mello, o bolso do incorporador começa a perceber aquilo que a demografia já anunciou há muito tempo: o mercado tradicional tem limites. Já o senior living ainda está apenas começando.



Crédito: Reportagem baseada em informações publicadas pela Folha de S.Paulo, com entrevistas de Luciano Zuffo (Grupo São Pietro Hospitais e Clínicas), Norton Mello, Milton Bigucci Junior (MBigucci) e Daline Moura Hällbom (Söderhem).

 
 
Logo do LigaNews

Construa seu dia com o que realmente impacta a construção civil. 

© Construliga 2025. Todos os direitos reservados. Termos de Uso.

  • Whatsapp
  • Instagram
  • Facebook
  • LinkedIn
  • Threads

Notícias da LigaNews no seu email

Inscrito(a)

bottom of page