Em meio à escassez de terrenos, incorporadoras associam luxo a quadra de tênis e exclusividade
- Redação Liga News

- 25 de fev.
- 3 min de leitura
Com 27% dos empreendimentos de luxo já incluindo quadra de tênis, incorporadoras ampliam terrenos e reposicionam seus produtos

Sete lançamentos com quadra de tênis em 2020. Vinte e cinco em 2025. Coincidência? Ou o mercado descobriu que, no alto padrão, o jogo agora é outro?
Dados da Brain Inteligência Estratégica mostram que o número de novos empreendimentos com quadra de tênis na capital paulista saltou de 7 para 25 em cinco anos.
E mais: o item já está presente em 27% dos lançamentos de luxo e superluxo desde 2020.
Sim, quase 1 em cada 3.
O que antes era diferencial virou argumento central de venda. E, em alguns casos, pré-requisito.
🌍 O mundo está jogando (e São Paulo quer acompanhar)
Segundo a International Tennis Federation, mais de 106 milhões de pessoas praticam tênis regularmente no mundo. É um avanço de 22% em relação a 2021. Só na América do Sul, são 8,8 milhões de jogadores.
Ou seja: não é modismo de bairro. É movimento global. Mas há um detalhe interessante aqui. 👇
O esporte cresce.
As quadras, não.
Mesmo sócios de clubes relatam dificuldade para conseguir horário. A escassez virou ativo. E ativo raro… agrega valor.
🏗️ Terrenos maiores, prédios mais seletivos
A Trisul decidiu que seus empreendimentos de alto padrão teriam quadra de tênis como regra (não exceção). Resultado? Só compra terrenos acima de 2.600 m². Antes, 1.600 m² bastavam.
Moema. Pinheiros. Vila Mariana. O luxo agora precisa de escala. De metragem generosa. De planejamento estratégico.
Porque, como resume o diretor comercial da companhia:Se o comprador pratica tênis e pode pagar, ele simplesmente não considera um prédio sem quadra. Simples assim.
🏙️ Grandes terrenos, poucos moradores e 648 m² de saibro
Entregue no Brooklin em janeiro, o Arkadio EZ by Ott Brooklin, da Eztec, destinou 648 m² do terreno para uma quadra oficial de saibro.
Num terreno de 4.942 m².
Apartamentos de 105 m² a 180 m². Público exigente. Poucas unidades. Alta exclusividade.
O recado?Não é só sobre metragem privativa. É sobre experiência coletiva (e exclusiva).
Desde 2021, a Eztec lançou ao menos sete projetos com quadra, alguns em parceria com a Lindenberg.
Aliás, a Lindenberg foi além: no Lindenberg Moema, colocou uma quadra oficial na cobertura das áreas comuns. Quando falta espaço no chão, o luxo sobe.
💰 A quadra aumenta o preço do m²?
Executivos evitam cravar. Mas admitem algo talvez ainda mais estratégico: a quadra amplia o universo de interessados e melhora a liquidez do produto.
No mercado imobiliário, liquidez é sinônimo de segurança de investimento.
A Mitre Realty reforça que a quadra fortalece o posicionamento aspiracional do empreendimento, desde que faça sentido dentro da viabilidade financeira e da proposta de público.
Porque convenhamos: uma quadra oficial exige área relevante, alto custo de implantação e manutenção constante.
Não é para amadores. Nem para terrenos apertados.
🧘♂️ O novo luxo: saúde, rotina e longevidade
Durante décadas, luxo foi sinônimo de mármore importado e pé-direito duplo. Agora, é bem-estar, tempo de qualidade e vida ativa.
Corretores relatam que a quadra ajuda no “sim” durante a visita. Num mercado com produtos parecidos, ela funciona como fator de desempate.
E acelera a decisão.
E a pandemia foi catalisadora desse movimento.
Atividade ao ar livre.
Saúde dentro de casa.
Segurança sem abrir mão da vida social.
O condomínio deixou de ser apenas prédio.
Virou “resort urbano” completo.
🏙️ Mas… e a cidade?
Nem todo mundo comemora. Para urbanistas, a proliferação de condomínios-clube pode reforçar bolhas urbanas.
Se o morador treina, encontra amigos e passa o fim de semana dentro do próprio complexo, ele interage menos com o entorno.
A quadra de tênis vira símbolo de algo maior: o condomínio como cidade paralela.
E aqui vai a provocação: estamos falando de evolução do morar…ou de isolamento premium?











