Silvio Zarzur, da Eztec, muda a estratégia: “Tenho mais confiança” na Grande SP
- Redação Liga News

- há 1 dia
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Com lançamentos em Osasco e São Caetano, a Eztec busca compradores fora da capital enquanto enfrenta pressão de juros, estoque e distratos

Eztec muda o mapa: por que a Grande SP virou a aposta da incorporadora
A Eztec está mudando o lugar onde procura crescimento. E, desta vez, a resposta não está exatamente na capital.
A incorporadora, uma das mais expostas ao mercado de média renda, vem aumentando sua presença nos municípios da Região Metropolitana de São Paulo em busca de algo que ficou mais difícil de encontrar na capital: liquidez.
A estratégia ganha importância porque a empresa enfrenta justamente os sintomas de um mercado mais pressionado pelos juros: aumento dos distratos, queda da velocidade de vendas e um estoque pronto elevado.
Ou seja: não é simplesmente uma expansão geográfica. É uma tentativa de encontrar um mercado onde o produto consiga girar mais rápido.
🏙️ “Tenho mais confiança” — e isso diz bastante
Todos os lançamentos da Eztec no segundo trimestre foram realizados fora da cidade de São Paulo.
A companhia não pretende abandonar a capital — seu landbank continua fortemente concentrado ali —, mas a Grande São Paulo deve ganhar participação no VGV lançado.
E o CEO Silvio Zarzur foi direto ao explicar a mudança.
“Eu tenho mais confiança na liquidez daquilo que temos na região metropolitana do que no mercado geral de São Paulo, pois há mais estabilidade.”
A declaração foi feita por Zarzur durante uma call com analistas e publicada originalmente pelo Metro Quadrado.
A palavra importante aqui é liquidez.
Porque, em um mercado de juros altos, não basta encontrar terreno, aprovar projeto e lançar. É preciso saber se haverá comprador — e, principalmente, em quanto tempo ele aparecerá.
📍 O comprador está se afastando da capital?
Para Zarzur, existe uma mudança estrutural ajudando a sustentar essa tese: a dinâmica demográfica.
Segundo o CEO, os municípios da Grande São Paulo estão crescendo mais do que a capital.
E existe uma equação bastante prática por trás disso: mais apartamento por menos dinheiro + custo de vida menor.
“Lá o cara compra um apartamento maior e mais barato e o custo de vida para contratar qualquer serviço é menor. Isso estabelece uma migração permanente vinda de São Paulo”, afirmou.
É uma diferença importante.
Em vez de tentar disputar apenas o comprador que quer permanecer dentro dos limites da capital, a Eztec está mirando também quem aceita atravessar a fronteira municipal para conseguir um imóvel mais compatível com o orçamento.
🎯 A fronteira virou endereço estratégico
A estratégia aparece claramente nos terrenos escolhidos.
A Eztec vem priorizando áreas próximas das divisas entre a capital e outros municípios, tentando capturar demanda dos dois lados.
Em Osasco, por exemplo, a companhia lançou no segundo trimestre um empreendimento localizado a cerca de 20 minutos do Parque Villa-Lobos.
Em São Caetano do Sul, onde já foram realizados três lançamentos neste ano, os terrenos estão posicionados nas bordas do município para também alcançar compradores de São Bernardo do Campo e Santo André.
Não é simplesmente vender fora de São Paulo.
É vender perto o suficiente de São Paulo para continuar sendo uma alternativa ao mercado da capital.
💰 R$ 928 milhões colocados à prova
Os quatro projetos lançados fora da capital somaram R$ 928 milhões em VGV.
E os primeiros números ajudam a explicar por que a estratégia ganhou força.
O empreendimento lançado no primeiro trimestre alcançou 61,6% de vendas. Os outros três registraram, em média, 43,6%.
Não é uma fotografia definitiva da estratégia — os projetos ainda estão em comercialização —, mas já existe um sinal que interessa diretamente ao incorporador: absorção.
Enquanto isso, a Eztec também abriu outra frente de ataque.
🧲 Se o comprador não vem, a incorporadora tenta buscá-lo
Desde o início do ano, a empresa vem adotando uma postura mais agressiva nas vendas.
IPTU grátis. Seis meses de condomínio. Até milhas para potenciais compradores.
Pode parecer promoção de varejo. Mas, em um mercado de média renda pressionado pela prestação, qualquer redução no custo inicial pode mudar a decisão de compra.
E os números mostram que a estratégia comercial teve algum efeito: as vendas da Eztec chegaram a R$ 577,6 milhões no segundo trimestre, alta de 18,2% sobre o mesmo período de 2025.
Só que há um detalhe importante.
⚠️ Vender mais não significa necessariamente ganhar mais
Enquanto as vendas cresceram, a receita líquida caiu 16,1%, para R$ 376,7 milhões.
O lucro líquido também recuou: 21,1%, para R$ 110,4 milhões.
É aqui que a história fica mais interessante.
A Eztec está vendendo mais, mas ainda enfrenta um ambiente em que margem, estoque e custo financeiro importam tanto quanto velocidade comercial.
Por isso, a aposta na Grande SP não deve ser lida apenas como uma expansão territorial.
É uma tentativa de encontrar produtos, terrenos e compradores mais compatíveis com a realidade financeira da classe média.
E talvez essa seja a principal questão para acompanhar daqui para frente: se a Grande São Paulo realmente entregar a liquidez esperada por Silvio Zarzur, a fronteira entre capital e região metropolitana pode deixar de ser geográfica — e passar a ser uma das principais variáveis estratégicas da incorporação.
Fonte: Metro Quadrado. Declarações de Silvio Zarzur e informações originalmente publicadas pelo veículo.





























