Minha Casa, Minha Vida: o risco de calote que preocupa as incorporadoras

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O pró-soluto amplia o acesso à casa própria, mas transfere às incorporadoras parte do risco de inadimplência

🏠 O Minha Casa, Minha Vida bate recordes. O problema é que vender o apartamento não significa receber por ele.
No 2º trimestre de 2026, o programa respondeu por 58% dos lançamentos e 51% das vendas de imóveis novos, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Para sustentar esse mercado, incorporadoras estão financiando diretamente parte da compra — e assumindo um risco crescente de inadimplência.
💳 O pró-soluto ajuda a vender. E pode virar uma armadilha?
O modelo permite parcelar com a incorporadora a entrada que o financiamento bancário não cobre, geralmente entre 20% e 30% do imóvel.
O problema é que esse saldo não tem garantia real: o apartamento já está vinculado ao banco que financiou a maior parte da compra.
Segundo a Liquid, a inadimplência do pró-soluto pode ser de cinco a dez vezes maior que a do financiamento imobiliário tradicional.
Zoom out: o risco cresce especialmente no período pós-chaves, quando o comprador já mora no imóvel, mas continua pagando a entrada à incorporadora.
Escala: o pró-soluto movimenta entre R$ 8 bilhões e R$ 15 bilhões por ano no MCMV, estima a Liquid.
Famílias pressionadas: consumidores com renda de um a dois salários mínimos terminaram 2025 com 90,5% da renda comprometida, segundo estudo da Equifax BoaVista.
Alerta do setor: Arlen Soler Marques, gerente do Bradesco, chamou o modelo de “calcanhar de Aquiles” para incorporadoras que aceleram as vendas.
📉 A conta já muda a estratégia das empresas
Na Tenda, a resposta foi reduzir a concessão de pró-soluto e direcionar cerca de 55% dos lançamentos para as Faixas 3 e 4 do programa, buscando compradores com renda maior e melhor perfil de crédito.
Para Clausens Duarte, vice-presidente da CBIC, o problema pode comprometer o crescimento de toda a cadeia produtiva.
🔎 Tecnologia para separar risco de oportunidade
Equifax BoaVista e Liquid desenvolveram um score específico para avaliar operações de pró-soluto. Nos testes com cerca de 500 mil contratos, a ferramenta teve desempenho 26% superior ao modelo genérico, segundo as empresas.
A questão para o mercado: como ampliar o acesso à casa própria sem transformar incorporadoras em bancos — e sem acumular recebíveis que talvez não sejam pagos?
Fonte: Folha de S.Paulo, com dados e declarações da CBIC, Liquid, Equifax BoaVista, Bradesco e análises do BTG Pactual.





























