Construção perde 25,8% de produtividade e enfrenta um problema que vai além da mão de obra

há 10 horas
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Levantamento do Deconcic/Fiesp mostra perda de produtividade, envelhecimento da mão de obra e alta rotatividade; Newton Cavalieri e Renato Corona defendem modernização do setor.

🏗️ A construção civil brasileira está produzindo menos e contratar mais gente, por si só, não resolve a conta.
Entre 2016 e 2023, a produtividade do setor caiu 25,8%, segundo estudo do Deconcic, departamento da Fiesp.
🌎 Zoom out: como o Brasil se compara?
Em 2023, cada trabalhador da construção gerou, em média, por ano:
Brasil: US$ 19 mil
Chile: US$ 27 mil
Estados Unidos: US$ 84 mil
Dinamarca: US$ 100 mil
A diferença envolve qualificação, gestão, tecnologia e métodos construtivos.
🔎 Para explicar: o que precisa mudar?
Para Newton Cavalieri, diretor titular do Deconcic, a recuperação depende de três frentes: qualificação profissional, gestão baseada em dados e industrialização dos processos.
Renato Corona, superintendente de Competitividade Industrial e Inovação da Fiesp, reforça que as empresas não podem esperar uma melhora econômica para começar a transformação.
👷 O canteiro está perdendo trabalhadores
A mão de obra também envelhece e fica mais difícil de reter. A participação dos profissionais de 18 a 29 anos caiu de 33,4% em 2010 para 22,2% em 2024.
Enquanto isso, a rotatividade chegou a 63% entre junho de 2024 e maio de 2025, a maior entre os setores do mercado formal, segundo o estudo.
Há concorrência até com os aplicativos: em 2024, o rendimento mensal médio citado no levantamento foi de R$ 2.996 para trabalhadores de plataformas, contra R$ 2.786 na construção. Flexibilidade também pesa nessa escolha.
⚙️ A saída pode estar em construir de outro jeito
Pré-fabricação, construção modular, mecanização e ferramentas digitais como o BIM ajudam a transferir etapas do canteiro para ambientes controlados.
Referências internacionais reunidas no estudo indicam que métodos industrializados podem reduzir 60% a 80% das horas de trabalho no canteiro, dependendo da solução adotada.
💡 Por que importa? Menos produtividade e dificuldade para contratar pressionam custos, prazos e capacidade de execução.
Para o setor, modernizar deixou de ser apenas uma aposta tecnológica: é parte da resposta ao desafio de construir mais com recursos limitados.
Fonte: Valor Econômico, com dados do estudo “Mãos à Obra: Emprego e Produtividade na Construção”, elaborado pelo Deconcic/Fiesp.





























