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Imóveis na planta ficaram 10% mais caros. As construtoras respiram e a classe média faz as contas

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • 3 de jul.
  • 3 min de leitura

Estudo do Ecossistema Sienge, Grupo OLX, CV CRM e Nomad mostra que lançamentos subiram 10,06% em 12 meses, acima do INCC; com crédito caro, o desafio se concentra na classe média.


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Imóveis na planta ficaram 10% mais caros. As construtoras respiram — mas a classe média aguenta?


A conta da construção civil começou a fechar melhor para as incorporadoras. Para quem compra, porém, ela está ficando mais pesada.


Nos últimos 12 meses, os preços dos lançamentos imobiliários subiram 10,06%, acima dos 6,17% acumulados pelo INCC no mesmo período. Em outras palavras: o setor conseguiu repassar parte da pressão dos custos para o preço final dos imóveis novos. A margem ganhou oxigênio. O comprador, nem tanto. 🏗️


Os dados fazem parte do Radar da Construção, estudo elaborado por Sienge, Grupo OLX, CV CRM e Nomad, citado pelo InfoMoney.


A inflação da obra não cabe em uma média


O INCC ajuda a medir o termômetro geral, mas não explica sozinho onde a obra aperta. Enquanto o índice avançou pouco mais de 6%, alguns materiais correram bem mais rápido.

O fio de cobre acumulou alta de 30,72% em 12 meses.


O cimento subiu 14,96%. Já aço e argamassa tiveram quedas de 0,63% e 2,30%, respectivamente. A mão de obra, por sua vez, avançou perto de 9%.


É por isso que Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge, faz um alerta: tratar custo de obra como uma inflação média pode ser uma armadilha.

“O custo não pode ser tratado como inflação média, mas sim como risco específico variável, a depender do insumo, da região, da etapa da obra e do momento da compra”, afirmou Gabriela Torres ao InfoMoney.

Traduzindo: não adianta olhar para o INCC e achar que a obra está sob controle se o cobre resolveu virar protagonista. E ele resolveu.


O Rio acelera. São Paulo pisa no freio


A valorização dos lançamentos também não foi igual para todos. O Rio de Janeiro liderou o levantamento do Índice de Lançamentos Imobiliário (ILI) DataZAP, com alta de 68,51% em 12 meses e preço médio de R$ 19.445 por m².


Fortaleza veio logo atrás, com valorização de 52,73%, seguida por Florianópolis, com 26,13%. Em São Paulo, os preços dos lançamentos ficaram praticamente estáveis no período.


O retrato mostra que o repasse existe, mas depende de uma combinação delicada: demanda local, produto, estágio da obra e, claro, até onde o bolso do comprador consegue ir.


A demanda está olhando. Comprar é outra conversa 👀


Há interesse no mercado, mas a decisão ainda parece distante para boa parte dos consumidores. Segundo o Anuário DataZAP, 82% dos interessados estão em fase de descoberta ou busca ativa. Apenas 11% chegaram à negociação e 6% estão próximos de concluir a compra.


O dado mais incômodo para os lançamentos: 91% dos consumidores consideram imóveis usados, enquanto somente 16% avaliam unidades na planta.


A mensagem para incorporadoras é direta. O lançamento não pode mais se apoiar apenas na promessa de valorização futura. Precisa justificar, no presente, por que custa mais do que o imóvel pronto ao lado — seja por localização, projeto, tecnologia ou experiência.


A construtora conseguiu repassar. A classe média ficou com a conta.


O setor econômico continua protegido por programas habitacionais e crédito subsidiado.


O alto padrão, por sua vez, depende menos de financiamento. No meio do caminho está a classe média: mais exposta à Selic elevada, ao crédito caro e ao salto dos preços dos imóveis novos.


É justamente nesse segmento que o repasse vira um teste de resistência. As construtoras respiram porque conseguiram aumentar preços acima dos custos médios.


Mas, se o crédito não aliviar, a pergunta passa a ser menos sobre margem e mais sobre absorção.


Porque imóvel na planta pode até estar mais caro. O desafio é descobrir quantos compradores ainda conseguem entrar na planta.



Fonte: reportagem de Maria Luiza Dourado para o InfoMoney.

 
 
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