Enquanto Cyrela, Eztec e Setin correm para o MCMV, a classe média fica sem imóvel
- Redação Liga News

- há 5 horas
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Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain, afirma que o segmento vive seu pior momento em 20 anos, enquanto incorporadoras concentram investimentos no Minha Casa Minha Vida e no alto padrão.

🏢 O mercado vende como nunca. A classe média, como raramente.
São Paulo vendeu mais de 150 mil apartamentos nos últimos 12 meses. Os números impressionam. O setor comemora. Incorporadoras lançam. Investidores aplaudem.
Mas existe um detalhe desconfortável escondido sob os recordes.
A classe média está desaparecendo dos lançamentos.
Segundo dados da Brain Inteligência Estratégica divulgados pelo Estadão, apenas 12,7% dos apartamentos lançados na capital paulista no último trimestre foram destinados ao público de renda média. Em 2021, essa participação era de 32,8%.
"É o pior momento para o médio padrão em 20 anos", afirmou Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain, em entrevista ao Estadão.
📉 Nem pobre, nem rico: o limbo imobiliário
Enquanto o Minha Casa Minha Vida ganhou musculatura com subsídios e novas faixas de financiamento, e o alto padrão continua encontrando compradores com maior capacidade financeira, a classe média ficou espremida no meio.
Juros elevados, crédito mais caro e perda de poder de compra criaram uma equação difícil de fechar.
"As famílias da classe média estão com suas rendas mais baixas. Elas perderam poder de compra", afirmou Cyro Neufel, diretor de Relações com Investidores da Lopes, ao Estadão.
O resultado? Incorporadoras migraram para onde existe mais demanda e melhores margens.
Vivaz (Cyrela), Mundo Apto (Setin), FitCasa (Eztec). O mercado inteiro parece ter encontrado um novo endereço: o segmento econômico.
🚨 O mercado cresce... mas para quem?
Os números ajudam a entender a mudança.
Hoje, 62,6% dos apartamentos vendidos em São Paulo estão enquadrados no Minha Casa Minha Vida. Em outras palavras: seis em cada dez unidades comercializadas dependem do programa habitacional.
Ao mesmo tempo, o estoque de imóveis destinados à classe média representa apenas 6,9% da oferta disponível na cidade.
E quando aparecem, vendem devagar.
O tempo médio de escoamento dessas unidades já chega a 16 meses — mais lento até do que o segmento de alto padrão.
🏙️ Sai a compra, entra o aluguel
Sem opções compatíveis com sua renda e sem acesso aos benefícios do MCMV, parte da classe média encontrou outro caminho: o aluguel.
Não por escolha.
Por necessidade.
Segundo dados da PNAD Contínua citados pelo Estadão, o número de imóveis alugados no Brasil cresceu cerca de 55% entre 2016 e 2025.
O sonho da casa própria continua existindo.
O problema é que, para uma parcela crescente da população, ele está ficando cada vez mais distante.
🔄 É tendência ou apenas um ciclo?
Para Luiz França, presidente da Abrainc, o cenário não representa uma mudança estrutural e faz parte dos ciclos naturais do mercado.
Já Fábio Araújo, da Brain, vê um sinal claro de alerta.
A questão agora é simples:
Se o mercado imobiliário continua vendendo em ritmo recorde, quem vai construir para a classe média quando ela voltar a comprar?
Fonte: Estadão. Entrevistas com Fábio Tadeu Araújo (Brain), Cyro Neufel (Lopes), Roberto Guido (Trinus), Alberto Ajzental (FGV) e Luiz França (Abrainc).











