“Enquanto não diminuir o estoque, não vamos lançar”, diz CEO da Eztec

há 7 minutos
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Com R$ 1,1 bilhão em imóveis prontos, CEO Silvio Ernesto Zarzur afirma que incorporadora só retomará novos lançamentos após reduzir estoque e aposta em descontos para recuperar velocidade de vendas

A Eztec chegou ao limite de estoque que considera aceitável. Com R$ 3,5 bilhões em imóveis disponíveis, alta de 31% em um ano, a incorporadora pretende priorizar as vendas antes de colocar novos projetos no mercado.
Em teleconferência com analistas, o CEO Silvio Ernesto Zarzur foi direto: “Enquanto não diminuir o estoque, não vamos lançar”. A exceção é o Town Residences by Lindenberg, já preparado para chegar ao mercado.
🏢 O problema não é só vender. É transformar estoque em caixa.
Dos R$ 3,5 bilhões em unidades disponíveis, R$ 1,1 bilhão corresponde a imóveis prontos e entregues. Para acelerar essa saída, a empresa combina descontos e financiamento direto ao comprador.
No terceiro trimestre:
R$ 142 milhões em estoque pronto foram vendidos, alta de 40% sobre o trimestre anterior;
40% das vendas foram financiadas pela própria Eztec;
A carteira de alienação fiduciária já soma R$ 801 milhões.
O diretor financeiro e de RI, Emílio Fugazza, confirmou que a estratégia de financiamento próprio será mantida. A companhia também pretende continuar concedendo descontos, mesmo que isso reduza suas margens.
📉 Juros altos apertam o público da incorporadora
Zarzur afirma que o cliente da Eztec está especialmente exposto ao custo do crédito imobiliário: não é o comprador de altíssima renda, nem o público do Minha Casa, Minha Vida.
Com financiamentos mais caros, a velocidade de vendas caiu. A relação entre vendas e oferta bruta recuou de 16,4% para 13% em um ano.
O reflexo aparece também nos lançamentos: a Eztec deve ficar na faixa inferior de sua projeção anual, de R$ 2,5 bilhões a R$ 3,5 bilhões em VGV. Até setembro, já havia lançado R$ 2,4 bilhões.
Zoom out: vender virou prioridade, mesmo com margem menor
Os resultados do trimestre mostram a pressão sobre o negócio:
Lucro líquido: R$ 85,4 milhões, queda de 53,4%;
Receita líquida: R$ 346,4 milhões, recuo de 26,2%;
Margem bruta: 33,7%, baixa de 11 pontos percentuais;
Caixa: consumo de R$ 54,2 milhões.
A estratégia deixa uma mensagem clara: em um mercado de crédito caro, manter imóveis prontos parados também tem custo. Para a Eztec, o desafio agora é recuperar liquidez sem comprometer ainda mais a rentabilidade.
Informações, entrevistas e declarações: Valor Econômico.





























