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Incorporadoras vão da euforia ao tombo: o que os juros dizem sobre o futuro do setor na Bolsa

Foto do escritor: Redação Liga News
Redação Liga News
há 10 minutos
2 min de leitura

BTG Pactual alerta para a pressão dos juros longos, enquanto o histórico mostra como o cenário fiscal pode mudar o desempenho do setor.


Cyrela e MRV desabam na Bolsa após eleição e alta dos juros futuros

📉 O mercado não vendeu só ações. Reprecificou os juros.


Levantamento do BTG Pactual com dados da Economatica mostra que, desde antes do primeiro turno, MRV acumulava alta de 46,2%, Lavvi, de 38,1%, Eztec, de 33,2%, e Trisul, de 30,8%.


A reversão tem uma explicação: incorporadoras dependem de financiamento e trabalham com projetos cujo retorno leva anos para se concretizar.


Juros longos mais altos encarecem o crédito, elevam o custo de capital e reduzem o valor presente dos empreendimentos.



  • Juro real de longo prazo: 6,7%, com possibilidade de superar 8%, segundo o banco.

  • Selic no fim de 2027: projeção de 12% no Boletim Focus.

  • Condição para aliviar a pressão: sinais de disciplina fiscal e uma equipe econômica considerada crível.


🔎 Zoom out: o histórico não é animador


Após a eleição de Lula, em 2022, o Índice Imobiliário (IMOB) caiu 13,11% no primeiro mês. Levou um ano para voltar ao campo positivo, fechando o período com alta de 1,33%.


Em 2018, após a eleição de Jair Bolsonaro, o cenário foi oposto: o IMOB avançou 59,01% em 12 meses, acompanhado pela queda das expectativas para os juros.


A diferença entre os episódios? A trajetória esperada da política monetária e fiscal.


🏠 Nem o Minha Casa, Minha Vida blindou o setor


As quedas atingiram empresas de diferentes segmentos. A Cyrela, focada em média e alta renda, caiu mais que a Tenda, voltada à baixa renda.


Já a MRV, também exposta ao MCMV, recuou em ritmo próximo ao da Cyrela.


Para o BTG, balanços mais sólidos podem fazer diferença: a Cury aparece entre as empresas menos alavancadas sob cobertura do banco, com caixa líquido projetado para 2026 e 2027.


O recado para investidores: além das vendas e dos lançamentos, será preciso acompanhar juros, política fiscal e endividamento. No setor imobiliário, o custo do dinheiro pode pesar tanto quanto o desempenho operacional.


Fonte: Exame, com levantamento do BTG Pactual e dados da Economatica; projeções do Boletim Focus, do Banco Central.

 
 
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