“Não é só a taxa de juros”: CBIC alerta para incerteza fiscal na construção

há 6 minutos
2 min de leitura
Para Eduardo Aroeira Almeida, presidente da CBIC, falta de previsibilidade fiscal pesa mais que a Selic elevada

Para a construção civil, o problema não é apenas o custo do dinheiro. É não saber quanto ele vai custar daqui a alguns anos.
A incerteza sobre o quarto mandato de Lula preocupa empresários mais do que o atual patamar da Selic, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
“É importante ter uma política fiscal responsável de longo prazo para que a taxa de juros se comporte de uma maneira mais previsível. A imprevisibilidade é muito mais danosa ao empresário”, afirmou Eduardo Aroeira Almeida, presidente da entidade.
📉 O mercado financia obras por décadas. Não dá para planejar no escuro.
A preocupação com a política econômica pressiona os juros futuros, que têm peso importante no crédito imobiliário de longo prazo.
O reflexo já chegou aos compradores: Bradesco e Itaú elevaram as taxas de financiamento. No Itaú, a taxa mínima passou de 11,99% para 12,95% ao ano.
O efeito: crédito mais caro reduz o poder de compra e pode dificultar novos negócios.
O que pode mudar: sinais de ajuste fiscal e maior previsibilidade poderiam aliviar os juros futuros e abrir espaço para cortes da Selic.
A pressão não é apenas uma percepção.
Pesquisa da CNI com a CBIC mostra que quatro em cada dez empresários apontaram os juros elevados como principal problema no terceiro trimestre. É o segundo maior nível da série histórica.
🧾 E ainda tem a reforma tributária na porta
Outra preocupação é a implementação da reforma tributária, prevista para começar no próximo ano. A CBIC afirma que ainda faltam definições para adaptar os sistemas das empresas.
Um exemplo é a emissão de notas fiscais na venda de apartamentos, que passará a ser obrigatória.
Em empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida com mil unidades, emitir notas manualmente seria inviável, argumenta Almeida.
A entidade defende a informatização do processo e pediu o adiamento da implementação.
Zoom out: a construção precisa de crédito, mas também de previsibilidade regulatória e fiscal. Sem regras claras e perspectiva de juros, fica mais difícil planejar obras, lançamentos e investimentos de longo prazo.
Fonte: Metro Quadrado. Declarações de Eduardo Aroeira Almeida, presidente da CBIC.





























