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O novo gargalo da construção não está no concreto. Está no elevador.

Foto do escritor: Redação Liga News
Redação Liga News
22 de jul.
2 min de leitura

A escassez de técnicos especializados levou incorporadoras a anteciparem encomendas de elevadores em até 18 meses, enquanto condomínios enfrentam filas para manutenção e modernização dos equipamentos.


O novo gargalo da construção não está no concreto. Está no elevador.

Quando uma incorporadora lança um empreendimento hoje, um dos primeiros contratos assinados pode ser o do... elevador.


Parece exagero? Não é. Em São Paulo, incorporadoras já antecipam pedidos até 18 meses antes da entrega da obra para evitar atrasos na instalação. O equipamento deixou de ser um detalhe do cronograma e passou a ser um risco para a entrega das chaves.


📈 O problema não é fabricar. É instalar.


O boom imobiliário criou uma pressão inédita sobre toda a cadeia de elevadores. Cada novo edifício amplia a demanda por instalação, manutenção e modernização — enquanto milhões de equipamentos antigos continuam exigindo assistência.


O gargalo? Mão de obra especializada.


Segundo a Abrainc, a antecipação das encomendas virou estratégia para reduzir riscos de atraso nas obras.


👷 Falta técnico. E formar um leva tempo


A instalação de elevadores exige profissionais altamente qualificados, treinamento contínuo e certificações específicas.



"Cada prédio novo amplia a demanda por instalação, manutenção e modernização, enquanto os edifícios antigos continuam precisando de assistência. O mercado não consegue formar profissionais especializados na mesma velocidade", afirma Vander Ferreira, presidente da ANSíndicos.

🤖 Tecnologia ajuda. Mas não resolve


Fabricantes como TK Elevator ampliaram programas de capacitação em parceria com o Senai e investem em manutenção preditiva com inteligência artificial para antecipar falhas.

Mesmo assim, os prazos aumentaram.


  • Atlas Schindler: entre 7 e 14 meses do pedido à instalação.

  • TK Elevator: de 10 a 12 meses, acima dos 8 a 10 meses registrados há poucos anos.


Além da escassez de profissionais, a cadeia ainda sente reflexos das rupturas globais de suprimentos desde a pandemia.


🏗️ O apagão vai além dos elevadores


Para Dionyzio Klavdianos, vice-presidente de Inovação da CBIC, o problema faz parte de uma deficiência estrutural da construção.


"Enfrentamos uma carência de mão de obra, não apenas na indústria de elevadores, mas também de pedreiros, carpinteiros, armadores e diversas outras ocupações. É preciso acelerar a industrialização da construção."

🏢 Quando o elevador para, o prédio também


O impacto já chega aos condomínios. Segundo Vander Ferreira, um edifício de 25 andares ficou praticamente sem elevadores após dois equipamentos apresentarem falhas em sequência.


Enquanto aguardavam peças, moradores idosos precisaram deixar temporariamente seus apartamentos e se hospedar em hotéis.


A situação tende a se repetir com maior frequência. Muitos elevadores antigos dependem de componentes que já saíram de linha, obrigando a substituição completa de sistemas.


Segundo Eduardo Caram, head de Novas Instalações e Modernização da TK Elevator para a América Latina, equipamentos mais antigos podem exigir peças fabricadas sob encomenda, aumentando significativamente o tempo de reparo.


🎯 No fim das contas, o maior gargalo já não é erguer o prédio. É garantir que ele funcione quando ficar pronto.


Fonte: Folha de S.Paulo, com entrevistas de Vander Ferreira (ANSíndicos), Dionyzio Klavdianos (CBIC), Eduardo Caram (TK Elevator), Sergio Wriedt (Atlas Schindler) e informações da Abrainc.

 
 
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