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A construção entrou em modo cautela. O pessimismo voltou ao setor

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    Redação Liga News
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

Pesquisa da CNI e da CBIC mostra que empresários da construção reduziram a confiança, diminuíram a intenção de investir e passaram a projetar queda na atividade, empregos e novos empreendimentos pela primeira vez desde 2020.


A construção entrou em modo cautela. O pessimismo voltou ao setor

Depois de meses sustentado por programas habitacionais e demanda aquecida, o humor da construção civil começou a mudar.


Os empresários seguem vendendo, mas o caixa aperta, o crédito continua caro e as expectativas para os próximos meses entraram, oficialmente, no vermelho.


A nova Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela CNI em parceria com a CBIC, mostra um setor que ainda resiste, mas já reduz investimentos e revisa planos. 📉


🏦 Juros altos continuam mandando no jogo


Não houve surpresa no ranking das maiores preocupações. Os juros elevados seguem como o principal obstáculo para 36,2% das empresas, percentual superior ao registrado no trimestre anterior.


Na sequência aparecem a carga tributária (33,6%), o alto custo ou falta de mão de obra não qualificada (28,9%), a escassez de trabalhadores qualificados (28,6%) e a demanda interna insuficiente (17,3%).


Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a pressão vai muito além da Selic.

"O setor tem sido bastante pressionado não só pelas taxas de juros, que encarecem as dívidas das empresas, mas também por uma elevação consistente dos custos, tanto da mão de obra qualificada e não qualificada como dos insumos e matérias-primas, problema que se agravou com a guerra no Oriente Médio", afirma o economista.

💰 Crédito melhora... mas continua difícil


Os indicadores financeiros até mostraram pequenas melhoras, mas insuficientes para mudar a percepção dos empresários.


O índice de satisfação com a situação financeira subiu para 45,2 pontos, enquanto o indicador de acesso ao crédito avançou para 39,3 pontos. Ambos permanecem abaixo dos 50 pontos, linha que separa satisfação de insatisfação.


O mesmo acontece com o lucro operacional, que alcançou 41,7 pontos.


Em outras palavras: houve melhora técnica, mas a sensação predominante ainda é de aperto financeiro.


🧱 Custos seguem altos. Só não aceleram como antes


Há uma boa notícia relativa.


O índice que mede a evolução dos preços de insumos caiu para 66,2 pontos, indicando que os custos continuam aumentando, porém em ritmo menos intenso que no início do ano.


Isso não significa alívio. Significa apenas que a pressão perdeu velocidade.


📉 O sinal mais preocupante veio das expectativas


O dado que mais chama atenção da pesquisa não está no presente. Está no futuro.


Pela primeira vez desde abril de 2020, no início da pandemia, todos os indicadores de expectativa cruzaram simultaneamente para abaixo dos 50 pontos.


Os empresários passaram a projetar redução de:


  • nível de atividade;

  • geração de empregos;

  • novos empreendimentos;

  • compra de insumos.


Não é apenas cautela.

É uma mudança clara de humor do setor.


🚧 Investimento entra em compasso de espera


Com menos confiança, as empresas também reduziram a intenção de investir.


O indicador caiu de 43,7 para 42,4 pontos, enquanto o ICEI da Construção recuou para 45,6 pontos, reforçando o aumento do pessimismo.


A atividade também perdeu ritmo em junho. O indicador de produção caiu para 47,2 pontos, e o de emprego recuou para 47,9.


A única estabilidade veio da Utilização da Capacidade Instalada (UCI), mantida em 67%, acima do nível observado no início do ano.


🎯 O mercado desacelera ou apenas respira?


A pesquisa da CNI e da CBIC sugere que o setor ainda não entrou em retração, mas passou a operar com muito mais cautela.


Enquanto juros elevados, crédito restrito e custos pressionados permanecem no radar, empresas reduzem investimentos e revisam expectativas.


O recado da sondagem é claro: a construção continua trabalhando, mas o entusiasmo que marcou os últimos trimestres ficou para trás.


Fonte: Agência de Notícias da Indústria. Dados da Sondagem Indústria da Construção (CNI/CBIC). Entrevista com Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

 
 
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