Elevador para delivery? Benx transforma hábito de consumo em diferencial imobiliário
- Redação Liga News

- há 1 dia
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A aposta mostra como mudanças de comportamento começam a influenciar o próprio desenho dos edifícios e criam novos diferenciais competitivos no mercado imobiliário.

Durante anos, o delivery foi tratado como um serviço acessório. Hoje, ele já influencia decisões de engenharia, circulação interna e até o desenho dos empreendimentos de altíssimo padrão.
A Benx Incorporadora decidiu incorporar elevadores exclusivos para entregas em seus novos projetos, uma solução que leva refeições, medicamentos e pequenas encomendas diretamente ao hall de serviço dos apartamentos.
O investimento? Cerca de R$ 400 mil por torre — um valor considerado pequeno diante de empreendimentos com VGV próximo de R$ 1 bilhão.
Mais do que um novo equipamento, o movimento revela como mudanças de comportamento estão redefinindo a arquitetura residencial. 🏗️
🏢 Quando o comportamento do morador muda, o projeto muda junto
O primeiro empreendimento da Benx a receber o sistema será o Art Boulevard 280. Na sequência, a incorporadora pretende implementar a solução também nos projetos Arbórea Jardins e Arbórea Ibirapuera.
Segundo Marcos Lancha, gerente de Incorporação da Benx, a decisão não atende a uma tendência passageira.
"É uma mudança de comportamento que veio para ficar", afirmou o executivo em entrevista à Exame.
A expectativa da empresa é que o elevador exclusivo para delivery passe a ser uma característica permanente em todos os futuros empreendimentos de altíssimo padrão da incorporadora.
🚚 O problema nunca foi o delivery. Era o congestionamento.
A ideia nasceu durante a pandemia.
Com o aumento exponencial das entregas, os elevadores de serviço passaram a disputar espaço entre moradores, funcionários, prestadores de serviço e entregadores.
O resultado era perda de eficiência, filas, menor privacidade e impactos na experiência dos condôminos.
A leitura da Benx foi simples: se o fluxo de entregas virou permanente, ele precisava de uma infraestrutura própria.
Segundo Marcos Lancha, os moradores buscavam exatamente isso: mais segurança, privacidade e conveniência, sem precisar descer até a portaria sempre que uma encomenda chegasse.
⚙️ Primeiro veio a ideia. Depois a indústria precisou correr atrás.
Curiosamente, quando o projeto começou a ser desenhado, a solução simplesmente não existia.
Mesmo assim, a Benx tomou uma decisão pouco comum: reservou espaço nos projetos arquitetônicos para um elevador exclusivo, apostando que a indústria desenvolveria a tecnologia necessária.
E foi exatamente o que aconteceu.
Entre 2021 e 2022, fabricantes passaram a adaptar equipamentos de carga para atender essa nova demanda.
A Zenit, tradicional fabricante de plataformas de acessibilidade e elevadores residenciais, desenvolveu um equipamento compacto — um "mini elevador" de aproximadamente 60 x 60 centímetros, capaz de atender edifícios com até 30 andares e transportar cargas entre 50 e 60 quilos.
Até então, não havia uma solução padronizada para esse tipo de operação.
💰 Um investimento pequeno diante do valor agregado
Cada elevador custa aproximadamente R$ 400 mil por torre.
Na prática, representa menos da metade do valor de um elevador social convencional e uma fração mínima do orçamento de empreendimentos avaliados em cerca de R$ 1 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV).
Na operação cotidiana, o processo também é simples:
o porteiro recebe a encomenda;
coloca o pacote no elevador;
o equipamento leva a carga diretamente ao hall de serviço do apartamento.
Sem circulação de entregadores pelas áreas comuns e com menor interferência na rotina dos moradores.
🧠 A arquitetura começa a seguir novos hábitos
O aspecto mais interessante dessa história talvez nem seja o elevador em si.
É perceber como hábitos digitais estão moldando espaços físicos.
Antes, a arquitetura respondia principalmente à localização, ao terreno e ao padrão construtivo.
Agora, passa a incorporar comportamentos como delivery, compras online, logística urbana e privacidade como elementos centrais do projeto.
O que parecia apenas uma conveniência virou requisito de projeto.
E esse costuma ser o caminho das grandes transformações no mercado imobiliário.
Hoje a novidade está restrita ao altíssimo padrão.
A pergunta é: quanto tempo levará para essa solução chegar aos empreendimentos de médio padrão?
Fonte: Exame. Com base em entrevistas concedidas por Marcos Lancha, gerente de Incorporação da Benx Incorporadora.





























