Tenda desiste do maior projeto habitacional da reconstrução no RS. O que aconteceu?
- Redação Liga News
- há 1 dia
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Após reestruturar a operação da Alea, a Tenda desistiu de construir 1,5 mil moradias em Canoas, empreendimento de R$ 300 milhões que seria o maior projeto do Minha Casa Minha Vida Reconstrução para vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

Era para ser um símbolo da reconstrução pós-enchentes no Rio Grande do Sul. Acabou se tornando um retrato dos desafios da industrialização da construção.
A Tenda desistiu de construir 1,5 mil casas em Canoas (RS), empreendimento que seria o maior projeto do Minha Casa, Minha Vida – Reconstrução, criado para atender famílias afetadas pelas enchentes de 2024.
O contrato foi encerrado unilateralmente pela companhia antes mesmo do início das obras.
O problema não foi a demanda. Foi a execução.
O empreendimento previa cerca de R$ 300 milhões em investimentos públicos, com financiamento da Caixa Econômica Federal, utilizando o sistema construtivo em madeira industrializada da Alea, braço da Tenda voltado à construção off-site.
Na prática, porém, a estratégia esbarrou em limitações operacionais.
A Alea passou por uma ampla reestruturação após enfrentar estouros de custos, dificuldades para administrar diversos canteiros simultaneamente e problemas de execução.
A resposta foi reduzir lançamentos, concentrar a atuação em menos regiões e substituir empreiteiros por equipes próprias.
Industrializar é o futuro da construção. Fazer isso com escala continua sendo um desafio. ⚙️
A Tenda recuou... mas segue crescendo
Em nota ao Estadão, a Tenda afirmou que a decisão ocorreu após uma "reavaliação das condições técnicas e econômico-financeiras" do projeto e reforçou que continuará atuando no Rio Grande do Sul por meio da marca Tenda e de projetos vinculados ao Minha Casa, Minha Vida e ao programa estadual Porta de Entrada.
Curiosamente, o revés acontece justamente quando a companhia vive um dos melhores momentos financeiros de sua história.
Em 2025, a Tenda registrou lucro líquido recorde de R$ 506 milhões, alta de 375% sobre 2024. No mesmo período, suas ações acumularam valorização de 45%, impulsionadas pelo crescimento das vendas, dos lançamentos e pelo ganho de escala.
E as famílias de Canoas?
Segundo o Ministério das Cidades, a desistência da Tenda não comprometeu o atendimento às famílias.
O governo informou que 3,2 mil moradias estão sendo destinadas ao município: 1,5 mil unidades via Minha Casa, Minha Vida (em contratação ou construção) e outras 1,6 mil por meio da modalidade Compra Assistida. Caso seja necessário, novas unidades poderão ser autorizadas.
A reconstrução continua. O modelo construtivo, porém, precisará ser revisto.
Informações, declarações e entrevistas: O Estado de S. Paulo, com notas da Tenda e do Ministério das Cidades. Foto: Escritório de Comunicação - Ecom.

























