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Even, Mitre e Helbor recuam. Cyrela segue acelerando. Até quando?

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    Redação Liga News
  • há 3 minutos
  • 4 min de leitura

Levantamento do Valor Econômico mostra queda nas vendas e nos lançamentos das incorporadoras


Even, Mitre e Helbor recuam. Cyrela segue acelerando. Até quando?

📉 O mercado imobiliário perdeu velocidade. E nem as gigantes escaparam.


As prévias operacionais do segundo trimestre confirmaram um cenário que o mercado já esperava. Mas o resultado veio ainda pior.


Lançamentos desaceleraram, vendas recuaram, estoques cresceram e a velocidade de comercialização perdeu força tanto no médio e alto padrão quanto no Minha Casa, Minha Vida (MCMV).


Para Ygor Altero, analista-chefe do setor imobiliário da XP, o ambiente macroeconômico continua pesando mais do que o previsto.


"Esperávamos dados operacionais difíceis, por causa desse momento macro que estamos vivendo, e acabou sendo pior", afirmou o analista ao Valor Econômico.

A mensagem é clara: em um mercado pressionado por juros elevados, incerteza política e custos ainda imprevisíveis, o foco das incorporadoras começa a mudar.


🏗️ O problema já não é lançar. É vender.


Levantamento do Valor Econômico com nove incorporadoras listadas na bolsa mostra que, no segundo trimestre:


  • os lançamentos caíram 2,3% na comparação anual;

  • as vendas recuaram 5,1%;

  • a velocidade de vendas (VSO) diminuiu na maioria das empresas;

  • enquanto isso, os estoques cresceram entre 17% e 22% nas companhias que divulgaram o indicador.


O semestre ainda apresenta números relativamente estáveis, mas a fotografia do trimestre mostra uma desaceleração mais evidente.


E isso começa a alterar a estratégia das incorporadoras.


💰 Juros altos mudaram o comportamento do comprador


Segundo Ygor Altero, o mercado de média e alta renda enfrenta hoje um problema clássico de sobreoferta.


Quem poderia comprar continua aguardando.


Não necessariamente por falta de renda, mas porque os juros elevados aumentam o custo do financiamento e reduzem o apetite para assumir uma dívida de longo prazo.


Além disso, a proximidade do ciclo eleitoral adiciona uma camada extra de cautela nas decisões de compra.


Resultado? O consumidor posterga a assinatura do contrato.


E, diante desse cenário, faz sentido que as incorporadoras também reduzam o ritmo dos lançamentos.


📊 Nem todo mundo sofreu igual


Apesar do cenário mais fraco, algumas empresas conseguiram se destacar.


A Cyrela foi considerada o principal destaque positivo pela XP.


Mesmo apresentando desaceleração no VSO, a companhia conseguiu manter vendas consideradas saudáveis graças à sua escala operacional e maior facilidade para acessar financiamento de obras.


"O grande porte da empresa permite continuar lançando enquanto concorrentes menores reduzem o ritmo", observa Altero.


Outro destaque foi a Trisul.


Além de superar expectativas em lançamentos e vendas, a incorporadora recebeu avaliações positivas da XP e do BTG Pactual, principalmente pelo aumento da exposição ao Minha Casa, Minha Vida, segmento que continua oferecendo melhores oportunidades de crescimento.


🚦 Algumas empresas simplesmente pisaram no freio


Enquanto algumas companhias seguiram lançando, outras optaram por esperar.


A Even passou o primeiro trimestre inteiro sem novos projetos e viu sua velocidade de vendas despencar.


A Helbor também ficou sem lançamentos no segundo trimestre.


Já a Mitre ainda não realizou nenhum lançamento em 2026.


Na leitura do mercado, não se trata apenas de cautela.


Em muitos casos, é uma estratégia deliberada de preservação de caixa diante de um ambiente menos favorável.


🏘️ Nem o Minha Casa, Minha Vida escapou


O segmento econômico continua sendo o mais resiliente do mercado, mas também começa a mostrar sinais de desaceleração.


Os lançamentos praticamente ficaram estáveis no trimestre, enquanto as vendas ainda cresceram — porém em ritmo mais moderado.


Segundo Altero, isso era esperado.


Nos últimos anos, empresas como Cury, Plano&Plano e outras expandiram seus lançamentos de forma muito acelerada.


Agora, chega o momento de consolidar esse crescimento.


"Chega um momento em que a prioridade da companhia tem que ser a execução das obras", explica.


A Cury, por exemplo, multiplicou seu VGV lançado de R$ 2,5 bilhões em 2021 para R$ 7,5 bilhões em 2025. Neste ano, reduziu os lançamentos para concentrar esforços na entrega dos empreendimentos.


Já a Plano&Plano segue estratégia semelhante.


Na direção oposta aparece a Tenda, que, após recuperar parte das perdas provocadas pela pandemia, acelerou novamente suas operações e elevou os lançamentos em 59% no primeiro semestre.


👷 O novo gargalo continua sendo a execução


Outro fator começa a ganhar peso na estratégia das incorporadoras: a falta de mão de obra.


O setor enfrenta dificuldades para contratar profissionais qualificados, o que já provoca atrasos em obras e aumenta a preocupação com a capacidade de entrega.


Por isso, muitas empresas preferem reduzir o número de novos lançamentos para garantir a execução dos projetos já vendidos.


A lógica mudou.


Mais importante do que vender novos empreendimentos é conseguir entregar os antigos no prazo.


⚠️ Custos continuam no radar


Outro ponto citado por Altero é a preocupação das empresas com uma possível alta dos custos da construção.


Antes mesmo de saber o impacto da guerra no Oriente Médio sobre petróleo, transporte e matérias-primas, muitas incorporadoras reajustaram preços preventivamente para proteger margens.


A estratégia preservou rentabilidade.

Mas teve um efeito colateral.

A velocidade de vendas diminuiu.


"O mercado esperava que elas conseguissem colocar preço e manter margem sem afetar as vendas. Isso não aconteceu", resume o analista.


📌 O recado das prévias


As prévias operacionais mostram que o mercado imobiliário não entrou em crise.


Mas também indicam que o ciclo de crescimento acelerado perdeu força.

Empresas mais capitalizadas continuam avançando.


As menores se tornam mais seletivas.


E, cada vez mais, o diferencial competitivo deixa de ser apenas lançar novos empreendimentos.


Passa a ser executar bem, preservar caixa e atravessar um ambiente de juros elevados sem comprometer margens.



Fonte: Valor Econômico. Com base em entrevistas concedidas por Ygor Altero, analista-chefe do setor imobiliário da XP, e análises do mercado sobre as prévias operacionais das incorporadoras.

 
 
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