Even, Mitre e Helbor recuam. Cyrela segue acelerando. Até quando?
- Redação Liga News
- há 3 minutos
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Levantamento do Valor Econômico mostra queda nas vendas e nos lançamentos das incorporadoras

📉 O mercado imobiliário perdeu velocidade. E nem as gigantes escaparam.
As prévias operacionais do segundo trimestre confirmaram um cenário que o mercado já esperava. Mas o resultado veio ainda pior.
Lançamentos desaceleraram, vendas recuaram, estoques cresceram e a velocidade de comercialização perdeu força tanto no médio e alto padrão quanto no Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Para Ygor Altero, analista-chefe do setor imobiliário da XP, o ambiente macroeconômico continua pesando mais do que o previsto.
"Esperávamos dados operacionais difíceis, por causa desse momento macro que estamos vivendo, e acabou sendo pior", afirmou o analista ao Valor Econômico.
A mensagem é clara: em um mercado pressionado por juros elevados, incerteza política e custos ainda imprevisíveis, o foco das incorporadoras começa a mudar.
🏗️ O problema já não é lançar. É vender.
Levantamento do Valor Econômico com nove incorporadoras listadas na bolsa mostra que, no segundo trimestre:
os lançamentos caíram 2,3% na comparação anual;
as vendas recuaram 5,1%;
a velocidade de vendas (VSO) diminuiu na maioria das empresas;
enquanto isso, os estoques cresceram entre 17% e 22% nas companhias que divulgaram o indicador.
O semestre ainda apresenta números relativamente estáveis, mas a fotografia do trimestre mostra uma desaceleração mais evidente.
E isso começa a alterar a estratégia das incorporadoras.
💰 Juros altos mudaram o comportamento do comprador
Segundo Ygor Altero, o mercado de média e alta renda enfrenta hoje um problema clássico de sobreoferta.
Quem poderia comprar continua aguardando.
Não necessariamente por falta de renda, mas porque os juros elevados aumentam o custo do financiamento e reduzem o apetite para assumir uma dívida de longo prazo.
Além disso, a proximidade do ciclo eleitoral adiciona uma camada extra de cautela nas decisões de compra.
Resultado? O consumidor posterga a assinatura do contrato.
E, diante desse cenário, faz sentido que as incorporadoras também reduzam o ritmo dos lançamentos.
📊 Nem todo mundo sofreu igual
Apesar do cenário mais fraco, algumas empresas conseguiram se destacar.
A Cyrela foi considerada o principal destaque positivo pela XP.
Mesmo apresentando desaceleração no VSO, a companhia conseguiu manter vendas consideradas saudáveis graças à sua escala operacional e maior facilidade para acessar financiamento de obras.
"O grande porte da empresa permite continuar lançando enquanto concorrentes menores reduzem o ritmo", observa Altero.
Outro destaque foi a Trisul.
Além de superar expectativas em lançamentos e vendas, a incorporadora recebeu avaliações positivas da XP e do BTG Pactual, principalmente pelo aumento da exposição ao Minha Casa, Minha Vida, segmento que continua oferecendo melhores oportunidades de crescimento.
🚦 Algumas empresas simplesmente pisaram no freio
Enquanto algumas companhias seguiram lançando, outras optaram por esperar.
A Even passou o primeiro trimestre inteiro sem novos projetos e viu sua velocidade de vendas despencar.
A Helbor também ficou sem lançamentos no segundo trimestre.
Já a Mitre ainda não realizou nenhum lançamento em 2026.
Na leitura do mercado, não se trata apenas de cautela.
Em muitos casos, é uma estratégia deliberada de preservação de caixa diante de um ambiente menos favorável.
🏘️ Nem o Minha Casa, Minha Vida escapou
O segmento econômico continua sendo o mais resiliente do mercado, mas também começa a mostrar sinais de desaceleração.
Os lançamentos praticamente ficaram estáveis no trimestre, enquanto as vendas ainda cresceram — porém em ritmo mais moderado.
Segundo Altero, isso era esperado.
Nos últimos anos, empresas como Cury, Plano&Plano e outras expandiram seus lançamentos de forma muito acelerada.
Agora, chega o momento de consolidar esse crescimento.
"Chega um momento em que a prioridade da companhia tem que ser a execução das obras", explica.
A Cury, por exemplo, multiplicou seu VGV lançado de R$ 2,5 bilhões em 2021 para R$ 7,5 bilhões em 2025. Neste ano, reduziu os lançamentos para concentrar esforços na entrega dos empreendimentos.
Já a Plano&Plano segue estratégia semelhante.
Na direção oposta aparece a Tenda, que, após recuperar parte das perdas provocadas pela pandemia, acelerou novamente suas operações e elevou os lançamentos em 59% no primeiro semestre.
👷 O novo gargalo continua sendo a execução
Outro fator começa a ganhar peso na estratégia das incorporadoras: a falta de mão de obra.
O setor enfrenta dificuldades para contratar profissionais qualificados, o que já provoca atrasos em obras e aumenta a preocupação com a capacidade de entrega.
Por isso, muitas empresas preferem reduzir o número de novos lançamentos para garantir a execução dos projetos já vendidos.
A lógica mudou.
Mais importante do que vender novos empreendimentos é conseguir entregar os antigos no prazo.
⚠️ Custos continuam no radar
Outro ponto citado por Altero é a preocupação das empresas com uma possível alta dos custos da construção.
Antes mesmo de saber o impacto da guerra no Oriente Médio sobre petróleo, transporte e matérias-primas, muitas incorporadoras reajustaram preços preventivamente para proteger margens.
A estratégia preservou rentabilidade.
Mas teve um efeito colateral.
A velocidade de vendas diminuiu.
"O mercado esperava que elas conseguissem colocar preço e manter margem sem afetar as vendas. Isso não aconteceu", resume o analista.
📌 O recado das prévias
As prévias operacionais mostram que o mercado imobiliário não entrou em crise.
Mas também indicam que o ciclo de crescimento acelerado perdeu força.
Empresas mais capitalizadas continuam avançando.
As menores se tornam mais seletivas.
E, cada vez mais, o diferencial competitivo deixa de ser apenas lançar novos empreendimentos.
Passa a ser executar bem, preservar caixa e atravessar um ambiente de juros elevados sem comprometer margens.
Fonte: Valor Econômico. Com base em entrevistas concedidas por Ygor Altero, analista-chefe do setor imobiliário da XP, e análises do mercado sobre as prévias operacionais das incorporadoras.

























