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O Brasil virou exceção: enquanto o custo da construção acelera no mundo, aqui a inflação desacelera. Entenda

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    Redação Liga News
  • há 2 minutos
  • 3 min de leitura

Estudo da Turner & Townsend mostra que a inflação da construção deve acelerar globalmente em 2026, enquanto Brasil segue trajetória oposta.


O Brasil virou exceção: enquanto o custo da construção acelera no mundo, aqui a inflação desacelera. Entenda

🌎 O mundo paga mais para construir. O Brasil, por enquanto, vai na contramão.


Enquanto boa parte do planeta continua enfrentando uma escalada nos custos da construção, Brasil e América do Sul caminham em direção oposta.


Um estudo global da Turner & Townsend, que analisou 112 cidades em 44 países, mostra que a inflação do setor deve acelerar no mundo em 2026, mas desacelerar nas principais cidades brasileiras.


A boa notícia, porém, vem acompanhada de um alerta: o cenário global mudou.


A pressão deixou de vir apenas das cadeias de suprimentos e passou a ser impulsionada pela disputa por mão de obra qualificada e pela explosão de investimentos em infraestrutura tecnológica, especialmente data centers.


📉 Brasil desacelera enquanto o mundo acelera


Segundo o levantamento, a inflação global dos custos da construção deve subir de 4,2% para 4,5% em 2026.


No Brasil, o movimento é inverso.


Depois de registrarem inflação de 5,6% em 2025, São Paulo e Rio de Janeiro devem encerrar este ano com alta de apenas 2,7%, menos da metade do registrado anteriormente.


A tendência também aparece na América do Sul, cuja inflação deve cair de 5,9% para 3,7% neste ano.


Ou seja: em um cenário internacional ainda pressionado, o mercado brasileiro ganha um respiro.


👷 O maior gargalo continua sendo gente


Se durante a pandemia os materiais dominaram as preocupações, agora o protagonista é outro: a mão de obra.


Nada menos que 77,7% dos mercados pesquisados relatam falta de trabalhadores para atender a demanda da construção.


Na Europa, a situação é ainda mais crítica: 93% apontam escassez de profissionais. Na América do Norte, esse percentual chega a 70,6%.


Curiosamente, a América Latina aparece como a região com maior equilíbrio entre oferta e demanda de trabalhadores, embora o setor brasileiro continue relatando dificuldades para contratar profissionais qualificados.


💰 Quanto custa construir pelo mundo?


A pesquisa também evidencia a enorme diferença entre os custos de mão de obra.


Em Nova York, considerada o mercado mais caro do levantamento, uma hora de trabalho custa US$ 161,40.


No Brasil, os números permanecem muito inferiores:


  • São Paulo: US$ 8,80 por hora;

  • Rio de Janeiro: US$ 8,50 por hora.


Quando o assunto é custo por metro quadrado construído, o Brasil também aparece distante dos líderes mundiais.


O ranking é liderado por Nova York, seguida por São Francisco, Genebra, Zurique e Londres.


Entre as cidades analisadas:


  • Rio de Janeiro ocupa a 84ª posição, com custo médio de US$ 1.843/m²;

  • São Paulo aparece na 86ª colocação, com US$ 1.760/m².


💻 Os data centers mudaram o jogo


Talvez a principal conclusão do estudo não esteja na inflação, mas na mudança de prioridade dos investimentos.


Pela primeira vez, os data centers assumem a liderança entre os segmentos que mais impulsionam a demanda da construção mundial, ultrapassando o mercado residencial.

Logo atrás aparecem os empreendimentos industriais e logísticos.


Segundo a Turner & Townsend, o setor vive hoje um "mercado de duas velocidades".

De um lado, infraestrutura tecnológica, logística e data centers aceleram investimentos e pressionam capacidade produtiva.


Do outro, os segmentos tradicionais — como residencial e comercial — avançam em ritmo mais lento, pressionados pelos juros elevados e pelo custo do crédito.


🌍 Uma inflação mais seletiva


Outro ponto destacado pelo estudo é que a inflação deixou de ser generalizada.


Concreto e materiais básicos apresentaram estabilidade em diversos mercados. Em alguns casos, o preço do aço até recuou.


As maiores pressões agora concentram-se em materiais ligados aos setores de alta tecnologia, onde a demanda cresce rapidamente.


Segundo a pesquisa, a inflação da construção tornou-se muito mais localizada e específica, refletindo transformações estruturais da economia global.


E o Brasil?


Apesar dos desafios relacionados ao crédito, à burocracia, aos custos e à regulação, a consultoria mantém uma visão positiva para o país.


Para Kamila Lima, diretora de gerenciamento de projetos da Turner & Townsend Brasil, a melhora gradual das condições macroeconômicas pode abrir espaço para um novo ciclo de investimentos.


"À medida que as condições de financiamento e o cenário macroeconômico, incluindo os níveis das taxas de juros, evoluem de forma favorável, o Brasil está bem posicionado para atrair novos investimentos em projetos estratégicos e reforçar sua posição como um dos principais mercados de crescimento econômico da América Latina", afirmou Kamila Lima, em entrevista ao Valor Econômico.

📌 O que isso significa para o setor?


O levantamento mostra que o desafio da construção mudou de endereço.


A inflação continua relevante, mas o maior diferencial competitivo passa a ser a capacidade de entregar projetos em setores que crescem rapidamente, como data centers, logística e infraestrutura tecnológica.


Enquanto isso, o Brasil ganha um fôlego com a desaceleração dos custos. A dúvida é se esse alívio será suficiente para transformar intenção de investimento em novos canteiros.



Fonte: Estudo global da Turner & Townsend, com entrevistas e informações publicadas pelo Valor Econômico.

 
 
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