Stéphane Domeneghini, do Senna Tower, quer colocar o Brasil no mapa global dos 'supertalls'
- Redação Liga News
- há 5 horas
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Engenheira assume a presidência do CVU Brasil e leva a engenharia nacional para o centro das discussões internacionais sobre edifícios superaltos e urbanismo.

🏗️ O medo ficou lá embaixo. A engenharia levou ao topo.
Nem todo profissional que lidera um megaprojeto começou sonhando com isso. No caso de Stéphane Domeneghini, a trajetória teve uma mudança de carreira, uma bolsa do ProUni e um desafio curioso: vencer o próprio medo de altura.
Hoje, ela lidera o projeto do Senna Tower, em Balneário Camboriú, futuro maior edifício residencial do mundo, e acaba de assumir a presidência do Council on Vertical Urbanism (CVU) Brasil, organização internacional que reúne especialistas em edifícios altos e urbanismo.
🎢 Medo de altura? Sim. Mas só antes do capacete
Quem vê Stéphane coordenando alguns dos edifícios mais altos do país dificilmente imagina que ela convive com medo de altura desde a infância.
Ela conta que quase caiu da sacada de casa quando era criança e que até hoje uma simples escada pode provocar insegurança. No entanto, tudo muda quando entra em um canteiro de obras.
"Quando eu coloco o capacete, é como se colocasse uma capa ou se existissem duas personalidades. O medo fica para trás e eu vou adiante, tanto é que já subi em andaime suspenso a 180 metros", afirmou Stéphane Domeneghini ao Metro Quadrado.
A declaração ajuda a explicar uma carreira que já soma mais de 50 projetos acima de 150 metros de altura.
🏙️ Da psicologia aos superarranha-céus
A engenharia não foi sua primeira escolha.
Antes, Stéphane cursou Psicologia. Mas a afinidade com as ciências exatas falou mais alto e ela migrou primeiro para Engenharia Elétrica e depois para Engenharia Civil.
A decisão também mudou sua vida. No fim dos anos 2000, deixou o interior do Rio Grande do Sul para estudar em Balneário Camboriú com bolsa do ProUni, justamente quando a cidade iniciava a corrida pelos edifícios que transformariam seu skyline.
Passou pela Embraed, uma das pioneiras da região, e depois pela FG Empreendimentos, onde participou diretamente da evolução dos supertalls brasileiros.
Hoje é diretora executiva da Talls Solutions, consultoria da FG especializada exclusivamente em edifícios superaltos — considerada a única da América Latina nesse segmento.
🌆 Construir alto vai além da engenharia
Para Stéphane, discutir edifícios de grande altura também significa discutir cidade.
Ela defende que a verticalização pode ser uma ferramenta importante para preservar território e reduzir a expansão urbana, desde que venha acompanhada dos investimentos necessários em infraestrutura.
"A verticalidade é uma ótima solução quando não se quer ou não é possível espraiar tanto as cidades e preservar o território. Mas também é preciso um grande esforço de infraestrutura para criar um ambiente urbano propício aos prédios altos", afirmou ao Metro Quadrado.
A discussão, portanto, deixa de ser apenas arquitetônica e passa a envolver mobilidade, redes urbanas, serviços públicos e planejamento das cidades.
🌍 O Brasil quer participar da conversa global
A criação oficial do CVU Brasil marca um novo momento para o setor.
Até pouco tempo conhecido como Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH), o conselho é referência mundial na certificação dos edifícios mais altos do planeta e reúne engenheiros, arquitetos, incorporadores e pesquisadores de diversos países.
Segundo Stéphane, o objetivo agora é inserir o Brasil de forma mais consistente nas discussões internacionais sobre edifícios superaltos.
Em outubro, ela apresentará em Londres o case das fundações do Senna Tower, projeto que utiliza 798 estacas, uma solução inédita para um empreendimento dessa escala, além de presidir o júri de inovação do conselho.
📚 O próximo desafio é formar conhecimento
Além da presença internacional, o Chapter Brasil pretende aproximar universidades, empresas, entidades técnicas e gestores públicos para desenvolver soluções adaptadas à realidade brasileira.
O primeiro evento nacional da organização está previsto para 2027.
"Temos condições de discutir com as melhores mentes as condições do Brasil, porque soluções que se aplicam em Vancouver, Singapura e Londres não são imediatamente importáveis para o nosso contexto", disse Stéphane Domeneghini ao Metro Quadrado.
📌 O que isso muda para o mercado?
A ascensão de Stéphane simboliza um movimento maior da construção brasileira.
Com projetos cada vez mais altos e complexos, o setor passa a discutir não apenas engenharia estrutural, mas também urbanismo, inovação, infraestrutura e posicionamento internacional.
O protagonismo brasileiro nos supertalls deixa de ser apenas uma questão de altura. Passa a ser também uma questão de conhecimento.
Fonte: Entrevista de Stéphane Domeneghini, diretora executiva da Talls Solutions e presidente do Council on Vertical Urbanism (CVU) Brasil, ao Metro Quadrado.
Foto: Vinícius de Morais/FG Empreendimentos/Divulgação.

























