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A construção tem vagas. O problema é encontrar quem queira ocupá-las.

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    Redação Liga News
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Pesquisa do ManpowerGroup mostra que 77% das empresas de construção e imobiliário enfrentam dificuldade para contratar; o desafio vai além do canteiro e expõe a disputa do setor por jovens, qualificação e novas competências.


Construção cria 154 mil empregos, mas o gargalo está no canteiro

A construção civil segue contratando, a infraestrutura volta a ganhar tração e o mercado imobiliário continua lançando. Ainda assim, 77% dos empregadores de construção e imobiliário dizem ter dificuldade para encontrar profissionais adequados.


Não é falta de vaga. É falta de gente — e, em muitos casos, de gente preparada para o tipo de trabalho que a obra passou a exigir. 🏗️


O dado é da Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, que ouviu 39.063 empregadores em 41 países entre outubro de 2025. No Brasil, 80% das empresas relatam dificuldade para contratar, acima da média global de 72%.


O país melhorou um ponto percentual em relação a 2025. Ainda assim, celebrar a queda de 81% para 80% seria como comemorar que a obra atrasou um dia a menos.


A escassez cresce junto com a empresa


Quanto maior a companhia, mais difícil parece ser montar equipe. Entre negócios com menos de dez pessoas, 72% enfrentam dificuldade de contratação. Nas empresas com 1.000 a 4.999 funcionários, o índice chega a 90%.


A leitura é relevante para um setor que opera projetos cada vez maiores, mais verticalizados e com cronogramas pressionados.


Uma obra pode ter capital, terreno, aprovação e demanda. Sem equipe, porém, o cronograma continua sendo uma promessa no PowerPoint.


Em São Paulo, o problema é ainda mais agudo: 88% dos empregadores relatam dificuldade para encontrar talentos. Minas Gerais aparece com 85%, Rio de Janeiro com 80%, a capital paulista com 79% e Paraná com 74%.


Construção contrata muito. Jovens olham para outro lado.


A construção civil é uma das maiores empregadoras do país, mas enfrenta uma disputa silenciosa com setores que parecem mais atraentes para quem está entrando no mercado: tecnologia, varejo, plataformas digitais e serviços.



Pesam a percepção sobre trabalho braçal, a falta de referências visíveis de carreira e a dificuldade do setor em comunicar que construção hoje também envolve gestão, tecnologia, industrialização, dados e especialização.


O resultado é um paradoxo: o canteiro está mais tecnológico, mas ainda precisa convencer novos profissionais de que há futuro ali.


O gargalo não está só no capacete


O levantamento do ManpowerGroup mostra que as competências mais difíceis de encontrar no Brasil não estão restritas ao trabalho operacional.


No topo aparecem desenvolvimento de modelos e aplicações de IA, letramento em IA, TI e dados, atendimento ao cliente e marketing e vendas.


Nas habilidades comportamentais, as empresas buscam profissionalismo e ética, comunicação e trabalho em equipe, adaptabilidade, pensamento crítico e letramento digital.


Para construção e imobiliário, isso muda o perfil da escassez.


Não basta preencher a equipe.


É preciso formar profissionais capazes de operar uma cadeia mais complexa, com tecnologia embarcada, processos digitais, relacionamento com cliente e pressão por produtividade.


A resposta está dentro de casa — pelo menos por enquanto


Diante da dificuldade de encontrar gente pronta, as empresas brasileiras estão apostando primeiro em quem já está no time. 44% dos empregadores citam upskilling e reskilling — formação, atualização e requalificação de profissionais — como principal estratégia para enfrentar a escassez. A média global é de 27%.


Depois aparecem a busca por novos grupos de talentos (25%), maior flexibilidade de localização (23%) e de horários (21%) e ajustes salariais (18%).


A automação e a IA ainda aparecem de forma mais tímida: apenas 11% das empresas citam essas ferramentas para reduzir a necessidade de pessoal. Cortar a exigência de diploma é a alternativa menos usada, com 7%.


Ou seja: antes de substituir pessoas por tecnologia, as companhias parecem tentar ensinar novas habilidades às pessoas que já têm. Faz sentido. Uma obra não se sustenta só com software — embora um bom software evite bastante retrabalho.


Capacitação deixa de ser projeto paralelo


A escassez também está mudando o papel do investimento social corporativo. Segundo estudo da Bisc — Benchmarking do Investimento Social Corporativo, divulgado em abril, iniciativas de capacitação profissional passaram a ser usadas para enfrentar gargalos que limitam a própria operação das empresas.


A lógica é menos assistencial e mais estratégica: formar mão de obra, fortalecer fornecedores, ampliar oportunidades e reduzir riscos da cadeia produtiva.


Para a construção, a pergunta já não é apenas quantas vagas o setor será capaz de abrir.


É quem estará preparado para ocupá-las quando a próxima obra começar.



Fonte: Dados da Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, e do estudo Bisc — Benchmarking do Investimento Social Corporativo.

 
 
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