Construção cria 154 mil empregos, mas o gargalo está no canteiro
- Redação Liga News

- há 1 dia
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A construção civil criou 154,4 mil empregos formais até maio, segundo a CBIC, mas a escassez de profissionais qualificados já pressiona obras de infraestrutura, habitação e empreendimentos industriais.

A construção civil abriu 154.448 vagas formais nos cinco primeiros meses de 2026 e chegou a 3,105 milhões de trabalhadores com carteira assinada. O dado, divulgado pela Agência CBIC com base no Novo Caged, parece confirmar um setor em expansão.
Mas há uma contradição crescendo junto com os canteiros: o setor contrata mais, porém encontra menos gente preparada para executar as obras.
Em maio, foram 12.096 novas vagas — o menor saldo mensal do ano. Infraestrutura liderou a geração de empregos, com 8.916 postos, seguida por construção de edifícios, com 2.271.
No acumulado de 2026, edifícios seguem à frente, com quase 59 mil vagas, enquanto infraestrutura avança 23,5% sobre o mesmo período do ano anterior.
Mais obras, menos profissionais disponíveis 🏗️
A construção industrial, a infraestrutura e os canteiros residenciais disputam os mesmos talentos — e a falta não está apenas no volume de trabalhadores.
Faltam pedreiros, eletricistas, soldadores, caldeireiros, operadores de máquinas e técnicos especializados.
E, em uma camada ainda mais crítica, começam a faltar também engenheiros e profissionais capazes de coordenar obras mais complexas, industrializadas e pressionadas por prazo.
A própria CBIC aponta que 94% das construtoras enfrentam escassez de mão de obra, enquanto 76% precisam rever cronogramas por falta de trabalhadores.
O problema não é apenas preencher vagas: é encontrar quem já chega pronto para um canteiro cada vez mais tecnológico e exigente.
Carlos Eduardo Lima Jorge, presidente da Comissão de Infraestrutura da CBIC, resumiu o alerta em entrevista à CNN Brasil: a escassez se intensificou desde 2025 e já alcança até engenheiros.
Entre 2015 e 2023, as matrículas em cursos de engenharia caíram 25%, justamente quando a carteira de investimentos em infraestrutura volta a ganhar tração.
Infraestrutura acelera. A formação acompanha?
A resposta parece ser: ainda não.
A Agência CBIC atribui parte do avanço da infraestrutura ao volume de investimentos previsto para 2026: R$ 300 bilhões, com a iniciativa privada sustentando a maior parcela.
Em 2025, cerca de 80% dos R$ 280 bilhões investidos no segmento vieram de recursos privados.
Só que investimento sem equipe vira cronograma esticado, custo pressionado e produtividade travada. Uma equação conhecida no setor — e que volta a ganhar urgência.
Ilso Oliveira, vice-presidente de Obras Industriais e Corporativas da CBIC, já havia apontado que a falta de qualificação atinge obras públicas, habitação de interesse social e empreendimentos industriais. A consequência aparece nos três lugares onde ninguém quer errar: prazo, custo e qualidade.
O emprego cresce. O desafio agora é torná-lo sustentável
O saldo positivo de vagas é uma boa notícia para a construção. Mas o dado mais relevante pode estar fora do Caged: o setor está crescendo em um momento em que precisa reinventar sua capacidade de atrair, formar e reter profissionais.
Porque não basta abrir 154 mil postos. É preciso garantir que exista gente para ocupá-los — e permanecer neles.
A construção brasileira está diante de uma escolha: continuar disputando mão de obra escassa obra a obra ou transformar capacitação, tecnologia e melhores condições de trabalho em parte do próprio produto.
Afinal, quem vai construir o próximo ciclo de crescimento?
Dados de emprego: Agência CBIC, com base no Novo Caged. Informações sobre escassez e qualificação: CBIC, SENAI e CNN Brasil.











