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MCMV responde por 6 em cada 10 lançamentos e redesenha o mercado imobiliário de SP

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • há 3 minutos
  • 3 min de leitura

Minha Casa, Minha Vida puxa recorde histórico de lançamentos em São Paulo, enquanto crédito tradicional encolhe e custos pressionam 2026.


Não é bolha: é escassez. Os 5 bairros com o m² mais caro do país

📈 139,7 mil lançamentos em 12 meses. Já vimos isso antes? Não.

O mercado imobiliário da capital paulista fechou 2025 no maior volume de lançamentos da história: 139,7 mil unidades, um salto de 34% sobre 2024, segundo a PMI do Secovi-SP.


Mas antes de falar em euforia generalizada, vale ajustar a lente. Esse recorde tem CPF, faixa de renda e programa bem definidos.


🏠 O MCMV virou o motor — e não só o combustível

O Minha Casa, Minha Vida respondeu por:


  • 61% dos lançamentos (85,4 mil unidades)

  • 64% das vendas (72 mil unidades)


Com tíquete médio em torno de R$ 270 mil, o programa garantiu moradia para 1,2 milhão de pessoas em São Paulo nos últimos 10 anos.


👉 Moral da história: o mercado cresceu para baixo, não para cima. “Em 2016 lançamos 3.500 unidades do MCMV. Dez anos depois, são 85 mil”, lembrou Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP. Produtividade virou política habitacional — mesmo sem esse nome.


📐 Dois dormitórios, até 45 m² e sem romantização

O produto campeão em São Paulo não é o que o incorporador sonha. É o que o bolso aguenta.


  • 66% das vendas: apartamentos de 2 dormitórios

  • 64%: unidades de até 45 m²


“Não fabricamos o que queremos. Fabricamos o que o consumidor pode pagar”, resumiu Ely Wertheim. Tradução livre: planta compacta virou solução estrutural, não tendência passageira.


Zona Sul lidera. Zona Norte gira mais rápido


  • Zona Sul:

    • 40% dos lançamentos

    • 33% das vendas


  • Zona Norte:

    • VSO de 11,9%, a mais rápida da cidade em dezembro


Ou seja: onde o preço fecha, o estoque gira. Simples assim.


🤝 Três governos alinhados: quando foi a última vez?

O bom momento do segmento econômico tem uma explicação rara no Brasil:


➡️ Governo federal (MCMV)

➡️ Estado (Casa Paulista)

➡️ Município (Pode Entrar)


Tudo funcionando na mesma direção. “Nunca vi os três níveis tão alinhados para estimular o acesso à moradia”, disse Jorge Cury, novo presidente do Secovi-SP.



💰 SBPE encolhe. Mercado de capitais entra em cena.

Enquanto o segmento popular acelera, o crédito tradicional pisa no freio:


  • SBPE caiu 13% em 2025

  • Antes da liberação do compulsório, a queda chegou a 50%


Em compensação:

  • Recursos livres saltaram de R$ 6 bi para R$ 29 bi


O financiamento mudou de endereço — e ficou mais caro.


⚠️ 2026: estabilidade no papel, tensão no bastidor

O setor projeta estabilidade, mas com três alertas piscando em amarelo:


1️⃣ Reforma tributária: custo de produção pode subir 7% a 8%

2️⃣ Mão de obra escassa: canteiros disputando gente

3️⃣ Debate da escala 6x1: menos horas = obras mais longas e caras, se não houver regra clara


E a classe média? Travada… por enquanto

A aposta para destravar o segmento médio não está no canteiro, mas no macro:


  • Queda de juros

  • Sinal mínimo de responsabilidade fiscal em 2026


“Se houver sinalização fiscal, o mercado reage muito rápido”, disse Cury. Tradução: o comprador existe. O crédito ainda não.


📦 Estoque cresce — mas sem cheiro de crise

O estoque final da cidade fechou em 85,2 mil unidades. Alto? Sim. Perigoso? Não necessariamente. No MCMV, o estoque atual duraria apenas 8 meses se os lançamentos parassem hoje.


👉 O risco não é excesso de oferta.

👉 O risco é quebrar o motor que hoje sustenta o mercado.


Em outras palavras, São Paulo viveu um recorde imobiliário histórico em 2025. Mas não por exuberância. E sim por produtividade, política pública e adaptação radical ao bolso do comprador.


A pergunta para 2026 não é se o mercado cresce. É quem consegue continuar crescendo quando o custo subir e o crédito apertar.

 
 
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