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Sul paga mais, Norte paga menos: o mapa desigual dos custos da obra no Brasil

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Cimento e fio de cobre pressionaram obras no Sul e no Nordeste, enquanto Norte e Centro-Oeste registraram deflação, revelando que o custo da construção em 2025 foi mais geográfico do que inflacionário.


Confiança da construção reage e atinge maior nível em 10 meses

Se alguém esperava um vilão único para explicar os custos da construção em 2025, pode guardar o cartaz. O problema não foi uma inflação generalizada. Foi geografia.

Segundo o IPMC — Índice de Preços de Materiais de Construção, divulgado pelo Ecossistema Sienge com metodologia da Cica Rev e apoio da CBIC — o custo da obra virou um mapa desigual, onde o CEP passou a pesar quase tanto quanto o projeto executivo.


Sul e Nordeste: onde a conta chegou primeiro

O Sul liderou o ranking da pressão. E não foi por detalhe.


  • Fio de cobre: +19,5%

  • Cimento: +8,4%


Outros insumos até deram trégua — ferro, tinta e argamassa ficaram estáveis ou caíram — mas quando cobre e cimento resolvem subir juntos, não há orçamento que fique confortável.


💬 “Vimos um descolamento preocupante entre câmbio e insumos dolarizados, como o cobre, que subiu mesmo com a queda do dólar”, alerta José Carlos Martins, da CBIC. Traduzindo: nem o dólar ajudou.


Nordeste: quando o cimento puxa a inflação sozinho

No Nordeste, o roteiro foi outro — mas o efeito, parecido.


  • Cimento: +11,9%

  • Cobre: alta mais moderada

  • Tinta e argamassa: queda


O cimento virou protagonista absoluto. Mesmo com alguns insumos ajudando a equilibrar, ele sozinho conseguiu pressionar o custo final das obras. Moral da história? Quando o insumo-base encarece, o resto vira figurante.


Sudeste: o raro caso de equilíbrio

Enquanto isso, o Sudeste jogou no modo “controle de danos”.


  • Cimento e cobre subiram, sim.

  • Ferro, tinta e argamassa caíram.


O resultado foi um mercado mais estável, sem sustos nem alívios espetaculares. Não foi barato, mas também não saiu do trilho.


Uma espécie de ano morno em meio ao caos regional.


Norte e Centro-Oeste: quando o custo anda para trás

Aqui vem o plot twist que ninguém esperava. No Norte e no Centro-Oeste, os preços recuaram.


  • Cimento: -4,46% no Norte

  • Cobre: -8,77% no Centro-Oeste

  • Ferro: Norte: -18,59% | Centro-Oeste: -6,77%


Sim, você leu certo. Queda de quase 19% no ferro. Enquanto algumas regiões brigavam com planilhas estouradas, outras respiravam aliviadas.


Justo? Nem sempre. Real? Totalmente.


O custo não é nacional. É local.

Para Gabriela Torres, do Ecossistema Sienge, o recado é direto:“Não houve pressão generalizada de preços em 2025, mas a variação regional foi significativa. Um mesmo insumo pode ter comportamento muito distinto a depender da localização.”


Ou seja: não dá mais para falar de custo médio Brasil sem cair em erro.


Quando IA entra no canteiro (sem capacete)

O IPMC acompanha insumos que representam até 55% do custo total de materiais de obra. E faz isso com:


  • inteligência artificial

  • classificação automática de produtos

  • categorias homogêneas

  • intervalo de confiança de 95%


Não é achismo. É dado bem tratado.


E agora?

Se 2025 ensinou algo ao setor, foi simples e desconfortável:


👉 Planejar obra sem olhar o mapa virou erro estratégico.

👉 Negociar insumo como se o Brasil fosse homogêneo, também.


No fim, a inflação não bateu na porta de todo mundo. Ela escolheu bairros e regiões. E isso muda tudo.

 
 
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