Tarcísio apresenta plano bilionário para desenvolver bairros no eixo do trem entre São Paulo e Campinas
- Redação Liga News

- há 2 horas
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Plano do governo paulista aposta em moradia popular, PPPs e transporte sobre trilhos para criar novas centralidades urbanas (com impactos que vão muito além da habitação).

Não é só habitação. É urbanismo com endereço, cronograma e ambição.
O governador Tarcísio de Freitas decidiu colocar a cidade em movimento (literalmente). Nesta quarta-feira (4), o Palácio dos Bandeirantes apresenta um plano bilionário para redesenhar centros urbanos ao redor de estações ferroviárias entre São Paulo e Campinas.
O nome é quase didático: Novas Centralidades. O impacto, nem tanto.
Estamos falando de 23 mil unidades habitacionais, coladas em estações do metrô, da CPTM e no traçado do TIC – Trem Intercidades, a futura ligação rápida entre a capital e Campinas, prometida para 2031.
👉 A pergunta não é se vai mudar o desenho urbano.
👉 A pergunta é quanto — e quem ganha com isso.
🏙️ Centralidade urbana: menos deslocamento, mais vida local (em tese)
Na prancheta do governo, uma centralidade urbana não é bairro-dormitório. É quase uma cidade em miniatura:
✔️ moradia
✔️ emprego
✔️ serviços
✔️ renda
✔️ escola, creche, comércio e circulação de gente
A lógica é simples (e antiga): se tudo está perto, o deslocamento diminui. Menos horas perdidas no transporte. Mais tempo vivendo a cidade.
Simples no conceito. Complexo na execução.
🏠 75% das moradias para baixa renda: dado que pesa
Dos 23 mil imóveis, 75% serão destinados a famílias em situação de vulnerabilidade, com renda de até três salários mínimos.
Só em habitação, o investimento passa de R$ 4,3 bilhões. No total, somando infraestrutura, equipamentos públicos e empreendimentos privados, a conta chega fácil à casa dos R$ 20 bilhões.
💰 Cada estação envolvida no programa deve consumir mais de R$ 1 bilhão.
PPP na veia: menos Estado, mais mercado
O modelo escolhido é o favorito da vez: Parceria Público-Privada (PPP). Funciona assim:
o setor privado entra com parte (ou todo) o investimento
constrói, opera e explora economicamente
o Estado reduz desembolso direto e divide o risco
Segundo o secretário Marcelo Branco, isso alivia o caixa estadual e ainda muda o papel histórico da pasta. “Não é mais só produzir moradia. É planejar cidade.”
Tradução livre: o governo quer deixar de ser incorporador improvisado e virar orquestrador urbano.
🗳️ Urbanismo também rende capital político
Não dá pra ignorar o pano de fundo. Além das centralidades ferroviárias, Tarcísio promete anunciar R$ 2 bilhões em habitação para mais de 200 municípios. Coincidência ou estratégia, isso injeta recursos justamente onde prefeitos contam — e votam.
Cidade se planeja no longo prazo. Eleição, nem tanto.
📑 Edital fatiado, competição ampliada
O edital deve sair cerca de dez dias após o anúncio e traz um detalhe importante:👉 o projeto será fatiado por estação.
Resultado? Até 14 empresas ou consórcios diferentes podem atuar simultaneamente ao longo de um eixo de mais de 100 km.
O critério de ouro: quanto mais perto da estação, melhor classificado o projeto Empate? Ganha quem entregar:
mais moradias
melhor acessibilidade
mobilidade mais eficiente
⚠️ Onde o plano aperta: risco geológico, água e várzea
Nem tudo são trilhos lisos. Algumas áreas enfrentam desafios pesados:
Franco da Rocha: risco geológico alto e muito alto
Perus: ocupações em áreas frágeis
Mauá e Piqueri: macrodrenagem, piscinões e controle hídrico
Jurubatuba e Varginha: mananciais e restrições ambientais
Jardim Romano: várzeas do Tietê e saneamento pesado
Urbanismo aqui deixa de ser desenho bonito e vira engenharia social, ambiental e política.
🌆 Onde o cenário é mais favorável, a transformação acelera
Há também zonas mais “amigáveis” ao projeto:
Campinas e Jundiaí: até 2 mil unidades cada
Valinhos, Vinhedo e Louveira: mil unidades por cidade
Santa Marina (Linha 6-Laranja): 1.500 moradias dentro da Operação Urbana Água Branca
Aqui, o discurso muda de contenção para aceleração urbana.
🧠 No fim das contas…
O Novas Centralidades não é só um plano habitacional.É um reposicionamento do Estado no jogo urbano.
Mais do que construir casas, o governo quer:
🏗️ decidir onde a cidade cresce
🚉 usar o transporte como espinha dorsal
💼 atrair capital privado
🏙️ redefinir centralidade
A dúvida que fica não é pequena — e vale ouro: essas novas centralidades vão criar cidades mais vivas… ou apenas novos mapas de interesse imobiliário?
A resposta, como sempre, vai passar pelos trilhos.










