Salário de admissão da construção bate recorde com apagão de mão de obra e alta do mínimo
- Redação Liga News

- há 2 dias
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Recordes de remuneração expõem uma virada silenciosa no mercado de trabalho: pagar mais já não garante contratar (especialmente na construção civil).

O mercado de trabalho brasileiro entrou oficialmente numa nova fase.Não é mais sobre criar vagas. É sobre convencer alguém a aceitá-las.
Em dezembro, a remuneração média de admissão com carteira assinada bateu o maior nível da história para o mês: R$ 2.304, alta real de 2,5% acima da inflação na comparação anual, segundo o Caged.
📈 Recorde em dezembro.
📉 Dor de cabeça o ano inteiro para o empregador.
Coincidência? Nem um pouco.
🧲 Atrair virou esporte de alto custo
Segundo o economista Bruno Imaizumi, da 4Intelligence, o movimento é generalizado, mas grita mais alto em ocupações de:
salários mais baixos
presença física obrigatória
menor qualificação
Ou seja: exatamente onde o mercado formal mais sofre concorrência.
📱 Delivery no fim de semana
🚗 Transporte por aplicativo
💸 Dinheiro rápido, flexível, sem crachá
A conta não fecha fácil. “Para algumas posições, se há escassez de mão de obra, a forma de reter trabalhadores é elevar salários”, resume Imaizumi, em entrevista para a Folha de S. Paulo.
Simples. Doloroso. Inevitável.
🏗️ Construção civil: salário sobe, mas o canteiro segue vazio
No segmento de construção de edifícios, o salário médio de admissão chegou a R$ 2.340 em dezembro, com alta real de 1%.
📊 Também é o maior valor da série histórica iniciada em 2007. Ainda assim, falta gente. Por quê? Porque o problema já não é só remuneração. É perfil, expectativa e geração.
🧠 Geração Z quer flexibilidade (e não andaime)
“As novas gerações estão entrando no mercado mais escolarizadas”, aponta Imaizumi. Tradução direta: quanto maior o nível educacional, menor a disposição para trabalho físico pesado.
Construção civil, serviços domésticos, atividades operacionais intensivas? Estão perdendo a disputa simbólica (e prática) para o mundo digital. Não é julgamento. É dado.
📊 Empresas reagindo (tarde, mas reagindo)
A Sondagem de Escassez de Mão de Obra do FGV Ibre confirma o movimento:
62,3% das empresas têm dificuldade para contratar e reter
18,9% aumentaram salários (eram 13,7% no ano anterior)
36,2% ampliaram benefícios
Quem mais subiu salários?
🏗️ Construção
🛒 Supermercados
👕 Vestuário
💊 Farmacêuticos
🏨 Alojamento e hospedagem
Onde dói mais, o reajuste chega primeiro.
🔁 Rotatividade recorde: ninguém fica porque quer
O mercado está aquecido, o desemprego em mínima histórica e a rotatividade em máxima.
Isso cria um paradoxo curioso:
👉 vaga aberta
👉 salário maior
👉 contratação rápida
👉 saída ainda mais rápida
O vínculo virou transitório. A carteira assinada, concorrente.
📉 E o salário mínimo? Ele puxa todo mundo
Entre 2019 e agora, o salário mínimo subiu 62,4%, contra uma inflação de 45%. Resultado? O piso sobe (e empurra toda a estrutura salarial junto).
“O salário mínimo é o balizador para a maior parte das posições no mercado formal”, lembra Imaizumi. Quem não acompanha, perde gente. Quem acompanha, perde margem.
🔎 No fim, a pergunta incômoda
O Brasil está disposto a pagar mais (e repensar modelos) para manter sua força de trabalho? Porque o cenário já mudou: não falta vaga. Não falta demanda. Falta gente disposta a ficar.
E esse, ao contrário do desemprego, é um problema que não se resolve com discurso.
🚧 O mercado de trabalho virou um leilão silencioso. Quem não aumentar a oferta (salarial, simbólica ou estrutural) fica fora da disputa.










