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Salário de admissão da construção bate recorde com apagão de mão de obra e alta do mínimo

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Recordes de remuneração expõem uma virada silenciosa no mercado de trabalho: pagar mais já não garante contratar (especialmente na construção civil).


Custos da construção: pressão da mão de obra deve continuar em 2026

O mercado de trabalho brasileiro entrou oficialmente numa nova fase.Não é mais sobre criar vagas. É sobre convencer alguém a aceitá-las.

Em dezembro, a remuneração média de admissão com carteira assinada bateu o maior nível da história para o mês: R$ 2.304, alta real de 2,5% acima da inflação na comparação anual, segundo o Caged.


📈 Recorde em dezembro.

📉 Dor de cabeça o ano inteiro para o empregador.

Coincidência? Nem um pouco.


🧲 Atrair virou esporte de alto custo

Segundo o economista Bruno Imaizumi, da 4Intelligence, o movimento é generalizado, mas grita mais alto em ocupações de:


  • salários mais baixos

  • presença física obrigatória

  • menor qualificação


Ou seja: exatamente onde o mercado formal mais sofre concorrência.


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A conta não fecha fácil. “Para algumas posições, se há escassez de mão de obra, a forma de reter trabalhadores é elevar salários”, resume Imaizumi, em entrevista para a Folha de S. Paulo.


Simples. Doloroso. Inevitável.


🏗️ Construção civil: salário sobe, mas o canteiro segue vazio

No segmento de construção de edifícios, o salário médio de admissão chegou a R$ 2.340 em dezembro, com alta real de 1%.


📊 Também é o maior valor da série histórica iniciada em 2007. Ainda assim, falta gente. Por quê? Porque o problema já não é só remuneração. É perfil, expectativa e geração.


🧠 Geração Z quer flexibilidade (e não andaime)

“As novas gerações estão entrando no mercado mais escolarizadas”, aponta Imaizumi. Tradução direta: quanto maior o nível educacional, menor a disposição para trabalho físico pesado.


Construção civil, serviços domésticos, atividades operacionais intensivas? Estão perdendo a disputa simbólica (e prática) para o mundo digital. Não é julgamento. É dado.


📊 Empresas reagindo (tarde, mas reagindo)

A Sondagem de Escassez de Mão de Obra do FGV Ibre confirma o movimento:


  • 62,3% das empresas têm dificuldade para contratar e reter

  • 18,9% aumentaram salários (eram 13,7% no ano anterior)

  • 36,2% ampliaram benefícios


Quem mais subiu salários?


🏗️ Construção

🛒 Supermercados

👕 Vestuário

💊 Farmacêuticos

🏨 Alojamento e hospedagem


Onde dói mais, o reajuste chega primeiro.


🔁 Rotatividade recorde: ninguém fica porque quer

O mercado está aquecido, o desemprego em mínima histórica e a rotatividade em máxima.

Isso cria um paradoxo curioso:


👉 vaga aberta

👉 salário maior

👉 contratação rápida

👉 saída ainda mais rápida


O vínculo virou transitório. A carteira assinada, concorrente.


📉 E o salário mínimo? Ele puxa todo mundo

Entre 2019 e agora, o salário mínimo subiu 62,4%, contra uma inflação de 45%. Resultado? O piso sobe (e empurra toda a estrutura salarial junto).


“O salário mínimo é o balizador para a maior parte das posições no mercado formal”, lembra Imaizumi. Quem não acompanha, perde gente. Quem acompanha, perde margem.


🔎 No fim, a pergunta incômoda

O Brasil está disposto a pagar mais (e repensar modelos) para manter sua força de trabalho? Porque o cenário já mudou: não falta vaga. Não falta demanda. Falta gente disposta a ficar.


E esse, ao contrário do desemprego, é um problema que não se resolve com discurso.


🚧 O mercado de trabalho virou um leilão silencioso. Quem não aumentar a oferta (salarial, simbólica ou estrutural) fica fora da disputa.

 
 
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