top of page

Apagão na base: o plano que quer reconectar jovens com a construção

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • 4 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura
Salário inicial de R$ 2,5 mil e caminho até R$ 20 mil. Mesmo assim, os canteiros estão vazios de aprendizes. Um plano de carreira nacional quer mudar esse jogo.

Mesmo com salários iniciais de R$ 2,5 mil e picos de R$ 20 mil, a construção civil sofre com falta de mão de obra jovem.
A construção civil está contratando, mas cadê os jovens?. Foto: Shutterstock.
Apesar de empregar quase 3 milhões de brasileiros com carteira assinada, a construção civil enfrenta hoje um de seus maiores paradoxos: falta gente na base. Mais precisamente, faltam jovens dispostos a começar.

O alerta veio de David Fratel, coordenador de RH do Sinduscon-SP:
“Temos uma crise muito grande. Os entrantes não estão vindo.”
O impacto já é visível: obras com cronograma comprometido, qualidade em xeque e construtoras disputando talentos com o varejo, os aplicativos e, claro, o setor de tecnologia.

🧱 “Servente” virou “auxiliar de construção” — e isso não é só semântica

A percepção do trabalho braçal segue afastando os mais novos. Mas o setor está reagindo com algo inédito: um plano de carreira nacional articulado entre empresários e sindicatos, com apoio do Senai.

A proposta começa com um gesto simbólico, mas poderoso: trocar os rótulos.
  • “Servente” agora é “auxiliar de construção”
  • “Pedreiro” pode virar “instalador de infraestrutura”
  • “Mestre de obras” ganha aura de liderança técnica

A lógica? Trazer mais dignidade, clareza e perspectiva de crescimento para quem entra — e mostrar que é possível sair da base e chegar ao topo.

💰 De R$ 2.189 a R$ 20 mil/mês. Falta salário? Não. Falta plano.

Não dá para dizer que o problema é dinheiro.
  • Salário inicial? R$ 2.189,97 (em SP e região, segundo convenção coletiva)
  • Meio-oficial? R$ 2.427,36
  • Qualificado (pedreiro, eletricista)? R$ 2.664,75
  • Obras especializadas? Até R$ 3.192,39
  • E um mestre de obras pode passar dos R$ 20 mil mensais, sem ensino superior.

👷🏾‍♀️ Mulheres (e não poucas) na linha de frente

A Benx Incorporadora tem dado exemplo no Parque Global, em SP:
  • 52 colaboradores próprios na gestão de obras
  • 26 homens e 26 mulheres
  • 100% das áreas de engenharia, segurança, meio ambiente e planejamento com presença feminina

E 30% das mulheres do time começaram ali mesmo, como estagiárias ou aprendizes.

🔁 Trocar a lógica do "pronto para uso" pela de formação contínua

Wellington Moraes, da Direcional, resumiu bem em entrevista para a Folha de S. Paulo:
“Mais do que buscar no mercado profissionais já prontos, estamos comprometidos em formar talentos.”
A formação contínua, com cursos no próprio canteiro, é a base do novo modelo. E a ideia é que mulheres, jovens e imigrantes tenham espaço nessa nova geração da construção.

📈 Construção no top 5 da geração de empregos

Em abril de 2025, a construção foi o 4º setor que mais gerou empregos no Brasil, atrás apenas de serviços, comércio e indústria — e à frente da agropecuária. No 1º quadrimestre, foram 135 mil novas contratações.

Mas sem um plano de carreira que funcione na prática, os canteiros seguirão com uma pergunta sem resposta: quem vai construir o futuro da construção?

 
 
Logo do LigaNews

Construa seu dia com o que realmente impacta a construção civil. 

Notícias da LigaNews no seu email

© Construliga 2025. Todos os direitos reservados.

  • Whatsapp
  • Instagram
  • Facebook
  • LinkedIn
  • Threads
bottom of page