Investimentos batem recorde, mão de obra some: o risco invisível da infraestrutura
- Redação Liga News

- 16 de jan.
- 2 min de leitura
Investimentos em infraestrutura atingem o maior nível desde 2014, mas a escassez de engenheiros coloca prazos, custos e execução em risco.

O Brasil vai investir como nunca em infraestrutura (e tropeçar no básico): gente.
Os números impressionam. A execução preocupa. E o gargalo já tem nome e sobrenome.
📊 Um novo recorde… com freio de mão puxado
Segundo a Abdib, os investimentos em infraestrutura devem atingir R$ 280 bilhões em 2025, o maior patamar desde 2014. Supera 2024 (R$ 272,3 bilhões) e consolida a retomada puxada por concessões, PPPs e capital privado.
👉 84% desse valor vem do setor privado.
👉 O dinheiro público entra com o restante — e com expectativa de alavancagem.
Mas atenção: o recorde vem acompanhado de um aviso discreto no rodapé do gráfico 📉O ritmo de crescimento desacelera.
Por quê? Porque dinheiro não constrói obra sozinho.
🚰 Saneamento lidera. Engenharia falta.
O destaque de 2025 é o saneamento básico, com alta real de 35,7% e R$ 44,5 bilhões em investimentos, embalados por concessões recentes e pela expansão agressiva da Sabesp em São Paulo.
É o tipo de número que costuma virar manchete positiva.Mas aqui entra a pergunta incômoda: Quem vai projetar, executar, fiscalizar e operar tudo isso?
⚠️ O alerta já foi dado (e ignorado)
Em artigo recente no Valor Economico, Arthur Sousa, Vice-Presidente na Concremat-CCCC, foi direto ao ponto:a escassez de engenheiros virou um risco sistêmico para a infraestrutura brasileira. Os dados sustentam o alerta:
📉 25% menos matrículas em engenharia entre 2015 e 2023
🎓 Apenas 35 de cada 100 estudantes concluem o curso
🧾 Só 40% dos formados seguem carreira na área
6 engenheiros por mil habitantes (EUA e Japão têm 25)
Ou seja: o Brasil bate recorde de investimentos…com um estoque profissional de país em retração. Ironia involuntária ou falha estrutural?
🏗️ O PAC acelera. O RH trava.
Até 2026, o novo PAC promete R$ 1,3 trilhão em obras. Ao mesmo tempo, a FGV IBRE mostra que a falta de mão de obra segue no topo do ranking de dificuldades do setor.
Mais de 32% das construtoras planejam contratar mais em 2026. O problema? O mercado não entrega. Resultado prático:
custos pressionados
cronogramas mais longos
risco maior de gargalos técnicos
🌍 Importar engenheiros resolve? Parcialmente.
Arthur Sousa lembra bem: no passado, Espanha, Portugal, Alemanha.Hoje, China.
A troca internacional ajuda — mas não substitui:
formação de base sólida
cursos menos engessados
carreira técnica mais valorizada
engenharia vista como projeto de país (não só de obra)
🧠 O dado que importa não é só o VGV
O Livro Azul da Infraestrutura mapeia projetos, valores e oportunidades. Mas o verdadeiro gargalo não está no pipeline financeiro.
Está no capital humano. Sem engenheiros, o Brasil não atrasa só obras. Atrasa o futuro.
Investimento recorde com escassez estrutural não é crescimento sustentável.É apenas um pico estatístico esperando virar problema.










