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Construção brasileira emite sete vezes menos CO₂ que a média global

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    Redação Liga News
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Estudo mostra que o setor emite até sete vezes menos CO₂ que a média mundial e revela que o verdadeiro desafio ambiental está nas cidades, no transporte e na cadeia de materiais.


Construção brasileira emite sete vezes menos CO₂ que a média global

Enquanto o mundo aponta o dedo para o concreto, o Brasil entrega um dado que desmonta o discurso fácil.

📉 A construção civil brasileira emite, em média, 0,43 tonelada de CO₂ por habitante ao ano. A média global? 3,06 toneladas.


Sim: mais de sete vezes menos.


Os números são de um estudo da Abrainc em parceria com a DEEP ESG. E eles colocam o setor nacional em um lugar bem diferente daquele que costuma aparecer nas discussões internacionais sobre clima.


👉 Culpa do atraso tecnológico?

👉 Mérito da matriz elétrica limpa?

👉 Ou uma combinação incômoda dos dois?

Spoiler: é tudo isso junto.


🌱 Quando a energia ajuda (e muito)

Na conta das emissões por área construída, a diferença segue gritante:


Brasil: entre 0,49 e 0,56 t de CO₂ por m²

Mundo: 1,53 t de CO₂ por m²


O setor responde por apenas 5,3% das emissões nacionais, em grande parte porque a matriz elétrica brasileira segue majoritariamente renovável.


“Reduzir emissões é obrigação de todos. Mas precisamos reconhecer que o Brasil parte de uma posição muito melhor no cenário internacional”, diz Luiz França, presidente da Abrainc.


Traduzindo: o Brasil não é o vilão climático que muita narrativa sugere (pelo menos quando o assunto é construção).


🔗 O carbono não está no canteiro. Está na cadeia.

O estudo aponta ainda que 94,8% das emissões associadas à construção estão concentradas no chamado “escopo 3”, ou seja, na cadeia de suprimentos: produção de aço, vidro e outros materiais essenciais às obras.


As emissões diretas (escopo 1) representam 5%, enquanto as emissões de energia (escopo 2) correspondem a 0,3%.


Conclusão desconfortável:

👉 não adianta só “pintar o prédio de verde”.

👉 A descarbonização real passa pela indústria de materiais.


🏠 Moradia digna emite mais (e isso não é um problema)

O estudo faz um alerta honesto: à medida que o Brasil reduz seu déficit habitacional e inclui milhões de famílias em moradias formais, o consumo energético vai subir.


E deveria mesmo. Segundo a Fundação João Pinheiro, o país ainda tem um déficit de 5,9 milhões de domicílios.


A boa notícia? Mesmo com essa expansão, o Brasil tende a seguir com emissões relativamente baixas (desde que preserve sua matriz elétrica limpa).


Ou seja: inclusão social e agenda climática não são opostas. O risco está em desorganizar a cidade.


🏙️ O verdadeiro vilão urbano não é o prédio. É o espraiamento.

Aqui a conversa esquenta. “75% das emissões de GEE nas cidades vêm do transporte”, lembra França. Mais carros, mais deslocamento, mais emissões. Simples assim. Por isso, a defesa é clara:


📌 cidades mais adensadas

📌 mais transporte público

📌 menos dependência do automóvel


Arthur Covatti, CEO da DEEP ESG, é direto: “É melhor copiar o modelo europeu do que o subúrbio americano. Cidade adensada pode causar estranheza, mas é mais limpa, mais barata e mais inclusiva.


Polêmico? Talvez. Errado? Difícil dizer que sim.


Espraiar é antidemocrático?

Para Bruno Sindona, presidente do Instituto das Cidades, não há meio-termo: “Espraiar a cidade é um ato antidemocrático.”


A crítica é dura (e faz sentido): as pessoas até chegam aos extremos urbanos,mas cultura, lazer, educação e segurança ficam no centro. O resultado?


🏚️ guetos urbanos

🚗 deslocamentos longos

🌫️ mais emissões

📉 pior qualidade de vida


🤖 A ironia final: emitimos pouco porque somos pouco industrializados

Aqui entra a parte incômoda do diagnóstico. Segundo Sindona, a baixa emissão da construção brasileira também tem um lado menos nobre: o setor ainda é artesanal demais.


“Na Europa e nos EUA, quem faz o trabalho pesado é a máquina. Aqui, é o trabalhador.”

É por isso, diz ele, que:


• somos menos produtivos

• temos menos tecnologia

• e, paradoxalmente, emitimos menos


“Só o agro virou tecnológico no Brasil. Por isso lidera produtividade. A construção precisa da sua própria Embrapa.” Provocação lançada.


🔎 No fim, a pergunta que fica

O Brasil pode:

✔️ ampliar moradia

✔️ reduzir desigualdade

✔️ manter baixas emissões

✔️ modernizar a construção


Tudo ao mesmo tempo? Pode. Mas só se parar de tratar cidade como problema (e começar a tratá-la como projeto).


🏗️ A construção brasileira não é o vilão climático. Talvez esteja só esperando a chance de virar protagonista.

 
 
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