Carga tributária elevada passa a ser o principal problema da indústria da construção, aponta CNI
- Redação Liga News

- há 6 dias
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Levantamento da CNI e CBIC aponta crédito difícil, margens pressionadas e expectativa cautelosa para 2026.

Durante anos, a construção civil apontou os juros como seu maior inimigo. Agora, o ranking mudou. E o novo líder é bem conhecido do empresário brasileiro: a carga tributária.
Segundo a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela CNI em parceria com a CBIC, os impostos assumiram oficialmente o posto de principal problema do setor no fim de 2025.
📊 Entre o 3º e o 4º trimestre:
A menção à carga tributária saltou de 32,2% para 37,2%
Os juros elevados ficaram em segundo lugar, com 32,1%
Ou seja: o imposto passou à frente da Selic. Não é pouca coisa. Coincidência? Ou sinal de que o aperto mudou de endereço?
💸 Juros caíram no ranking, mas o crédito segue indigesto
Mesmo perdendo a liderança no “hall dos vilões”, o crédito continua longe de ser solução.
O índice de facilidade de acesso a financiamento ficou em 39 pontos no 4T25, bem abaixo da linha de 50 que separa facilidade de dificuldade.
📉 Tradução direta: crédito difícil, caro e escasso.
“O ciclo da construção é longo e exige muito capital. Quando o crédito está caro, o impacto é direto”, resume Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Nada de novo no discurso. Mas cada vez mais pesado no caixa.
👷 Falta gente. E quando tem, custa caro.
Se imposto pesa e crédito aperta, o canteiro ainda enfrenta um gargalo estrutural conhecido: mão de obra. 28,5% dos empresários citaram:
falta ou alto custo de trabalhadores qualificados
escassez de mão de obra não qualificada
É o famoso combo: demanda existe, trabalhadores faltam. E a conta, claro, sobe.
📉 Margem pressionada, custo firme e atividade em marcha lenta
O retrato operacional também não anima muito:
Índice de satisfação com o lucro operacional caiu para 45,1 pontos
Situação financeira subiu levemente para 49,5, ainda insatisfatória
Preços de insumos seguem em alta, com índice em 61,6 pontos
Ou seja: o custo não dá trégua (e a margem sente).
🏗️ Dezembro fraco (e não foi só sazonal)
No fechamento de 2025, a atividade desacelerou além do padrão esperado.
📉 O índice de evolução do nível de atividade caiu para 44,7 pontos em dezembro, menor patamar para o mês desde 2018.
A utilização da capacidade ficou em 67%, enquanto o indicador de emprego recuou para 45,7 pontos (ainda acima da média histórica), mas claramente em desaceleração.
Não é crise. Mas também não é aceleração.
😐 Confiança ainda no vermelho, mas expectativas melhoram
O ICEI da construção subiu levemente em janeiro de 2026, mas permaneceu em 48,6 pontos, indicando falta de confiança.
O problema está no presente: avaliação negativa das condições atuais da economia. Já o futuro… parece um pouco menos pesado.
📈 As expectativas entraram no campo positivo:
Novos empreendimentos: 52,9 pontos
Atividade e emprego: 52,8
Compra de insumos: 52,5
A intenção de investimento também subiu pela terceira vez seguida, chegando a 44,6 pontos (ainda longe do ideal, mas em recuperação).
No fim das contas, o que está mudando?
A leitura da CNI é clara:
📌 novos programas
📌 mudanças no crédito imobiliário
📌 expectativa de queda da Selic
Tudo isso ajuda a melhorar o humor.
Mas o setor manda o recado sem rodeios: sem aliviar imposto, destravar crédito e resolver a mão de obra, não há otimismo que se sustente.
A construção quer crescer. A pergunta é: o ambiente vai deixar?










