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Endividadas, construtoras focadas na classe média recorrem à venda de empreendimentos

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • há 2 minutos
  • 3 min de leitura

A demanda existe, o desejo também, mas juros altos, crédito caro e custo de obra pressionado estão forçando incorporadoras da classe média a rever estratégia, escala e até sobrevivência.


O que está por trás dos atrasos nas incorporadoras

A demanda até existe. O desejo também. O que não fecha mais… é a conta. 💸

As construtoras focadas na classe média entraram em 2025 vivendo a tempestade perfeita: juros altos, crédito caro, custo de obra pressionado e lançamentos minguando. Resultado? Margens comprimidas dos dois lados do balcão (da empresa e do comprador).


Quem sente primeiro são as incorporadoras que operam na faixa entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões. Nem popular o suficiente para contar com subsídio, nem premium o bastante para ignorar juros.


E quando o ciclo vira, ele não pede licença.


📉 Vender não basta quando o capital some

No papel, o mercado ainda gira. Na prática, a parcela deixou de caber no bolso de muita gente. Com o crédito imobiliário mais caro para consumidores e para as empresas, os lançamentos desaceleraram. E o efeito colateral veio rápido:


➡️ endividamento

➡️ atrasos de obra

➡️ venda de ativos

➡️ redução de equipe


Não é uma crise sistêmica. Mas é um alerta estrutural.


You,Inc: crescimento acelerado, freada brusca

A You,Inc virou um retrato quase didático desse momento. A empresa surfou forte enquanto o mercado permitiu — e acelerou lançamentos mirando um IPO que nunca veio. Quando a janela fechou, ficou com o custo… e sem o caixa. Números que contam a história:


  • Patrimônio líquido: –R$ 89,9 milhões

  • Dívida: caiu de R$ 998 milhões para R$ 629 milhões

  • Vendas: –71% no ano

  • Ebitda: –R$ 10 milhões


Para respirar, a saída foi vender participação em quatro projetos icônicos — inclusive na Oscar Freire. Ficou com 0,01% aqui, 0,05% ali. Liquidez acima de controle.


A gestão diz que é readequação. O mercado lê como sobrevivência.


⏱️ A obra anda, mas o relógio corre

Dos 19 canteiros em São Paulo, dois precisaram ser retomados. No Tribunal de Justiça, 13 processos por atraso em 2025, contra apenas um no ano anterior. Ao mesmo tempo:


  • corte de equipe

  • queda de despesas operacionais

  • aumento na remuneração da administração


Coincidência? No mercado imobiliário, quase nunca é.


🧱 Patriani: quando o juro come a margem

Se a You sofreu no financeiro, a Patriani sofreu no canteiro.


A equação era cruel:

➡️ cliente corrigido a 6% ao ano

➡️ banco cobrando 22%


Essa diferença não fecha. Ela corrói. Com caixa pressionado, vieram:


  • atrasos de pagamento

  • paralisação temporária de obras

  • demissão de 400 dos 800 funcionários


O VGV caiu de R$ 1,7 bilhão para R$ 900 milhões em um ano. A resposta foi dura, mas pragmática: terceirizar execução, vender projetos alavancados, focar em entrega e zerar lançamentos em 2026.


O plano agora é voltar… menor. E diferente.


🧠 Não é crise de mercado. É crise de modelo.

Segundo o Secovi-SP, não há colapso na classe média. Há normalização.Mas os relatórios do Itaú BBA são mais diretos:quem sobreviveu em 2025 o fez por força própria, não por ajuda do cenário.


E repare no detalhe:


✔️ Cyrela

✔️ Moura Dubeux

✔️ Lavvi


Todas no alto padrão. Enquanto isso, a classe média sofre com:


  • queda da poupança

  • menos crédito para obra

  • menos lançamentos

  • mais risco operacional


A demanda existe. O acesso, não.


A pergunta que fica

Se vender não é o problema…se o consumidor ainda quer comprar… quantas incorporadoras conseguem atravessar esse ciclo sem mudar o modelo de negócio?


Porque no mercado imobiliário, uma coisa ficou clara em 2025: crescer sem capital barato virou luxo.

 
 
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