Endividadas, construtoras focadas na classe média recorrem à venda de empreendimentos
- Redação Liga News
- há 2 minutos
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A demanda existe, o desejo também, mas juros altos, crédito caro e custo de obra pressionado estão forçando incorporadoras da classe média a rever estratégia, escala e até sobrevivência.

A demanda até existe. O desejo também. O que não fecha mais… é a conta. 💸
As construtoras focadas na classe média entraram em 2025 vivendo a tempestade perfeita: juros altos, crédito caro, custo de obra pressionado e lançamentos minguando. Resultado? Margens comprimidas dos dois lados do balcão (da empresa e do comprador).
Quem sente primeiro são as incorporadoras que operam na faixa entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões. Nem popular o suficiente para contar com subsídio, nem premium o bastante para ignorar juros.
E quando o ciclo vira, ele não pede licença.
📉 Vender não basta quando o capital some
No papel, o mercado ainda gira. Na prática, a parcela deixou de caber no bolso de muita gente. Com o crédito imobiliário mais caro para consumidores e para as empresas, os lançamentos desaceleraram. E o efeito colateral veio rápido:
➡️ endividamento
➡️ atrasos de obra
➡️ venda de ativos
➡️ redução de equipe
Não é uma crise sistêmica. Mas é um alerta estrutural.
You,Inc: crescimento acelerado, freada brusca
A You,Inc virou um retrato quase didático desse momento. A empresa surfou forte enquanto o mercado permitiu — e acelerou lançamentos mirando um IPO que nunca veio. Quando a janela fechou, ficou com o custo… e sem o caixa. Números que contam a história:
Patrimônio líquido: –R$ 89,9 milhões
Dívida: caiu de R$ 998 milhões para R$ 629 milhões
Vendas: –71% no ano
Ebitda: –R$ 10 milhões
Para respirar, a saída foi vender participação em quatro projetos icônicos — inclusive na Oscar Freire. Ficou com 0,01% aqui, 0,05% ali. Liquidez acima de controle.
A gestão diz que é readequação. O mercado lê como sobrevivência.
⏱️ A obra anda, mas o relógio corre
Dos 19 canteiros em São Paulo, dois precisaram ser retomados. No Tribunal de Justiça, 13 processos por atraso em 2025, contra apenas um no ano anterior. Ao mesmo tempo:
corte de equipe
queda de despesas operacionais
aumento na remuneração da administração
Coincidência? No mercado imobiliário, quase nunca é.
🧱 Patriani: quando o juro come a margem
Se a You sofreu no financeiro, a Patriani sofreu no canteiro.
A equação era cruel:
➡️ cliente corrigido a 6% ao ano
➡️ banco cobrando 22%
Essa diferença não fecha. Ela corrói. Com caixa pressionado, vieram:
atrasos de pagamento
paralisação temporária de obras
demissão de 400 dos 800 funcionários
O VGV caiu de R$ 1,7 bilhão para R$ 900 milhões em um ano. A resposta foi dura, mas pragmática: terceirizar execução, vender projetos alavancados, focar em entrega e zerar lançamentos em 2026.
O plano agora é voltar… menor. E diferente.
🧠 Não é crise de mercado. É crise de modelo.
Segundo o Secovi-SP, não há colapso na classe média. Há normalização.Mas os relatórios do Itaú BBA são mais diretos:quem sobreviveu em 2025 o fez por força própria, não por ajuda do cenário.
E repare no detalhe:
✔️ Cyrela
✔️ Moura Dubeux
✔️ Lavvi
Todas no alto padrão. Enquanto isso, a classe média sofre com:
queda da poupança
menos crédito para obra
menos lançamentos
mais risco operacional
A demanda existe. O acesso, não.
A pergunta que fica
Se vender não é o problema…se o consumidor ainda quer comprar… quantas incorporadoras conseguem atravessar esse ciclo sem mudar o modelo de negócio?
Porque no mercado imobiliário, uma coisa ficou clara em 2025: crescer sem capital barato virou luxo.










