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Custos da construção: pressão da mão de obra deve continuar em 2026

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • 15 de jan.
  • 3 min de leitura

Com materiais em desaceleração, energia pressionando serviços e salários em alta, a mão de obra segue como o principal vetor de custo da construção civil.


Custos da construção: pressão da mão de obra deve continuar em 2026

O INCC-DI encerrou dezembro de 2025 com alta de 0,21%, desacelerando em relação a novembro (0,27%). À primeira vista, um alívio. Mas só à primeira vista.

Quando se abre a planilha, o recado fica claro: materiais perderam fôlego, serviços ficaram estáveis… e a mão de obra segue puxando a conta para cima.


Em um setor que depende de gente (e cada vez encontra menos), esse detalhe muda tudo.


Materiais caem, mas nem todos querem colaborar 🧱

O grupo Materiais e Equipamentos desacelerou de 0,28% para 0,15% no mês, ajudando a conter o índice geral. No acumulado de 2025, a alta foi de 3,61%, bem abaixo dos 5,34% registrados em 2024.


Parte dessa ajuda veio do aço: vergalhões e arames ficaram 7,33% mais baratos no ano. Um presente raro.


Mas nem todos os insumos entraram no espírito natalino. Tubos de PVC (+14,76%), vidros (+11,43%) e condutores elétricos (+10,46%) lembraram que a inflação setorial ainda escolhe seus alvos.


Serviços sobem… puxados pela conta de luz ⚡

O componente Serviços acelerou no acumulado de 2025, fechando o ano com alta de 5,45%. O vilão tem nome e sobrenome: energia elétrica, com aumento expressivo de 15,84%.


Nada muito fora do roteiro. O problema é que serviços não são o maior peso da obra. Quem manda mesmo está em outro grupo.


Mão de obra: o custo que não recua (e não deve recuar) 👷‍♂️

O verdadeiro motor da pressão foi, novamente, a mão de obra. Em dezembro, o componente acumulava alta de 8,98% em 12 meses — bem acima do IPCA. Não é exceção. É padrão.


Desde 2022, os custos com trabalhadores da construção crescem acima da inflação oficial, refletindo um mercado de trabalho apertado, envelhecimento da força produtiva e dificuldade crônica de reposição.


📍 Em todas as capitais, os salários subiram mais que o IPCA.

📍 São Paulo liderou o descolamento: o ICC-SP fechou 2025 em 6,86%, acima da média nacional.


Traduzindo: obra anda, mas o custo anda mais rápido.


INCC sobe, IGP cai: uma contradição que explica o setor 📉

Enquanto o INCC-DI acumulou alta de 5,92% em 2025, o IGP-DI caiu 1,20% no mesmo período. A deflação do índice geral veio do IPA, puxado por quedas na indústria extrativa e na agricultura.


Ou seja:

👉 o Brasil sentiu alívio nos preços no atacado

👉 a construção civil, não.


E 2026? Inflação menor, custo maior? 🤔

O mercado projeta um IPCA de 4,05% em 2026, segundo o último Relatório Focus. A desaceleração da economia ajuda esse cenário. Mas a construção deve seguir na contramão.


Dados da Sondagem da Construção do FGV IBRE mostram que:


  • 32,5% das empresas pretendem aumentar o quadro de funcionários em 2026

  • Apenas 14,9% planejam reduzir


A diferença positiva indica mais demanda por trabalhadores — justamente onde já falta gente. Resultado previsível? A escassez de mão de obra segue no topo do ranking de dificuldades do setor.


O velho descompasso deve se repetir

Para 2026, o roteiro parece conhecido:


  • Materiais e equipamentos devem acompanhar a inflação, ajudados pelas commodities.

  • Mão de obra, pressionada por um mercado apertado, deve subir acima do IPCA mais uma vez.


No fim das contas, o custo da construção não explode por falta de insumo (explode por falta de gente).


E enquanto o setor não resolver esse gargalo estrutural, o crachá seguirá mais caro que o concreto.

 
 
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