Rooftops viram o novo “padrão ouro” dos prédios em SP
Redação Liga News
7 de out. de 2025
2 min de leitura
De status a experiência: rooftops substituem coberturas exclusivas em SP e redefinem o conceito de luxo na arquitetura residencial.
No topo: a prainha particular do Air Brooklin, a mais de cem metros de altura — Foto: EZTEC/Divulgação
Durante muito tempo, morar na cobertura era o ápice do status urbano — exclusividade, vista privilegiada e, claro, o tíquete mais alto por metro quadrado. Mas a cobertura perdeu o trono. Agora, o topo dos prédios virou espaço compartilhado — e o novo símbolo de luxo é o “rooftop para todos”.
Em São Paulo, incorporadoras de médio e alto padrão estão trocando o antigo apartamento dos sonhos por piscinas de borda infinita, academias, saunas e salões de festas panorâmicos. O objetivo? Democratizar a vista e, de quebra, vender mais unidades com um storytelling que brilha no Instagram. 📸
O cálculo que faz sentido no papel (e no bolso) 💰
No aflalo/gasperini arquitetos, 70% dos projetos residenciais já levam o lazer para o topo ou pavimentos intermediários. As incorporadoras, claro, perdem a cobertura de luxo, mas ganham na precificação das demais unidades, valorizadas pela vista compartilhada. No fim das contas, o VGV sobe, o retorno se mantém e o marketing agradece.
A vista que virou ativo 🌆
Um exemplo? A Idea!Zarvos abriu mão da cobertura no projeto DAMATA, entre a Nove de Julho e a Rua da Mata, para explorar a vista do “tapetão verde” do Jardim Europa. Segundo o CEO Otávio Zarvos, em entrevista para o Metro Quadrado, a diluição da perda ficou em apenas 3% por unidade.
“Temos a conta aritmética e a subjetiva. As pessoas só vão perceber o benefício quando estiverem morando ali”, diz.
Mas nem tudo é vista de drone. Zarvos pondera: “se o prédio está cercado de outros edifícios, o topo mostra só antenas e fachadas feias — às vezes, vale mais ter uma cobertura mesmo.”
Quando a lei empurra a tendência 📜
A estética é um fator, mas a virada vem mesmo do Plano Diretor de São Paulo. Antes, o lazer no térreo não contava no potencial construtivo — agora, parte dele pode subir, sem comprometer área computável.
Cada unidade dá 3 m² extras de lazer fora do térreo. Um prédio com 100 apartamentos?
São 300 m² a mais para piscina, academia ou salão de festas suspenso.
E mais: com as fachadas ativas, que incentivam o uso público do térreo, a prefeitura ainda premia com 0,5% de potencial de lazer nos andares superiores.
Todo mundo dono da vista ☀️
Na Benx Incorporadora, o rooftop também chegou ao segmento popular. A linha VivaBenx, voltada ao MCMV, já inclui áreas de lazer coletivas no último andar, como churrasqueiras e espaços de convivência.
Se antes a exclusividade era morar no topo, agora é poder compartilhar a vista — e o Wi-Fi — com os vizinhos.