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Imóveis ficam mais baratos em 2026? A Selic recua, mas os preços resistem

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Com juros em queda, o mercado imobiliário entra em 2026 pressionado por custos, escassez de terrenos e um repasse de preços que ficou represado nos últimos anos.

Imóveis ficam mais baratos em 2026? A Selic recua, mas os preços resistem

Quem espera que a queda da Selic traga alívio imediato para o bolso pode se frustrar. Mesmo com juros em trajetória de baixa, os preços dos imóveis devem seguir subindo em 2026. O motivo não é mistério, é estrutural.

Terreno escasso nas áreas mais desejadas, custos de construção pressionados, falta de mão de obra qualificada e um represamento de preços que só agora começa a ser destravado. Antes, simplesmente não dava: o comprador não aguentava a parcela.

Agora, aguenta. Ou tenta.


Os números confirmam: imóvel voltou a ganhar da inflação 📊

O Índice FipeZap mostra que a virada já aconteceu.Entre janeiro e novembro de 2025, os preços dos imóveis subiram 6,22%, acumulando 6,92% em 12 meses, acima da inflação do período (5,17%).


O preço médio do metro quadrado no país chegou a R$ 9.585. Em São Paulo, o principal termômetro do setor, o metro quadrado está em R$ 11.882, com alta próxima de 5% em um ano.


E nos lançamentos? A régua é outra.


Lançamento não perdoa: São Paulo já fala em R$ 15,8 mil/m² 🏙️

Dados da Brain Inteligência Estratégica mostram que, em outubro, o metro quadrado dos lançamentos na capital paulista chegou a R$ 15,8 mil, contra R$ 14,7 mil um ano antes.


Segundo Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain, em entrevista para o Estadão, o espaço para novos aumentos não é homogêneo. Algumas capitais já “esticaram demais” a corda, caso de Curitiba e Porto Alegre. Outras ainda têm fôlego, como Goiânia e Fortaleza.


São Paulo? Depende do bairro, da tipologia e (claro) do estoque disponível.


Ano eleitoral, crédito solto e preços firmes? 🎯

Para Carlos Honorato, economista da FIA, 2026 tende a repetir o roteiro recente: alta gradual de preços, mesmo com ruídos políticos no radar.


A lógica é simples. E conhecida: ano eleitoral costuma vir acompanhado de torneiras abertas, estímulos ao crédito e pressão por juros mais baixos. Salvo uma crise internacional fora do script, o mercado segue aquecido.


O que dizem as empresas: otimismo com cautela (e contas na ponta do lápis)

Do lado das incorporadoras, o tom é positivo. 2026 será o primeiro ano completo com a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida e com o novo desenho do compulsório da poupança, duas apostas diretas na classe média.


No alto padrão, Cláudio Carvalho, CEO da AW Realty, projeta preços andando junto da inflação, sem saltos abruptos. A demanda, segundo ele, continua firme, tanto no premium quanto na média-alta.


A empresa fechou 2025 com R$ 1 bilhão em VGV lançado, marca inédita. Para 2026, a expectativa é repetir o desempenho, com chance de crescimento se a Selic realmente cair de 15% para 12%.


Classe média pode ver descontos? Talvez, mas não é regra 🏷️

Bruno Sindona, do Instituto das Cidades, enxerga um cenário mais heterogêneo. Para a classe média, pode haver estabilização e até descontos, especialmente em imóveis prontos.


O motivo é menos romântico: endividamento alto. Incorporadoras precisam girar estoque, quitar financiamentos e reduzir alavancagem. Desconto, aqui, é ferramenta financeira.

Na moradia popular, porém, o jogo muda. Com mais crédito via FGTS e custo de mão de obra em alta, os preços tendem a subir, ainda que de forma moderada.


E os aluguéis? Seguem pressionados. Financiar ficou mais difícil, morar de aluguel ficou mais caro.


Terreno vira o novo ouro (e o mapa muda) 🌍

Como toda cadeia produtiva, o mercado imobiliário começa na matéria-prima: o terreno. E a expectativa é de alta contínua.


Segundo Thomaz Brancati, sócio da Allrea, a bola da vez são cidades médias, com mais de 100 mil habitantes, e regiões em expansão urbana. Menos concorrência, déficit habitacional relevante e retorno mais previsível.


No Nordeste, o apetite se volta à multipropriedade. No Sudeste, especialmente em São Paulo, o foco segue sendo incorporação residencial, onde o potencial de retorno continua falando mais alto.


No fim das contas…

Se alguém ainda espera que juros mais baixos tragam imóveis mais baratos, talvez esteja olhando o retrovisor. O mercado já virou a página.


Em 2026, o desafio não será encontrar demanda, será equilibrar preço, custo e acesso num setor cada vez mais pressionado por fatores estruturais.


 
 
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