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Construtora Gafisa resiste ao nono pedido de falência

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • há 5 minutos
  • 2 min de leitura

Prejuízo, ações em queda e denúncias criminais ampliam incerteza sobre o futuro da companhia.


O que está por trás dos atrasos nas incorporadoras

Nove. Esse é o número de pedidos de falência apresentados contra a Gafisa no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Nove vezes em que credores bateram à porta do Judiciário dizendo: “a conta não fecha”. E nove vezes em que a construtora acionou o mesmo mecanismo para evitar o pior.


Coincidência? Estratégia? Ou sinal de fragilidade estrutural?


⚖️ O “depósito elisivo”: a blindagem jurídica

O instrumento é técnico, mas o efeito é direto: chama-se depósito elisivo. Na prática, a empresa deposita judicialmente o valor cobrado na ação como garantia.


É uma forma de sinalizar ao juiz que tem condições de pagar (e, assim, afastar o risco imediato de falência).


Funciona como um “colchão” processual. Mas a pergunta que o mercado faz é outra: se está tudo sob controle, por que tantos pedidos?


O mais recente foi movido por uma ex-funcionária terceirizada que cobra R$ 1,3 milhão.


Isoladamente, o valor não assusta para uma companhia listada. Mas somado ao histórico recente, o sinal de alerta pisca.


📉 Os números que pesam

No terceiro trimestre de 2025, a Gafisa reportou prejuízo de R$ 92,1 milhões. Em 12 meses, as ações acumulam desvalorização de 84,6% na B3.


Quase todo o valor de mercado evaporou. O investidor não reage a um trimestre ruim.Reage à perda de confiança. E confiança, quando sai do gráfico, é difícil de recuperar.


🔎 O fator Tanure

Como se a pressão financeira não bastasse, o ambiente jurídico adiciona volatilidade ao cenário.


O empresário Nelson Tanure, apontado como principal acionista e descrito como “sócio oculto” do Banco Master, foi alvo da segunda fase da operação Compliance Zero.


Em dezembro de 2025, o Ministério Público Federal apresentou denúncia por suposto uso de informação privilegiada (insider trading) e manipulação em operações de aumento de capital da Gafisa entre 2019 e 2020.


Em janeiro de 2026, a 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo aceitou a denúncia.


No mercado, processos judiciais envolvendo controladores não são apenas ruído. São risco reputacional.


E risco reputacional tem efeito direto sobre crédito, captação e percepção de solvência.


🏗️ Crise passageira ou desgaste prolongado?

Empresas enfrentam disputas judiciais o tempo todo. Prejuízos acontecem. Ciclos imobiliários são voláteis.


Mas nove pedidos de falência criam narrativa. E narrativa influencia mercado.


A estratégia do depósito elisivo tem funcionado para evitar o colapso formal. A questão é outra: ela resolve o problema, ou apenas compra tempo?


📊 O que está em jogo

✔️ Confiança do investidor

✔️ Acesso a crédito

✔️ Relação com fornecedores

✔️ Percepção de estabilidade


No setor imobiliário, reputação é ativo. E ativo intangível também sofre depreciação.

A Gafisa resiste juridicamente.


Mas o mercado quer saber se a recuperação virá pelos resultados, ou se a empresa continuará operando sob a sombra constante do risco.


Porque no fim, falência não começa no tribunal. Começa na perda de confiança.

 
 
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