FGV corta projeção do PIB da construção e manda recado para 2026
- Redação Liga News

- 12 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Com varejo parando e custos subindo 10%, setor entra 2026 com otimismo moderado e muitos alertas.

O PIB da construção civil vai entrar em 2026 pisando no freio.A FGV e o Sinduscon-SP reviram as projeções — de novo. A conta agora é 1,8% de crescimento, bem abaixo dos 2,2% anteriores… e distante da animação de janeiro, quando se falava em 3%.
👉 Foi o segundo corte no ano — e o mais dolorido. Ana Maria Castelo (FGV/Ibre) foi direta: o desempenho deve ficar abaixo até do cenário pessimista traçado lá atrás. E quando o cenário pessimista vira referência, sabemos onde estamos.
🏠 O consumo das famílias derreteu. E puxou o setor junto
O vilão é conhecido: juros altos + renda apertada + endividamento. O combo que trava reformas, obras pequenas e o eterno “depois eu arrumo”.
Em 2024, só 47% da demanda por materiais veio das famílias — uma das menores participações em anos. A construção sempre contou com o varejo para equilibrar o jogo… mas dessa vez, ele não veio. E aí, quem ficou segurando o piano?
🏗️ Construtoras carregam o ano nas costas (de novo)
Segundo a própria FGV, o crescimento de 1,8% só vai existir porque as construtoras vão puxar o PIB do setor para cima. O PIB das empresas deve subir 2,7%, repetindo o papel de 2024:“se depender do varejo, não entrega — mas as construtoras entregam”.
Enquanto isso, Robson Gonçalves (FGV) lembra que 2025 foi o ano da desaceleração, da inflação teimosa e dos juros reais perto de 10%.Com esse custo de capital, investimento vira quase ato de heroísmo.
Mas há um fio de esperança: em 2026, os juros podem cair “moderadamente”. (A palavra é essa mesmo: moderadamente. Nada de festa.)
🛣️ Infraestrutura segue firme — e privada
Enquanto o varejo patina, a infraestrutura faz o movimento oposto.O investimento deve crescer 3,9%, chegando a R$ 277 bilhões em 2025 — puxado principalmente pelo setor privado, via concessões.
Se a construção tem um braço mais forte hoje, é esse.
🏘️ Imobiliário não esfria — mas divide sentimentos
Os números seguem positivos:
Lançamentos em alta
Vendas residenciais crescendo
Minha Casa Minha Vida perto de 400 mil contratações em 2025
Mas, como tudo no Brasil, há um porém.
Projetos de média e média-alta renda sofrem com os juros altos. Enquanto isso, o MCMV continua como a base mais estável do setor.
⚠️ Mão de obra: o calcanhar de Aquiles (com preço de ouro)
Aqui mora o maior risco estrutural. O mercado chegou ao pleno emprego em 2025, e os custos com pessoal devem fechar o ano com alta de 10%.Yorki Estefan (Sinduscon-SP) alerta: mão de obra qualificada será escassa — e cara.
E para complicar: o Reforma Casa Brasil tende a disputar trabalhadores com as construtoras, principalmente no mercado informal. Mais demanda, mesma oferta: sabemos o que acontece.
🤨 Empresários ainda cautelosos, mas prontos para contratar
A sondagem mostra um setor moderadamente pessimista, mas… contratando. Sim: mesmo inseguros, os empresários esperam aumento nos quadros. O programa de reformas também deve aquecer serviços especializados.
É aquele otimismo cauteloso, bem brasileiro: “tá difícil, mas dá para trabalhar.”
🚨 O risco que ninguém controla: fiscal
Se o cenário político já traz incerteza (eleições de 2026, ambiente externo instável…), o risco fiscal fecha o combo.
Ana Maria (FGV) foi dura: Se o fiscal não for enfrentado em 2027, a deterioração será forte — com impacto direto em obras e investimentos.
Eduardo Zaidan, vice-presidente do Sinduscon-SP, resumiu com precisão cirúrgica:
“No mínimo, teremos um ano turbulento.”










