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Construção cortou 8 mil vagas de ensino superior em 2025, diz estudo da FGV

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    Redação Liga News
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Juros elevados começam a impactar qualidade do emprego formal no País.


Construção cortou 8 mil vagas de ensino superior em 2025, diz estudo da FGV

O mercado de trabalho brasileiro segue “robusto”, segundo os dados oficiais.

Mais gente ocupada.

Mais carteiras assinadas.

Recordes sendo renovados.


Mas há um detalhe incômodo escondido nas estatísticas.


Enquanto o País abriu 1,27 milhão de vagas formais em 2025, a construção civil eliminou 8.179 postos com ensino superior completo.


Sim, você leu certo.


O Brasil emprega mais. Mas dispensa os mais qualificados em alguns setores estratégicos.

Coincidência? Não. Juros.


🏗️ A construção sentiu primeiro

A construção civil é um termômetro clássico da economia. Quando os juros sobem, o crédito encarece. Quando o crédito encarece, o investimento trava.


Quando o investimento trava, as contratações param. E foi exatamente isso que aconteceu.


Segundo estudo de Janaína Feijó e Helena Zahar, do Ibre/FGV, com base nos microdados do Novo Caged: o setor cortou 8.179 vagas formais de profissionais com ensino superior em 2025.


Apenas 1,9% das novas vagas criadas no País exigiram diploma universitário. O dado é mais simbólico do que parece.


Estamos gerando emprego, mas não necessariamente produtividade.


💰 O efeito tardio do juro alto

Os juros elevados, associados ao endividamento público, atuam como freio silencioso.


Não derrubam o emprego no primeiro mês. Mas corroem a confiança aos poucos.


A partir de junho, os saldos começaram a ficar negativos. Desde agosto, a geração de vagas perdeu força. No último trimestre, a desaceleração se consolidou.


Em dezembro, o choque:

📉 618 mil vagas formais perdidas no mês (o pior dezembro da série histórica).


Com exceção da agropecuária, todos os setores recuaram. O mercado não desaba de uma vez. Ele esfria por camadas.


O dilema estrutural

O Brasil tem um problema antigo:

✔️ Encargos trabalhistas elevados

✔️ Custo de contratação alto

✔️ Ambiente de negócios instável

✔️ Expectativas empresariais frágeis


Quando o cenário econômico parece adverso, a decisão é simples: adiar contratações. Principalmente as mais caras (como especialistas).


O resultado?

Menos engenheiros.

Menos arquitetos.

Menos profissionais qualificados na construção.

E mais vagas de menor remuneração espalhadas pela economia.


📊 Crescemos em quantidade. Mas e a qualidade?

A população ocupada aumenta. Mas 38% dos trabalhadores seguem na informalidade. Sem garantia. Sem proteção. Sem contribuição previdenciária adequada.


É um crescimento que gera renda no curto prazo, mas fragiliza a base fiscal e a produtividade no longo prazo.


E aqui mora a pergunta incômoda: estamos construindo um mercado de trabalho forte ou apenas volumoso?


2026: mais incerteza no horizonte

O próximo ano adiciona novas variáveis:

🗳️ Eleições no segundo semestre

⚽ Copa do Mundo

📦 Possíveis pacotes de estímulo


Empresários tendem a esperar. Esperar para ver quem ganha. Esperar para entender a política econômica. Esperar antes de contratar.


E o emprego formal, especialmente o mais qualificado, depende de confiança.


🧭 O que está em jogo

O resgate do fôlego passa por dois pilares:

1️⃣ Redução consistente da taxa básica de juros

2️⃣ Melhoria real no ambiente de negócios


Sem isso, o Brasil pode continuar criando vagas, mas não necessariamente construindo uma economia mais sofisticada.


Porque emprego não é apenas número. É qualidade. É produtividade. É futuro.


E a construção civil já deu o recado. A economia pode até parecer aquecida na superfície.


Mas, por baixo, os juros continuam apertando os parafusos.

 
 
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