Faria Lima entra no ranking das 30 ruas mais caras das Américas
- Redação Liga News

- 1 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Com alta de 43% nos aluguéis e escassez de espaços comerciais, a Faria Lima estreia entre as ruas mais caras das Américas, mesmo sem vocação varejista.

A Avenida Faria Lima acaba de entrar no seleto ranking das 30 ruas mais caras das Américas, segundo o estudo Main Streets Across the World 2025, da Cushman & Wakefield. Sim, uma via corporativa, focada em lajes premium, agora divide espaço com os corredores de luxo mais desejados do planeta. Ironia urbana? Talvez. Tendência? Definitivamente.
O trecho sul da via alcançou a 25ª posição após um salto impressionante de 43% no valor do aluguel, chegando a € 920/m²/ano.
Não é pouca coisa para uma rua onde o que menos se vê é… loja.
🛍️ Uma rua sem vocação varejista, mas com preços de shopping de luxo
“É justamente isso que chama a atenção”, diz Dennys Andrade, head de pesquisa da Cushman & Wakefield. A Faria Lima não tem a lógica de Soho, Rodeo Drive ou Oscar Freire.
O que ela tem é outra força: o metro quadrado corporativo mais desejado do país, preços quase o dobro da média de São Paulo, e uma disputa feroz por qualquer ponto disponível — mesmo os comerciais.
Com escassez de espaços, contratos longos e empresas brigando para colocar o CEP no currículo institucional, era questão de tempo até os valores explodirem. E explodiram.
O Brasil colocou quatro ruas no top 30 — e só uma está no ranking global
Fora a Faria Lima, o Brasil consolida um quarteto de endereços de prestígio nas Américas:
22ª — Oscar Freire (SP): o grande destaque nacional, única brasileira no ranking global (34ª). Registrou alta de 65%, a maior entre todos os corredores mapeados. Hoje cobra € 1.100/m²/ano.
28ª — Visconde de Pirajá (RJ): € 821/m²/ano, crescimento de 30%.
29ª — Garcia D’Ávila (RJ): € 784/m²/ano, aumento de 20%.
São Paulo puxa pelo valor; o Rio, pela força do comércio de rua — um patrimônio cultural que segue vivo em Ipanema.“Essas ruas têm uma história de varejo muito própria, com fluxo estável de moradores e turistas”, resume Andrade.

🌎 O mundo continua caro e Londres retomou o trono
No ranking global, Londres voltou ao topo com a New Bond Street cobrando € 20.400/m²/ano.A média mundial de aumento foi modesta (4,2%), mas as Américas ficaram acima — 7,9% de crescimento, puxadas principalmente pela América do Sul.
A combinação de inflação mais controlada, turismo internacional reacelerando e salários reais em alta fortaleceu o apelo dos “corredores premium” ao redor do mundo.

No fim, a pergunta que fica é:
Se até a Faria Lima virou “rua de aluguel de luxo”, o que isso diz sobre a nova economia urbana do Brasil? Que o varejo mudou? Que a lógica do prestígio se redistribuiu? Ou que São Paulo está, finalmente, disputando o jogo global de endereços AAA?
Talvez seja tudo isso ao mesmo tempo.










