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Com crédito curto, construtoras de luxo veem saída em nova regra do governo

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • 8 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Nova política habitacional reposiciona o SBPE, turbina o MCMV e empurra gigantes do luxo ao segmento econômico.


Com crédito curto, construtoras de luxo veem saída em nova regra do governo

A política de crédito habitacional lançada em outubro pelo governo (um pacote que injeta R$ 35 bilhões no SBPE) está reorganizando o tabuleiro do mercado imobiliário. Quem diria: as incorporadoras de alto padrão, acostumadas a vender metros quadrados dignos de mostruário, agora estão correndo atrás… da classe média.

E por quê? Porque o consumidor típico do SBPE simplesmente havia sumido do mapa.


“Quando o cliente vai ao banco privado fica difícil por causa dos juros”, resume Paulo Petrin, VP da One Innovation. E não é exagero: com a Selic que já bateu 15% em 2025, a demanda ficou represada por dois anos.


Mas o pacote veio com mudanças que mexem com o jogo:

  • liberação de 5% dos compulsórios da poupança;

  • teto do SFH subindo para R$ 2,25 milhões;

  • juros limitados a 12% ao ano nessa linha.


Uma equação que, na prática, devolve oxigênio ao segmento que mais sente o bolso.


Por que a classe média virou o “buraco negro” do mercado?

Enquanto a baixa renda tem MCMV e a alta renda… bem, não precisa de ajuda, a classe média ficou anos sem política pública, sem crédito barato e com preços subindo mais rápido que sua renda disponível.


“Era o segmento com maior escassez de crédito”, explica Fábio Tadeu Araujo, CEO da Brain, para o Estado de São Paulo. E ele vai além: o aumento do teto do SFH não é para comprar imóveis maiores — é apenas “acompanhar a alta de preços”.


Ou seja: a medida não cria demanda artificial. Ela só corrige o atraso.


📈 MCMV dispara e puxa as incorporadoras para baixo (no bom sentido)

Se o topo pirou no preço e a base está protegida, onde está o crescimento real do mercado? Nos econômicos.


As vendas do MCMV deslancham desde 2023, com novas faixas, juros menores e mais subsídio.O efeito é imediato:


  • 60% das vendas de SP nos últimos 12 meses foram de imóveis econômicos (eram 53%);

  • alta de 36% no volume vendido;

  • 74,8 mil unidades lançadas — uma disparada de 35%;

  • representando 60% dos lançamentos da cidade.


Com essa maré, virou inevitável: as incorporadoras de luxo estão descendo a escada e entrando no jogo popular.


🧱 “Compactos são defensivos”: o novo mantra das incorporadoras de alto padrão

Com juros ainda altos e incertezas macro, a aposta é simples: compactos vendem em qualquer cenário.


E algumas empresas já transformaram isso em estratégia. A One Innovation criou a unidade Moby Life, totalmente dedicada a econômicos — e já chega entrando com ficha alta:


  • 6 terrenos comprados;

  • lançamentos a partir de 2026;

  • escala para um VGV entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões;

  • depois de testar o modelo num piloto de R$ 80 milhões na Barra Funda.


Chamam isso de “produto defensivo”. E não deixa de ser curioso: quem sempre vendeu luxo agora aposta em volume, escala e ticket médio.


Ironia do mercado? Talvez. Mas é, acima de tudo, leitura de oportunidade.


🏘️ No fim, a pergunta que fica é simples: a classe média volta a comprar?

Com juros limitados, SBPE reforçado e teto ampliado, o cenário melhora. Mas crédito não é o único gatilho.Confiança, emprego e previsibilidade também contam.


Uma coisa, porém, já está clara: as incorporadoras voltaram a olhar para o público que mais ficou de fora da festa nos últimos anos — e agora querem recuperá-lo com força.

E essa disputa promete crescer rápido.


 
 
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