Mercado imobiliário registra primeira queda relevante nas vendas anuais devido a Selic
- Redação Liga News

- 18 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Setor sente o impacto da Selic de 15% com queda de 6,5% nas vendas, mas MCMV cresce, lançamentos avançam e a Geração Z surpreende como líder na intenção de compra.

Sim, o setor vendeu mais de 100 mil unidades no 3º tri de 2025. E ainda assim caiu 6,5% no comparativo anual.
Paradoxo? Nem tanto. Com a Selic estacionada em 15%, o financiamento ficou mais caro, a parcela subiu, a aprovação reduziu, e a decisão de compra das famílias desacelerou.
E o mais simbólico: até o Minha Casa Minha Vida, que vinha blindando o setor, recuou nas vendas. Quando até o MCMV pisca, é porque o juro está gritando.
O Brasil desacelerou, mas não todo ele
Os dados da CBIC + Brain mostram um país dividido:
Norte: +46,7% (o melhor desempenho do país)
Sul: +1,3%
Nordeste: –7,9%
Centro-Oeste: –20,8%
Sudeste: –9,8%
Quem depende mais de crédito? Caiu mais. Quem tem tíquete menor ou dinâmica demográfica favorável? Segurou.
SBPE sente o golpe mais forte
O segmento financiado pelo SBPE, imóveis de R$ 500 mil a R$ 2,25 milhões, foi o que mais sofreu.
Vendas: –30,7%
Lançamentos: –18,1%
Quando a Selic pesa, é esse mercado que ajoelha primeiro.E não teve jeitinho: a conta chegou.
Curiosamente, o valor movimentado subiu 5,6%, atingindo R$ 62,3 bi, reflexo do tíquete mais alto. Vende menos unidade, mas vende mais caro.
MCMV continua sendo o “pilar do impossível”
Mesmo com queda, o programa segurou o setor. Ele representou:
44% das vendas do país
44.885 unidades vendidas no trimestre
Participação de 61% no Norte e 54% no Sudeste
E o melhor: O estoque do MCMV gira em sete meses, algo que muito médio/alto padrão daria tudo para recuperar.
Em São Paulo, o programa não só resistiu, ele voou: +42,9% nas vendas e 22.798 unidades vendidas no trimestre.
São Paulo vira laboratório de contrastes
Dois destaques cristalizam o momento do mercado:
🏙️ Vila Buarque: valorização de 24,5% no m² em um ano.
📈 Itaquera: campeã de lançamentos do MCMV com 4.446 unidades.
É o mercado funcionando em duas velocidades, uma empurra preço, a outra empurra volume.
Lançamentos seguem firmes, quase teimosos
Mesmo com vendas mais fracas, o setor não tirou o pé:
108.819 unidades lançadas (+1,6%)
Sudeste: +13,1% e líder absoluto
VGL lançado: R$ 68,5 bi (+15,3%)
O estoque nacional subiu para 312.544 unidades (+3,3%).Risco? Talvez. Aposta? Com certeza.
O Centro-Oeste brilhou no trimestre: +53,5% nos lançamentos. O Norte foi o único a reduzir.
Geração Z desmonta mitos (e antecipa tendências)
Quem diria:A geração taxada como “do aluguel”, “do nomadismo”, “do desapego”…
…é justamente a que mais quer comprar um imóvel.
61% dos jovens de 21 a 28 anos têm intenção de compra para os próximos 24 meses.
No total: 48% dos brasileiros manifestam intenção: 2 p.p. acima do ano passado.
E tem mais: O número de famílias “ativas” na jornada de compra, visitando estandes, falando com corretores, cresceu em 900 mil no trimestre, chegando a 2,6 milhões, o maior volume desde 2024.
Metade está vivendo algum momento de transição (primeiro imóvel, saída do aluguel, mudança familiar).
A Selic travou? Travou. Mas não destruiu o desejo.










