O mercado está exagerando o risco da construção civil? Analistas defendem Cyrela, Cury e Direcional
- Redação Liga News

- há 2 dias
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Mesmo com crescimento operacional e vendas resilientes, incorporadoras como Cyrela, Cury, Direcional e MRV enfrentam forte desvalorização em Bolsa diante dos temores sobre inflação de custos e impacto do petróleo nas margens do setor.

As incorporadoras abriram 2026 mostrando números que, em teoria, deveriam agradar investidores.
Receitas cresceram. Lançamentos avançaram. Vendas seguem resilientes.
Mas na Bolsa, a história tem sido outra.
Segundo levantamento do Valor Data, repercutido pelo Valor Econômico, as ações das incorporadoras listadas acumulam queda média de quase 40% no ano.
O motivo não está no balanço.
Está no medo.
O petróleo virou o novo fantasma do setor 👻
A escalada das tensões no Oriente Médio e o avanço do petróleo recolocaram a inflação de custos no radar dos investidores.
O INCC já acumula alta de 6,28% em 12 meses e parte do mercado teme que o índice volte a se aproximar dos dois dígitos.
A preocupação atinge principalmente as empresas do Minha Casa, Minha Vida, onde os imóveis vendidos não têm seus preços corrigidos pela inflação durante a obra.
Resultado?
O segmento que até pouco tempo era considerado o "queridinho da Bolsa" passou a ser visto com mais cautela.
“Acaba trazendo o baixa renda para a dinâmica de percepção de risco”, afirmou Bruno Mendonça, líder de análise de real estate do Bradesco BBI, ao Valor Econômico.
Mercado vê risco. Empresas veem exagero.
Do lado das incorporadoras, o discurso é bem menos dramático.
Segundo Fanny Oreng, chefe de análise imobiliária do Santander, as empresas continuam conseguindo reajustar preços sem comprometer significativamente as vendas.
E os bancos seguem apostando no segmento.
O Santander mantém Cury e Direcional entre suas preferidas justamente pela capacidade de repassar custos e preservar margens.
A pandemia deixou cicatrizes
Parte da reação do mercado tem explicação histórica.
O setor ainda carrega as lembranças da explosão de custos ocorrida durante a pandemia, quando muitas incorporadoras viram margens evaporarem.
Agora, qualquer sinal de pressão inflacionária gera uma reação quase automática dos investidores.
Mas os executivos tentam mostrar que o cenário é diferente.
“Existe uma preocupação acima do necessário”, afirmou Ricardo Gontijo, CEO da Direcional, durante teleconferência com analistas.
Nem estoque virou problema desta vez
Curiosamente, alguns indicadores que antes preocupavam passaram a ser vistos como vantagem.
Na MRV, por exemplo, unidades já em construção significam menor exposição à inflação futura, já que boa parte dos custos já foi absorvida.
Na Direcional, um ritmo de vendas menos acelerado também reduz a quantidade de obras em estágio inicial — justamente as mais vulneráveis ao aumento de custos.
O mercado está olhando para frente demais? 👀
Enquanto investidores precificam desaceleração, as empresas seguem entregando resultados operacionais sólidos.
Para Leonardo Mesquita, co-presidente executivo da Cury, repassar preços não é tão simples quanto parece.
“A gente não vende petróleo”, resumiu o executivo ao Valor Econômico.
A frase ajuda a explicar o dilema atual do setor.
Os números continuam fortes.
As vendas seguem acontecendo.
Mas a Bolsa parece estar comprando um risco que ainda não apareceu nos resultados.
E talvez essa seja a principal disputa do mercado imobiliário neste momento:
a realidade dos balanços contra o medo do que pode acontecer amanhã.
Fonte: Valor Econômico. Entrevistas com Bruno Mendonça (Bradesco BBI), Fanny Oreng (Santander), Ricardo Gontijo (Direcional), Rafael Menin (MRV) e Leonardo Mesquita (Cury).











