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Com R$ 50 bi estaduais, pipeline de rodovias mira R$ 200 bilhões em investimentos

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • 23 de jan.
  • 3 min de leitura
Com leilões marcados, estados na disputa e novos modelos florestais e de carbono, o Brasil entra em 2026 com um pipeline que poucos países conseguem oferecer (e o mercado já percebeu).

Com R$ 50 bi estaduais, pipeline de rodovias mira R$ 200 bilhões em investimentos

Se 2025 foi bom para a infraestrutura, 2026 promete ser barulhento. Daqueles anos em que o investidor não pergunta se vai ter leilão (pergunta qual vai escolher).

Só em concessões rodoviárias estaduais, a expectativa é de R$ 50 bilhões. Se tudo sair do papel, o volume total de aportes no segmento pode bater R$ 200 bilhões até o fim do ano.


Nada mal para um país que passou anos explicando risco regulatório em roadshow.


🛣️ Rodovias: quando o pipeline vira ativo estratégico

“Chama atenção a expectativa de uma carteira enorme de concessões de rodovias.” A frase é de Guilherme Naves, sócio da Radar PPP, em entrevista para a Folha de S. Paulo.


Mas poderia estar em qualquer apresentação para investidor estrangeiro hoje. Além do pacote federal, quatro estados entram forte no jogo:


  • São Paulo

  • Minas Gerais

  • Rio Grande do Sul

  • Amazonas


Projetos em fases diferentes, é verdade. Mas com algo raro no Brasil: probabilidade real de sair. Destaque imediato: Rota Mogiana (SP)


• 532 km

• Leilão em fevereiro

R$ 9,3 bilhões em investimentos previstos


No Amazonas, o edital ainda não saiu (mas já se fala em três lotes). O mercado, claro, já está fazendo conta.


Governo federal: previsibilidade virou diferencial competitivo?

O governo Lula prevê 13 leilões federais de rodovias em 2026. E, mais importante que o número, veio o gesto que o mercado pede há décadas: calendário definido.


Pode parecer básico. Mas não é. Segundo Naves, o setor vive um momento especial justamente por isso: “A existência do pipeline faz surgir novos grupos. E a existência dessas pessoas garante o pipeline.”


Tradução livre: previsibilidade gera concorrência, que gera preço, que gera investimento.

Ele vai além e crava: “É algo sem paralelo no mundo.”


Exagero? Talvez. Mas poucos países entregam hoje uma carteira tão visual, antecipada e estruturada.


Concessões florestais: quando infraestrutura encontra clima (de verdade)

Não é só asfalto. 2026 também marca o avanço concreto das concessões florestais, com a assinatura dos primeiros contratos da Floresta Nacional de Jatuarana (AM), leiloados em maio. Os números:


  • 453 mil hectares

  • 37 anos de concessão

  • Potencial de até R$ 32,6 milhões por ano em arrecadação


Segundo o BNDES, que estruturou o projeto, o modelo pode representar algo novo: “Pode ser que a gente tenha chegado a um jeito diferente de manter a floresta em pé.”


Não é discurso ESG. É fluxo de caixa com árvore viva.


♻️ Créditos de carbono: o Brasil saiu do PowerPoint?

Em julho, o Pará assinou a primeira concessão de reflorestamento em terras públicas com uso de créditos de carbono. Os dados impressionam:


⏳ 40 anos de concessão

🌱 10,3 mil hectares recuperados

🌍 3,7 milhões de toneladas de CO₂ equivalente sequestradas

💰 R$ 258 milhões em investimentos

📈 R$ 869 milhões em receitas estimadas


Sim, o mercado de carbono ainda tem ruído. Mas projetos assim começam a separar tese séria de oportunismo verde.


O que vem aí (e já está no radar)


  • Rondônia: concessão da Floresta Nacional do Bom Futuro, com 14 mil hectares para restauração

  • Amapá: projetos de manejo aguardando edital

  • União: quatro novos projetos na esteira

  • Pará: seis unidades em consulta pública


Quem busca crédito de carbono de alta qualidade já está olhando com lupa.


No fim, a pergunta que importa

O Brasil virou, de fato, um dos mercados mais interessantes do mundo em infraestrutura Talvez a resposta esteja menos no discurso e mais no fato de que:

  • o pipeline existe

  • o capital está voltando

  • e, pela primeira vez em muito tempo, o cronograma parece confiável


Infraestrutura segue sendo obra de longo prazo. Mas 2026 pode ser o ano em que o Brasil deixou de prometer (e começou a entregar).


 
 
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