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A escassez de mão de obra nas construções vai além dos pedreiros

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • 1 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

CNI aponta: Brasil tem cinco vezes menos engenheiros que países desenvolvidos. Impacto chega a infraestrutura, saneamento e MCMV.


A escassez de mão de obra nas construções vai além dos pedreiros

Sim, a escassez de mão de obra nos canteiros de obras existe. Mas o gargalo agora subiu de nível: as construtoras estão ficando sem engenheiros civis.

E isso acontece justamente no momento em que os lançamentos imobiliários voltaram a escalar como nos anos de ouro. Coincidência? Difícil.


📉 O fluxo de novos engenheiros secou e quem se forma foge para o mercado financeiro

A engenharia civil perdeu brilho para os jovens. E perdeu rápido.


De 2010 a 2019, o curso estava no top 10 nacional, chegando ao auge em 2014 com 132 mil novos ingressantes. Depois disso, o tombo.Em 2020, simplesmente desapareceu da lista dos cursos mais buscados.


E onde esses talentos estão indo? Para onde tem bônus e mesa de operação:

🏦 Bancos

📈 Assets

💼 Escritórios de investimentos


O próprio Sinduscon-SP admite: “A velocidade do mercado é maior que a disponibilidade de profissionais”. E esse descompasso está ficando cada vez mais explícito no canteiro.


💸 A crise de 2015 expulsou engenheiros, e muitos viraram motoristas de aplicativo

O colapso pós-PAC teve consequência direta: uma geração inteira abandonou o setor.

Sem previsibilidade, sem obra e sem segurança de carreira, muitos engenheiros não voltaram mais.


Yorki Estefan, presidente do Sinduscon-SP, é direto: “Esses profissionais que saíram… eles não voltam mais.” E o CREA-SP confirma o tamanho do buraco:Dos 150 mil engenheiros civis registrados, só 17% emitiram ART em 2025. Ou seja: 83% estão fora do jogo.


🌍 O Brasil tem poucos engenheiros e proporcionalmente muito menos que países desenvolvidos

A CNI estimou:


  • Brasil: 5,6 engenheiros por 100 mil habitantes

  • EUA: 25 por 100 mil

  • Japão: 25 por 100 mil

  • Alemanha: 25 por 100 mil


Essa defasagem estrutural é o tipo de problema que só aparece quando a máquina precisa acelerar, como agora.


🎓 Faculdades vazias, vagas sobrando e um curso que perdeu prestígio

A engenharia civil virou um curso com vagas remanescentes — algo impensável há apenas 10 anos. Exemplo prático? Na PUC-SP:


  • 83 ingressantes em 2014

  • 11 ingressantes em 2024


O colapso de demanda começou no pós-2015, e a percepção entre jovens é clara:"A carreira não parece previsível."


Num país que sempre tratou infraestrutura como penduricalho de governo, quem pode culpar?


📉 Trabalhar em obra perdeu glamour e muita gente prefere o ar-condicionado do escritório

Mesmo entre os engenheiros que ficaram no setor, a obra deixou de ser preferência. Depois de anos de instabilidade, muitos migraram para funções administrativas.


O resultado? Canteiros cada vez mais dependentes de uma base técnica que não existe.


🚨 Risco sistêmico: sem engenheiros, não tem Minha Casa Minha Vida, não tem saneamento, não tem energia

Vinicius Marchese, presidente do Confea, não ameniza: “A escassez de engenheiros pode travar obras de infraestrutura, saneamento, energia e programas como o Minha Casa Minha Vida.”


Ou seja, não é mais um problema “do setor imobiliário”. É um problema do país.


Pergunta que fica: quem vai tocar o ciclo de obras que o Brasil diz querer?

Tem PAC novo, investimento privado, infraestrutura represada há anos…Mas falta o básico: gente qualificada.


O Brasil diz querer obras, mas forma cada vez menos engenheiros. Quer acelerar, mas perde talentos para o Faria Lima.Precisa de canteiro, mas oferece instabilidade.

Sem resolver essa equação, não tem boom que se sustente.

 
 
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