5 engenheiros por mil habitantes: número de estudantes de engenharia despenca
- Redação Liga News

- 7 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Enquanto países ricos multiplicam engenheiros, o Brasil reduz pela metade seus alunos de engenharia e acende o alerta para um apagão técnico que ameaça o progresso nacional.

Houve um tempo em que ser engenheiro era sinônimo de status, estabilidade e prestígio. Engenharia, medicina e direito: o trio dourado dos vestibulares. Mas o relógio virou. Hoje, o número de estudantes de engenharia despenca enquanto o mercado clama por profissionais.
O paradoxo? O país que precisa construir o futuro está ficando sem quem saiba construí-lo.
Segundo o Confea, o Brasil pode enfrentar um apagão de até 400 mil engenheiros nos próximos anos. Dá pra imaginar o país competindo globalmente sem quem desenhe pontes, usinas, sistemas e cidades?
STEM: a sigla que o Brasil ainda não entendeu
Nos países ricos, o ensino superior é dominado pela área STEM: Science, Technology, Engineering and Mathematics. Por lá, 23% dos alunos escolhem carreiras técnicas e científicas.
No Brasil? Apenas 16%. Enquanto isso, administração e direito somam 34% das matrículas: dez pontos acima da média internacional.
📊 Os dados são da OCDE (relatório Education at a Glance). E o contraste é gritante: enquanto o mundo investe em engenheiros, o Brasil forma gestores para administrar o atraso.
Matemática: o calcanhar de Aquiles da engenharia
Para o vice-presidente do Confea, Nielsen Christianni, o problema começa antes do vestibular. “A evasão e o desinteresse passam pela má formação em matemática desde o ensino fundamental”, diz ele. E os números confirmam: no PISA, o Brasil ficou na 64ª posição entre 81 países em matemática.
Como formar engenheiros se o aluno já chega à faculdade tropeçando em equações básicas? A engenharia é vítima direta de um ensino que não prepara para o raciocínio lógico, mas ainda cobra dele resultados de alta precisão.
O EAD entra na conta e piora o cálculo
Outro fator é o avanço do ensino a distância, formato pouco compatível com laboratórios, projetos e experiências práticas. Em 2015, havia 358 mil alunos de engenharia civil. Hoje, são apenas 172 mil.
📉 Uma queda de mais de 50%.
Enquanto isso, países como Alemanha, Japão e EUA têm 25 engenheiros para cada mil habitantes. O Brasil? 5,5.Um déficit que ameaça desde obras de infraestrutura até o desenvolvimento de tecnologia nacional.
🏗️ O futuro não se constrói com falta de engenheiros
“Todos os países que transformaram suas economias ampliaram o número de engenheiros”, lembra Vinicius Marchese Marinelli, presidente do Confea. O alerta é direto: sem engenheiros, o país não se moderniza, nem compete.
Em tempos de inteligência artificial, transição energética e cidades inteligentes, o Brasil arrisca ficar preso no século XX. Afinal, como inovar se falta quem saiba projetar o novo?
⚙️ O resumo da obra:
O Brasil ensina mal matemática, investe pouco em ciência e forma cada vez menos engenheiros. Mas continua dizendo que quer crescer. Será que o país vai perceber (antes que seja tarde) que o futuro não se administra, se projeta?










