Falta de mão de obra impulsiona nova geração de startups da construção
- Redação Liga News

- há 10 horas
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Rodrigo Abrahão, do Secovi-SP, aponta avanço de startups como Construct IN, Syncher e Makasí, que estão levando IA e análise de dados para dentro dos canteiros de obras.

🤖 As construtechs saíram do escritório. E invadiram o canteiro.
Primeiro vieram as startups que digitalizavam contratos, documentos e burocracias.
Agora, a nova geração quer resolver problemas muito mais difíceis: produtividade, financiamento, desperdício e falta de mão de obra. 🏗️
A transformação está acontecendo onde a construção civil mais sofre pressão hoje: dentro da obra.
Segundo reportagem do Metro Quadrado, uma nova leva de construtechs está usando inteligência artificial, drones, visão computacional e análise de dados para atacar gargalos históricos do setor.
E o movimento não é pequeno.
O Secovi-SP já reúne 62 startups associadas.
📊 O canteiro virou fonte de dados
Para Rodrigo Abrahão, vice-presidente de empreendedorismo e inovação do Secovi-SP, a segunda onda das construtechs está diretamente ligada ao financiamento das obras.
"Essa segunda onda tem muito a ver com financiamento, porque a medição de obra ajuda os credores a acompanharem o que está acontecendo, em vez de só ver no final, quando está atrasado", afirmou Abrahão ao Metro Quadrado.
Em outras palavras: o banco não quer mais descobrir o problema quando a obra já saiu dos trilhos.
Quer acompanhar o trajeto em tempo real.
🚁 Drones, IA e modelos 3D entram na obra
Foi exatamente essa dor que levou Construct IN a desenvolver uma solução baseada em drones, imagens e modelos tridimensionais.
O fundador, Tales Silva, enxergou a oportunidade após uma temporada em São Francisco estudando tecnologias para construção.
"Quando eu comecei, era comum entrar em empresas que não usavam nenhum nível de digitalização. Hoje, é normal já usarem duas ou três soluções", disse ao Metro Quadrado.
A pandemia acelerou esse movimento.
Mas digitalizar foi apenas o começo.
👀 O próximo desafio é confiança
A construção civil produz uma quantidade gigantesca de informações.
O problema é que ninguém parece confiar totalmente em ninguém.
Segundo Celso Berri, fundador da Syncher, uma startup que usa AI para transformar imagens captadas nos canteiros em dados sobre produtividade e consumo de materiais, bancos, incorporadoras e empreiteiros frequentemente criam sistemas paralelos de auditoria para validar os mesmos dados.
Resultado?
Mais custo.
Mais burocracia.
Mais retrabalho.
"Isso gera muita informação cruzada, que as construtechs estão tentando resolver", afirmou Berri ao Metro Quadrado.
💰 IA também está destravando crédito
A tecnologia já não serve apenas para acompanhar obras.
Ela começa a abrir portas para financiamento.
A Makasí, fundada por Caio Bonatto, usa inteligência artificial para cruzar indicadores financeiros e dados de obra na análise de crédito.
A tese é simples: milhares de pequenas e médias incorporadoras continuam fora do mercado de capital profissional.
Segundo Bonatto, mais de 80% dessas empresas nunca conseguiram acessar esse tipo de recurso.
"O long tail do setor sempre ficou estagnado porque o incorporador tinha que vender o almoço para comprar a janta", disse ao Metro Quadrado.
🏗️ O maior desafio talvez não seja tecnológico
Porque a tecnologia já existe. O problema continua sendo a adoção.
Como resume Rodrigo Abrahão, do Secovi-SP: "Está todo mundo experimentando IA. Mas se você chega com um iPad para um mestre de obras de 50 anos, ele ainda quer abrir a planta na mesa e rabiscar no lápis."
Talvez essa seja a melhor fotografia da construção civil brasileira hoje.
A inteligência artificial chegou ao canteiro.
Mas ainda precisa convencer quem segura a trena. 📏
Fonte: Metro Quadrado. Entrevistas com Rodrigo Abrahão (Secovi-SP), Tales Silva (Construct IN), Celso Berri (Syncher) e Caio Bonatto (Makasí).











